No Paraná, mais de 40 mil protestam contra corte de direitos trabalhistas
30/01/2015
Fonte: Sindimovec
O Sindimovec participou, na quarta-feira (28), da mobilização das seis maiores centrais sindicais do país - CUT (Central Única dos Trabalhadores), Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB). A mobilização reuniu milhares de pessoas em marchas de protesto de trabalhadores em várias capitais brasileiras. O protesto fez parte do Dia Nacional de Lutas por Emprego e Direitos. No Paraná, a manifestação reuniu mais de 40 mil trabalhadores de Curitiba e região metropolitana, que participaram de paralisações desde a madrugada em várias fábricas como Bosch, CNH, Volvo, Perfecta, Seccional, Aker Solutions, Hass do Brasil, Volkswagen, Renault e Brafer. Às 10h, os trabalhadores protestaram na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio do INSS. Representantes das centrais sindicais também se reuniram com a direção da Previdência Social. No período da tarde, lideranças sindicais entregaram pauta de reivindicações ao governador Beto Richa.
Revogação das
Medidas Provisórias
Segundo Adriano Carlesso, Presidente do Sindimovec e Secretário Estadual dos Trabalhadores Metalúrgicos da Nova Central Sindical de Trabalhadores do Estado do Paraná (NCST=PR), os trabalhadores exigem do governo federal a revogação das MPs (Medidas Provisórias) 664 e 665, baixadas pela Presidente Dilma Rousseff em 30 de dezembro do ano passado, que alteram os prazos para o acesso ao seguro-desemprego, que tem como fonte de recursos o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), e modificam as pensões por morte e auxílio-doença, entre outras alterações. As MPs precisam ser votadas pelo Congresso até 1º de junho.
Governo
deverá ceder
Na avaliação dos Ministros do Trabalho, Manoel Dias, e do Secretário Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, o governo terá de ceder e fazer ajustes para aprovar as duas medidas provisórias (MPs) no Congresso. O Ministério da Fazenda já contava com ajustes nas negociações no Legislativo, mas considera fundamental manter os objetivos centrais das reformas no acesso aos benefícios. Segundo o Ministério da Fazenda, as medidas fazem parte do ajuste fiscal para a retomada da confiança e dos investimentos. O governo divulgou que a economia chegaria a R$ 18 bilhões.
Ministro da Fazenda criticado
As centrais sindicais afirmam que manterão a posição de não aceitar nenhuma mudança que possa atingir os direitos dos trabalhadores. Um encontro entre representantes do executivo federal e das centrais está marcado para o próximo dia 3 de fevereiro, em São Paulo.
Os sindicalistas aproveitaram ainda para criticar o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que na semana passada, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suiça), afirmou que o seguro-desemprego brasileiro era ultrapassado.
— “Acredito que o ministro está completamente desatualizado da realidade brasileira. Ele teria que se empenhar para reduzir a rotatividade. Quando isso acontecer, talvez seja menos necessário o seguro-desemprego, mas enquanto a rotatividade for alta temos que manter os benefícios do seguro”, ressaltou Adriano Carlesso, Presidente do Sindimovec.