26/09/2014
Campo Largo paga caro pela sua excelência em Saúde
26/09/2014
Campo Largo paga caro pela sua excelência em Saúde
26/09/2014
Por: Luis Augusto Cabral
A melhora nos índices de atendimento à Saúde, em Campo Largo, no último 1,5 ano, tem preço elevado. A cidade é praticamente invadida por moradores de municípios vizinhos, inclusive de Curitiba, em busca de socorro médico de urgência e emergência. No Centro Médico, onde é concentrado o atendimento público, o movimento dobrou, e mais de 20% é de pacientes que não moram em Campo Largo.
O prefeito Affonso Portugal Guimarães, que é Médico Pediatra, um dia se dispôs a assumir um plantão, na falta de um médico, e ficou espantado. Dos 170 atendimentos pediátricos, naquele plantão, apenas 33 eram crianças residentes em Campo Largo. “Não é nem a questão da disponibilidade de médicos, mas, principalmente, o aumento no consumo de medicamentos. Temo que, se não recebermos um reforço, até o final do ano poderemos enfrentar a falta de alguns medicamentos”, disse ele.
Movimento
O secretário Municipal de Saúde, Alexandre Xavier, disse que o dia de maior movimento no Centro Médico é a segunda-feira, chegando a 750 atendimentos, sendo desse total, 24 casos de Pediatria. Nos outros dias, inclusive sábado e domingo, o número de atendimento oscila entre 500 e 600, sendo em média 170 casos de Pediatria. “Nosso tempo de atendimento caiu de três a quatro horas para cerca de 45 minutos, em média”, explicou ele.
A Prefeitura Municipal tem 70 médicos, que atendem no Centro Médico, com plantões de seis médicos, durante o dia e quatro à noite. No total sete são Pediatras, sendo que alguns clínicos atendem também na Pediatria. “Reduzimos o tempo e dobramos o número de atendimentos”, explicou o secretário, chamando a atenção para o “castigo”, pela excelência em atendimento de Saúde Pública do Município.
Mais tensão
O fechamento do atendimento da Emergência e Clínica do Hospital do Rocio, nos próximos meses, em função da mudança para o novo Rocio, na Lagoa, vai aumentar ainda mais a demanda no Centro
Médico. “Estamos nos estruturando para fazer frente à essa demanda”, disse o secretário, mas ele acha que não será fácil. Para o prefeito Affonso Guimarães, “precisamos da atenção do Governo do Estado, e dos prefeitos de municípios como Balsa Nova, Araucária, Contenda, Palmeira, Almirante Tamandaré, Curitiba e Campo Magro, principalmente, dos quais recebemos pacientes, em Campo Largo”.
Recursos
Campo Largo destinava, até 2012, cerca de R$ 1 milhão/ano para a aquisição de medicamentos. Hoje esse custo está em torno de R$ 2,5 milhões e ainda são necessários pelo menos mais R$ 500 mil, para fechar o ano sem problemas. “Remédio básico não vai faltar”, disse o secretário, mas ele teme que medicamentos especiais estejam esgotados, na farmácia, antes do final de novembro. A solução, segundo ele, seria um Consórcio Metropolitano de Saúde, com os municípios que demandam os serviços de Campo Largo.
Sem farmácia
Outro fator excepcional no aumento da demanda por medicamentos, em Campo Largo, é o fechamento das farmácias comerciais, após às 23 horas. “Muita gente procura o Centro Médico, durante a madrugada, para ser consultado e conseguir remédio, porque as farmácias comerciais estão fechadas.
Essas pessoas são atendidas normalmente pelos nossos plantonistas e, quando o caso requer, o medicamento é receitado e liberado na farmácia”, disse o secretário. Há informações de que muitas destas pessoas relatam que tinham receita de médicos particulares, mas não têm condições de ir à Curitiba para comprar o medicamento indicado, nas farmácias comerciais. “Nós não podemos negar atendimento”, disse o secretário.
Um exemplo de medicamento que pode faltar, na farmácia do Centro Médico, é o Clavulin, que combate Pneumonia, e custa em torno de R$ 60,00, nas farmácias comerciais. “É um medicamento importante, principalmente para idosos”, disse o secretário, demonstrando preocupação com a situação, nos próximos meses.