12/07/2014
A unidade da Indústria Legrand, de Campo Largo, está sendo desativada definitivamente e seus últimos 310 funcionários terão trabalho somente até o próximo dia 15 de agosto.
12/07/2014
A unidade da Indústria Legrand, de Campo Largo, está sendo desativada definitivamente e seus últimos 310 funcionários terão trabalho somente até o próximo dia 15 de agosto.
12/07/2014
Por: Luis Augusto Cabral
A unidade da Indústria Legrand, de Campo Largo, está sendo desativada definitivamente e seus últimos 310 funcionários terão trabalho somente até o próximo dia 15 de agosto. A fábrica, que já pertenceu às indústrias Lorenzetti e que no seu auge chegou a ter mais de 1.500 trabalhadores, foi um ícone da indústria campo-larguense, que deixa de existir, em meio à crise econômica que o País enfrenta.
Há informações sobre um encontro agendado para esta sexta-feira, no gabinete do prefeito de Campo Largo, com presença de representantes da diretoria da empresa, para tratar sobre o fechamento da unidade. Embora haja o desejo da cidade, de mudar a decisão da Legrand, tomada pela diretoria internacional, é improvável que a empresa reverta o processo já desencadeado.
Há mais de cinco anos há rumores sobre o fechamento da unidade da Legrand em Campo Largo. Há, inclusive, questões ambientais que não são citadas na nota da empresa, mas que especialistas acreditam que podem ter pressionado a diretoria, durante os últimos anos, e que podem ter influenciado na decisão pelo fechamento da unidade. A planta está encravada numa área muito sensível ao equilíbrio ambiental, à margem do Rio Cambuí. O seu refeitório, que chegou a produzir mais de 1.800 refeições/dia, está localizado praticamente sobre o rio.
Crise
O líder sindical Nelson Souza, o Nelsão, da Força Sindical, que vem acompanhando há vários anos a evolução da crise da unidade da Legrand no Município, disse que o fechamento da fábrica vem sendo adiado há vários anos. “Eles transferiram parte da unidade para Manaus, há alguns anos, e muitos trabalhadores, cerca de 30, foram convidados, e aceitaram, recentemente, se transferir para outras unidades da empresa”, explicou.
A maioria dos trabalhadores, segundo Nelsão, já esperava esse desfecho. “Eles vão procurar colocação em outras empresas da região, não querem sair de Campo Largo. Estamos trabalhando, junto à empresa, para que todos os seus direitos sejam respeitados e que nenhum funcionário seja prejudicado”, explicou. Ele acrescenta como um dos principais motivos para o fechamento da unidade a evolução dos produtos e a mudança da legislação, ao longo dos anos, que “aposentou” peças como bocais de cerâmica e tomadas, que antigamente eram produzidos naquela planta.
Os trabalhadores da Legrand em Campo Largo tinham um dos maiores níveis salariais médios, no parque industrial da região, cerca de R$ 1.400,00, além de vários benefícios. A unidade era a única do setor, no Paraná, com produtos de ponta, com a linha shopping em sistemas elétricos, inclusive para exportação.
Em nota, a empresa informou que “a decisão de transferir parte da produção da fábrica em Campo Largo para as demais fábricas no Brasil, vem de encontro com um Plano Global de Melhoria dos Serviços de Atendimento, que busca otimizar e racionalizar a operação industrial. Atualmente, a Legrand possui sete fábricas, decorrentes de aquisições em diferentes estados, com metros quadrados disponíveis e com tecnologias similares”.
Mais adiante, a empresa informou que “hoje empregamos mais de três mil colaboradores, e a Fábrica de Campo Largo terá o impacto de 310 demissões, que além do pagamento integral de todos os direitos legais, negociaremos junto ao sindicado um plano social que inclui a prorrogação de benefícios e indenizações”.
Na nota, o Grupo Legrand, especialista mundial em sistemas elétricos e digitais para infraestruturas prediais, reforça sua política de que sempre trabalhou com transparência e ética, pilares que norteiam sua atuação no Brasil e nos mais de 180 países em que está presente por meio de marcas de referência mundial e nacional.
“Reafirmamos assim nosso compromisso na manutenção da qualidade de nossos produtos, com as pessoas e com o País, contribuindo para um desenvolvimento em bases sólidas e crescimento contínuo”, conclui a nota, que é assinada pelo seu diretor presidente Fabrice Le-Fur.