Geral

José Maria

12/07/2014

Campo Largo perdeu de ser sede e centro de produção da Lonrenzetti

José Maria

12/07/2014

Falar em José Maria Benedicto Arruda Botelho, hoje proprietário da única indústria de produção de massa cerâmica do País, a Cermassa, em Campo Largo, é falar em Lorenzetti. Seu nome está historicamente ligado àquela empresa, da qual foi presidente da unidade campo-larguense e vice-presidente nacional.

José Maria, hoje com 78 anos de idade, chegou em Campo Largo em 1973, quando a Lorenzetti comprou a PIP - Porcelana Industrial do Paraná e a PEP – Produtos Eletrônicos do Paraná. Vindo da Celite, uma indústria de louças sanitárias de São Paulo, aos 37 anos de idade, José Maria revolucionou a indústria campo-larguense, com seu jeito peculiar de administrar. Em pouco tempo ele passou de diretor geral a presidente e, posteriormente, vice-presidente nacional da empresa.

Expansão

Químico Ceramista de formação, José Maria organizou a unidade que produzia principalmente materiais elétricos de porcelana, como isoladores, tomadas e bocais, ampliando a sua produção. A Lorenzetti, que detinha apenas 51% das ações da unidade, encarregou-o de comprar o restante das ações, que pertenciam às famílias locais, como a Stukas e outras. A Lorenzetti chegou a 90% das ações e a unidade experimentou expansão, entre os anos 1989 a 90, quando chegou a ter mais de 1.500 funcionários e faturamento de mais de U$ 5 milhões/mês, chegando a ser a segunda mais importante indústria local, em faturamento.

“Quando cheguei aqui e assumi a administração da empresa, contratei uma Assistente Social, depois contratei mais uma. Havia necessidade de trabalharmos vários aspectos sociais, criamos a Cooperativa de Alimentos. Uma assistente social ia à casa dos trabalhadores e levantava as necessidades de alimentação de toda a família. Comprávamos o que precisava, cada família recebia uma cesta completa, a um custo até 60% menor do que nos mercados”, disse o executivo.

“Também contratamos três médicos, para atender os funcionários, o Doutor Müller (hoje um dos proprietários do Hospital Nossa Senhora do Rocio), o Doutor Jacir e o Doutor Carlos Lamoglia. Isso porque, naquela época, muitos funcionários iam ao médico em Curitiba, e voltavam com atestado de 15 dias. Com os médicos trabalhando na unidade, as consultas eram feitas no ambulatório e quem trouxesse atestado de fora, tinha que passar por exame dos médicos da empresa. Reduzimos quase a zero os atestados médicos e ainda conseguimos estender a assistência médica aos filhos dos funcionários”, explicou.

“Quando havia alguma crise no mercado, nos tempos da inflação galopante, e as demissões eram inevitáveis, sempre fazíamos uma seleção, primeiro os solteiros, depois os mais jovens, se mais alguém na família trabalhasse. Muitas vezes eram demitidos, nessas ocasiões, somente filhos de funcionários, que depois da crise em geral eram readmitidos”, disse José Maria.

Cultura e esportes

“Criamos curso de Alfabetização de Adultos, fundamos um Coral dos funcionários, o maestro era da Força Pública. Tinhamos várias modalidades esportivas, e os funcionários atletas era dispensados do trabalho para treinar ou para competir, sem prejuízo do salário. Nos fins de semana, particularmente, as atividades esportivas e culturais reuniam centenas de funcionários e seus familiares. Era um convívio muito salutar. Éramos uma grande família, éramos felizes e não sabíamos”, disse.

“Era nossa preocupação, também, incentivar os jovens ao estudo, à formação profissional. Hoje muitos daqueles jovens são empresários na cidade. Campo Largo poderia ser, hoje, sede nacional da Lorenzetti, centralizando aqui suas principais unidades fabris e a administração”, explicou ele.

José Maria emprega, hoje, na sua empresa, a Cermassa, a mesma filosofia de trabalho que implantou na Lorenzetti e diz: “é muito bom apostar no ser humano”.
 

Compartilhar esta notícia: