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Diretor do Hospital São Lucas explica e lamenta acontecimento

07/03/2014

Médico que atendeu a paciente Liziane Zacharias, que faleceu na semana passada no Hospital São Lucas, Volnei Guareschi, explica o que aconteceu com ela.

Diretor do Hospital São Lucas explica e lamenta acontecimento

07/03/2014

Médico que atendeu a paciente Liziane Zacharias, que faleceu na semana passada no Hospital São Lucas, Volnei Guareschi recebeu a Reportagem da Folha de Campo Largo, para explicar o que aconteceu com ela. “Lamentamos e ficamos tristes, quando acontece um óbito. O caso da dona Liziane nos tocou profundamente, pela sucessão de problemas que ela sofreu. O óbito foi em decorrência de um tromboembolismo pulmonar, uma complicação pós-operatória não tão rara, mas que pode acontecer em qualquer cirurgia”, explicou ele.

Volnei explicou, passo a passo, tudo o que sucedeu. Segundo ele, “a paciente foi internada com infecção urinária, foi tratada e o quadro evoluiu satisfatoriamente. Na quinta-feira (27), ela ia completar 38 semanas de gestação. Na segunda-feira (24), às 18 horas, fiz visita de rotina, a paciente estava bem, jantando, e no dia seguinte, terça-feira, ia ser submetida a cesárea. Era um procedimento eletivo, uma vez que ela já havia realizado outro procedimento cirúrgico idêntico. Por volta das 19 horas, na troca de plantão, ela fez uma dor abdominal súbita e a técnica de enfermagem, ao auscultar a frequência fetal, não ouviu nada”, explicou.

Óbito

“Quando a paciente foi examinada pela técnica de enfermagem e esta não ouviu os batimentos do feto, imediatamente foi encaminhada para a sala de Ecografia, onde se constatou descolamento de placenta. Quando isso acontece numa gravidez, o bebê para de receber oxigênio da mãe, e vai a óbito fetal súbito. A paciente foi à cirurgia de emergência (Cesárea), que ocorreu sem anormalidades. A paciente foi encaminhada à UTI, mais por excesso de cuidado, não havia complicação, ela estava bem até às duas horas da manhã”, disse Volnei.

“Logo após às duas da manhã, ela apresentou dor toráxica súbita, e insuficiência respiratória, com quadro clínico de Tromboembolismo Pulmonar, uma complicação não tão rara, que pode acontecer em qualquer tipo de cirurgia. O quadro foi equilibrado no período da manhã, mas à tarde ela sofreu uma parada cardiorrespiratória. Todos os procedimentos de reanimação foram realizados, sem sucesso, temos apenas que lamentar. Não houve qualquer tipo de maltrato com a paciente que, infelizmente, foi a óbito em decorrência do descolamento da placenta e, em seguida, do Trombo”, explicou o médico.

O hospital

Volnei lembra que o hospital possui 150 leitos, dos quais 38 em UTI, e realiza mais de 500 cirurgias por mês, sendo em média 60 bariátricas e cirurgias clássicas reparadoras pós-bariátricas. “Somos um Centro de Alta Complexidade em Ortopedia e Oncologia e referência na Região Metropolitana em atendimento de Alta Complexidade e Nefrologia (Hemodiálise). Aqui nascem em média, 150 crianças por mês, das quais 78% em partos normais. Temos 60 médicos de todas as especialidades e mais de 300 funcionários. Nós lutamos pela vida”, disse o médico.

Segundo ele, “o hospital entende o sofrimento da família, todos ficam abalados com um caso como esse. Ficamos constrangidos pela forma com que o assunto foi tratado pela mídia sensacionalista e irresponsável. Não nos pronunciamos antes em respeito à dor da família. Mortes em obstetrícia ainda ocorrem, apesar do avanço da Medicina. Nesta semana mesmo, perdemos uma das nossas funcionárias, em um caso semelhante, quando internada em outro hospital. Paciente com 32 semanas foi submetida a Cesárea e o bebê, prematuro, nasceu com saúde, mas a mãe teve uma complicação pulmonar que evoluiu para óbito, uma fatalidade que nós só podemos lamentar”, explicou.

Descolamento prematuro da placenta não é raro

A Reportagem da Folha ouviu uma especialista em ginecologia e obstetrícia de Alta Complexidade, Dra. Joany Helen Lopes. Segundo ela, “o descolamento prematuro da placenta é a separação da placenta da parede uterina antes do nascimento  da criança. Ocorre em 1 a 2% das gestações. Fatores de risco são hipertensão arterial, tabagismo, hiperdistensão uterina, disfunções placentárias e doenças tromboembólicas, porém podem ocorrer em pacientes sem fatores de risco. O descolamento, caso ocorra em área grande da placenta, leva a óbito fetal. Um terço das pacientes com descolamento prematuro de placenta e óbito fetal desenvolverão coagulopatias (alteração coagulação)”.

Família busca explicação


Protesto realizado em frente ao São Lucas na terça-feira (04)

A Folha conversou com Joracil Lourenço Zacharias, que estava há 12 anos com Liziane Zacharias (26), auxiliar de cozinha em uma empresa em Curitiba e com quem tinha uma filha de 05 anos. Ele contou que na segunda-feira (10) participará de uma reunião no Hospital São Lucas junto com sua advogada. “Eles entraram em contato para que eu fosse conversar, para me explicarem o que aconteceu. Mas não entendo, ela foi bem para o hospital, no dia 19 de fevereiro, estava quase para ganhar, mas foi para o hospital porque estava com perda de líquido. Deram remédio pra segurar para ter parto normal, mas ela falava que queria logo o parto, nem que fosse cesárea. Acabou sendo parto normal, e o bebê nasceu morto, não sabemos o que aconteceu, queremos entender”, desabafa o marido.

Ele explica que na segunda-feira (24) pela manhã ela começou a ter dores e à noite fizeram a cirurgia. O bebê nasceu morto na Policlínica Leny e ela foi transferida para a UTI do Hospital São Lucas, porque, segundo o marido, ela tinha perdido muito sangue. “Conversei com ela, normal, ela estava bem, disse que agora a gente não tinha mais o Mateus. Na madrugada de terça-feira me ligaram falando que ela tinha entrado em coma. Não entendo como de uma hora pra outra isso aconteceu. Por isso quero pedir perícia do corpo”, detalha.

Na terça-feira (04), familiares e amigos se reuniram e fizeram um protesto em frente ao Hospital São Lucas, cobrando por justiça pela morte de Liziane
 

 


 

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