09/11/2013
Casa histórica do Parque Cambuí é demolida
09/11/2013
Casa histórica do Parque Cambuí é demolida
09/11/2013
Alguns campo-larguenses indignaram-se ao saber que a Prefeitura Municipal demoliu, no dia 30 de outubro, uma histórica casa localizada no Parque Newton Puppi (Cambuí). A história foi questionada por muitos, primeiramente porque a nota da Prefeitura informava que a casa não tem registro histórico e porque a mesma não teria condições de ser restaurada. A situação foi até mesmo motivo de abaixo-assinado na internet, como também criação de um evento no sábado (03) para reunir pessoas com objetivo de mostrar a indignação pela demolição da casa.
A Folha procurou o pesquisador histórico Renato Hundsdorfer, grande conhecedor da história de Campo Largo e que já escreveu o livro A verdadeira História de Campo Largo. “Emocionalmente eu chorei, tecnicamente não tinha como. O custo para manutenção não é observado pela população. Algumas pessoas são ligadas à história, mas se a Prefeitura injetasse dinheiro para manter a casa haveria crítica porque gastam nisso enquanto não investem em saúde, educação”, opina Renato.
Segundo ele, do jeito que estava a casa, a qualquer momento poderia desmoronar, já que há anos não recebia a manutenção adequada. Ainda comentou que, embora o Tiro de Guerra seja próximo, a casa poderia virar ponto de droga, ou até mesmo alguém querer se apropriar, ou atear fogo. “Na verdade tiraram um problema, apesar de sentir muito por isso e querer que tivesse outro destino”, relatou o pesquisador, detalhando que a casa era feita de taipa e era a única em Campo Largo que ainda tinha calçada “pé-de-moleque”, com pedras de rio colocadas com areia socada.
História
O parque, hoje conhecido por Newton Puppi, era chamado de Chácara Floresta, de propriedade de Francisco Pinto de Azevedo Portugal, que adquiriu esta e terras vizinhas (onde hoje é o NIS III, Creche Anjo da Guarda, entre outras) em 1834. Segundo pesquisado por Renato e publicado em seu livro, na Chácara foi montado um engenho hidráulico, movido por águas do rio Cambuí. Então foram construídas edificações, sendo uma delas a que atualmente foi demolida e na época era onde morava o capataz da Chácara, Bento Moraes.
Essa chácara, conforme registrado no livro de Renato, possuía muitos escravos e nessas terras eram cultivados milho, feijão e batatas, além de árvores frutíferas. Havia criação de cavalos, sendo que muitos eram para o transporte de erva-mate.
Francisco Pinto de Azevedo Portugal foi líder político em Campo Largo, chefe do Partido Conservador, o vereador mais votado na primeira eleição para a Câmara e mais tarde foi eleito deputado provincial, presidiu a Assembleia Provincial, participou do Clube Literário Campolarguense e deixou seu nome marcado na história por inúmeras outras situações – tanto ele como os filhos que teve. Toda a história pode ser lida no livro “A verdadeira História de Campo Largo”.
A Chácara Floresta ficou de herança para seu filho James na época do final da escravidão e do ciclo da erva-mate. O perfil econômico da chácara teve que mudar, anos depois passou a ser dono das terras o Desembargador Clotário Portugal e a propriedade foi comprada pelo Governo do Estado do Paraná em 1943, na gestão do interventor Manoel Ribas, e em 1944 as terras foram doadas ao Ministério da Agricultura. Um ano seguinte, 1945, instalou-se definitivamente a área administrativa e de pesquisa de campo que passou a se chamar Estação de Enologia. A casa em questão era local onde ficavam os funcionários.
Anos depois, com a instalação da Granja, a casa abrigou a primeira escola da Granja. Recentemente moravam nela os senhores Felix e Aluisio, que cuidavam dos materiais recicláveis do Cime, que ali eram estocados.
Parecer técnico
Em nota oficial, a Prefeitura Municipal divulgou que “após análise do engenheiro da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, que comprovou o ‘risco iminente de desabamento’ e a impossibilidade de ‘recuperação’ do imóvel, a casa, que estava sendo mantida por vigas externas para sustentar as paredes, comprometia a segurança do Parque, frequentado por um grande número de campo-larguenses.
A situação detectada foi de abandono. Com a falta de manutenção e de políticas públicas de conservação nos últimos anos, a estrutura da casa ficou completamente comprometida. O parecer técnico declarou que a casa estava escorada por “mãos francesas”, as quais, se retiradas, implicariam “em desabamento” imediato.
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