28/09/2013
Muitos campo-larguenses estão assustados com as apreensões de drogas na cidade, até mesmo com crianças, e todo o contexto a que ela pode estar inserida, motivando assaltos e homicídios, por ex
28/09/2013
Muitos campo-larguenses estão assustados com as apreensões de drogas na cidade, até mesmo com crianças, e todo o contexto a que ela pode estar inserida, motivando assaltos e homicídios, por ex
28/09/2013
Muitos campo-larguenses estão assustados com as apreensões de drogas na cidade, até mesmo com crianças, e todo o contexto a que ela pode estar inserida, motivando assaltos e homicídios, por exemplo. Isso não quer dizer que todos os usuários cometam delitos, mas incentivam isso, porque sustentam o tráfico de drogas. O vício tem começado cada vez mais cedo e ao contrário do que muitos pensam, a dependência inicia a partir de uma droga socialmente aceitável, com baixo custo e fácil acesso: o álcool, muitas vezes também associado ao cigarro.
A psicóloga do CAPS AD Andrea Hamasaki, comenta que a maioria dos pacientes em tratamento de drogas ilícitas contam que tudo começou com o álcool. Os pacientes relatam que “bebem e perdem um pouco a questão do julgamento e vão no embalo, não pensam se é bom ou não, não estão preocupados com regras”. De acordo com pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas - ABEAD, o consumo crônico de doses elevadas de álcool muda o funcionamento do cérebro, altera a estrutura e aumenta a atividade de uma área cerebral associada ao comportamento impulsivo e à formação de hábitos. Com o tempo, o funcionamento dessa região passa a prevalecer sobre a tomada de decisão consciente.
Quanto aos motivos para começar a beber, são inúmeros e variam bastante, mas muitas vezes passa a funcionar como aceitação. Pode ser por falta de estrutura familiar, algum problema pontual na família, falta de educação, de carinho, entre outros. “Crianças saem de casa e se envolvem com drogas como uma fuga. Muitas vezes no meio em que ele se insere o consumo de drogas acaba sendo a forma dele se sentir acolhido”, comenta a psicóloga.
O uso de drogas não está atrelado à renda familiar – acontece tanto em famílias menos favorecidas como com pessoas da mais alta classe social. “Pai e mãe precisam sempre acompanhar e prestar atenção nos filhos”, detalha Andrea.
Ainda há adolescentes que dizem só fumar maconha e justificam que não faz mal, pois até é usada em tratamento medicinal em outros países, mas a psicóloga afirma que causa, sim, danos físicos e psicológicos, além de causar dependência e estimular o consumo de outras drogas.
Sintomas
A dependência química começa a ser percebida em casa quando o usuário muda de comportamento e começa a ter sua vida prejudicada – tanto nos estudos, quanto no trabalho, no relacionamento com as pessoas e começa a mudar fisicamente. Quando chega neste ponto, a pessoa precisa urgente de ajuda. “No começo eles acham que param a hora que quiserem, mas só vão perceber o mal quando já é crônico. Poucos veem a tempo”, relata Andrea.
Muitos chegam a largar o trabalho ou o estudo, ficam mais agressivos ou mais quietos, não se socializam e apresentam mudanças no sono e na alimentação. Chegam também a roubar pertences da própria casa para trocar por droga.
Ajuda
Atualmente o CAPS AD está com cerca de 150 pacientes em atendimento por álcool e drogas ilícitas. Quem quiser buscar ajuda no CAPS AD pode ir a qualquer dia. É um Centro de Atendimento que fica de portas abertas e o paciente chega e é atendido. Maioria das vezes é a família que leva o paciente para tratamento, mas também acontecem casos do paciente ir de forma espontânea.
É realizado um trabalho de acolhimento e avaliado se o paciente precisa ou não de internamento. Nos casos de internação podem ser encaminhados para o IPTA ou outros locais em parceria com o Governo Estadual. No CAPS há o regime intensivo (atendimento cinco vezes na semana), o semi-intensivo (duas vezes na semana) e o não-intensivo (uma vez ao mês). Há grupos terapêuticos e oficinas, onde trabalham a prevenção, recaída e convivência; e entre os trabalhos do psicólogo está a reflexão do paciente e da família, entender o dia-a-dia deles.
O psiquiatra acompanha o paciente e pode receitar medicamentos que ajudem na ansiedade, como também a comer e dormir melhor. “Os remédios ajudam, mas depende muito do esforço e vontade do paciente em conseguir superar a vontade. A mudança tem que ser na família toda, não só no paciente”, explica a psicóloga.
DEPOIMENTO
Álcool e cocaína
“Eu era muito tímido quando era jovem. Era encrenqueiro, revoltado, achava que recebia menos carinho em casa, ganhava menos que os outros. Comecei a sair tarde, com 18 anos, e não conseguia dançar nem conversar com as outras pessoas. Aí eu comecei a beber e achava bonito dançar, o que eu só conseguia bebendo.
Depois comecei a fumar e então fui direto pra cocaína, porque tinha nojo de maconha. Só que eu não senti nada com cocaína, nenhum efeito, aí tentei de novo e de novo não senti nada. E isso sempre acontecia em uma danceteria que eu ia em Curitiba, eu gostava de mostrar para os outros que em mim a droga não fazia efeito, era como se eu fosse imune a isso. Quando me dei conta eu não conseguia mais fazer o que antes eu conseguia só com bebida, precisava da cocaína. Eu sentia nojo quando chegava em casa e foi assim por dois anos, até que eu consegui parar por conta própria.
Mas tempo depois morreu minha mulher e tive alguns problemas de família, aí a recaída foi feia. Foi ainda pior porque comecei a usar muito mais, quase todos os dias. Depois que passa o efeito você fica deprimido, percebe que o corpo não aguenta mais, não quer ouvir ninguém, quer se isolar. Batia o arrependimento, uma revolta, uma tristeza, chorava muito. Mas depois que eu acordava isso passava e já sentia vontade de me drogar de novo.
Vim sozinho buscar tratamento no CAPS porque lembrei do sofrimento que já passei e vi que não vale a pena, só de pensar em tudo que eu perdi... E não adianta falar, porque a família não consegue dar o apoio nestas horas, você fica sozinho, não tem ninguém que fica do seu lado. Hoje ninguém da minha família sabe que eu estou aqui.
Ainda sinto vontade de usar novamente, chego até a sonhar, mas tento fugir dos meus pensamentos. Chacoalho bem forte minha cabeça, fico na internet pra esquecer, jogo, tomo uma Coca-Cola.
Cheguei a roubar coisas da minha própria casa para poder comprar droga – você faz qualquer coisa. Muitos amigos meus se envolveram em coisas pesadas e morreram. Hoje eu me julgo um vencedor. Estou com 40 anos e acredito na chance de sempre vencer, sou um exemplo”, declara um paciente do CAPS, em tratamento devido à dependência de cocaína.
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Os efeitos crônicos do uso de cocaína são: problemas cardíacos, ferimentos das cavidades nasais, perda significativa de peso, desnutrição, fraqueza, cansaço físico, mania de perseguição e alucinações, ansiedade, inquietação psicomotora, mal-estar, invalidez e morte. Aliado ao consumo de álcool causa estragos nas funções cerebrais e pode danificar a capacidade de aprendizado e reduzir os reflexos