Geral

Protesto não consegue fechar a BR-277

16/11/2012

Clima de guerra na altura do Km 110 da BR-277, proximidades da entrada da Estrada do Mato Grosso e do Cercadinho, em Campo Largo, na tarde desta Quarta-feira (14).

Protesto não consegue fechar a BR-277

16/11/2012

Clima de guerra na altura do Km 110 da BR-277, proximidades da entrada da Estrada do Mato Grosso e do Cercadinho, em Campo Largo, na tarde desta Quarta-feira (14). Manifestantes tentaram fechar a rodovia, em protesto pelo fechamento do retorno e não construção de uma trincheira no local, prometida há um ano. A Polícia teve que usar bombas de efeito moral e gás Lacrimogênio, para impedir que os manifestantes fechassem a rodovia.

A manifestação já estava programada há mais de 15 dias, mas a RodoNorte, concessionária da rodovia, conseguiu liminar na Justiça proibindo os manifestantes de entrarem na pista, sob pena de prisão e multa de R$ 10 mil por pessoa, por desobediência. Cerca de 500 pessoas estavam no local, por volta das 15 horas, quando o movimento começou. Mas o tumulto só acontece com a chegada de Nelson Souza, o Nelsão, com um caminhão de som, chamando as pessoas para bloquearem a rodovia.

Prisão

Em apoio à Polícia Rodoviária Federal, a Companhia de Choque da Polícia Militar, convocada antecipadamente para impedir o fechamento da rodovia, foi acionada no momento em que o ex-vereador e sindicalista Nelsão, desobedecendo a ordem judicial e as ponderações das autoridades policiais, chamou o público para invadir a pista. Bombas de efeito moral foram lançadas e os manifestantes desistiram do bloqueio, sendo Nelsão preso em flagrante, por desobediência a uma ordem judicial. Com ele foram presos outros seis líderes do movimento, inclusive o filho de um pastor, residente na região.

Quando Nelsão recebeu voz de prisão ele ainda tentou escapar, trancando-se dentro do caminhão de som, mas acabou saindo, foi algemado e levado para a viatura policial. No tumulto, os policiais até se prepararam para usar gás de Pimenta, contra os manifestantes que tentaram impedir a prisão dos seus líderes. O ex-vereador ainda gritou, para os jornalistas que acompanhavam os acontecimentos, que a prisão era injusta e que todos têm que lutar pelo direito de ir e vir.

Com Nelsão foram presos foram presos todos os líderes do movimento, o pastor Divino Valdir da Cruz Silva, Tiago Kowalski Silva, Rafael Kowalski Silva, Vera Baggio, Romildo Silva e Hermes Farias. Todos permanecem presos na Polícia Federal, em Curitiba, sem perspectivas de libertação. Advogados entraram com pedido de relaxamento das prisões, o que devria ser aprecisado pela Justiça federal, em Curitiba, na tarde desta Quinta-feira. Até o fechamento desta edição, na tarde de Quinta-feira, eles permaneciam presos.

Motivos

A concessionária RodoNorte fechou, no ano passado, um retorno existente nas proximidades do Km 110, por questões de segurança. Os moradores, desde aquela época, reivindicavam a construção de uma trincheira, que foi prometida, para a qual já existe projeto, mas não consta na autorização do Governo do Estado para obras na região. O projeto depende da liberação do Departamento de Estradas e Rodagens (DER).

No início da tarde de Quarta-feira, a RodoNorte enviou à imprensa um comunicado informando que   a empresa desaconselhava  qualquer manifestação, sob qualquer hipótese, devido aos riscos à segurança dos próprios manifestantes, riscos de acidentes e prejuízos aos usuários. A atitude por parte dos moradores foi especialmente desaconselhada nesta véspera de feriado, quando milhares de pessoas devem sair de suas casas para viajar pelo estado ao encontro de familiares e amigos.

A empresa informou que obteve judicialmente interdito proibitório sobre os organizadores do bloqueio visando garantir a fluidez da rodovia e evitar transtornos aos usuários.

A RodoNorte informou, ainda, que já realizou projeto funcional para a construção de uma trincheira no local, apresentando-o ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o que é de conhecimento das lideranças comunitárias. Também informou que é de conhecimento da comunidade que a possibilidade de construção da passagem em desnível está condicionada à inclusão desta obra entre as obrigações do contrato de concessão da empresa com o Governo do Estado.

Compartilhar esta notícia: