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Sueli do posto

01/11/2012

Eleição para vereadora foi surpresa até para a candidata

Sueli do posto

01/11/2012

“Trabalhei muito, visitei umas cinco mil residências, gastei cinco pares de sapatilhas, mas não gastei um centavo, não tinha dinheiro. Tinha dia que eu almoçava porque uma amiga que me ajudava, pagava o almoço numa lanchonete, num restaurante. Às vezes não dava tempo de voltar para casa. Eu queria ser eleita, mas teve momento que eu fiquei sem esperança, só acreditei quando as urnas foram totalizadas”.

O depoimento, em tom de desabafo, é da vereadora eleita Sueli Terezinha Guarnieri (56), a Sueli do Posto, do PSB, da região da Ferraria. Ela recebeu 1.298 votos na eleição de sete de Outubro último, sendo a sexta mais votada do Município, e confessa que só acreditou que havia sido eleita quando quase 100% das urnas estavam totalizadas e ela apareceu entre os mais votados.

Trabalho

Sueli disse que vai ser uma vereadora muito ativa e que vai trabalhar muito para conseguir melhorias para a região da Ferraria. “Quero continuar trabalhando no posto, eu gosto do que faço, mas vou poder ajudar mais o meu bairro, a minha região. Vou conversar com o prefeito Affonso Guimarães, eu já trabalhei com ele, acredito que vamos ter um ótimo diálogo, em benefício da Ferraria e bairros vizinhos”, disse Sueli.

A vereadora eleita disse que a Saúde será uma das prioridades, nas suas cobranças na Câmara Municipal. “A Ferraria precisa de mais médicos, de pediatra, precisamos trazer de volta o pediatra que tiraram daqui; a região precisa de mais segurança, precisa de um módulo policial 24 horas, precisa de uma lotérica, de um banco, porque hoje nós temos que ir à Campo Largo ou a Campo Comprido para pagar as nossas contas de água e luz. Vou brigar, vou conversar com o Doutor Affonso, vamos nos unir, eu e a Fernanda (a vereadora eleita do PT), e vamos mudar a realidade daqui da Ferraria”, explicou.

Quem é

Sueli é natural de Campo Largo, da Ferraria, tem 56 anos, é casada com Fernando Guarnieri, tem uma filha de 18 anos. Filha de família de classe média, ela trabalha desde à adolescência. “Fiz concurso para Agente de Saúde Pública em 1990, depois fiz curso de Auxiliar de Enfermagem e há 22 anos trabalho no Posto de Saúde da Ferraria. “Eu era filiada a um partido, há muito anos, mas nem me lembrava disso mais, não pretendia ser candidata. Há oito anos o prefeito Edson Basso me convidou para me filiar, para ser candidata. Eu disse que não queria, que não pretendia, que não gostava de política. Em 2011, o Carlos Andrade fez uma reunião aqui, e perguntou do povo o que havia de mais necessidade no bairro. O pessoal gritou que o posto precisava de mais atenção e que eu deveria ser a coordenadora do posto, e que eu deveria ser candidata a vereadora. Fiquei até roxa, de vergonha”, disse ela.

Dias depois, Sueli recebeu oficialmente o convite para ser candidata a vereadora, pelo PSB, e não queria aceitar. “Meu marido foi quem me convenceu que, se eu quisesse ajudar o bairro, só sendo vereadora. E eu acabei aceitando”, disse ela.

Três meses antes da eleição, Sueli, desincompatibilizada do serviço, foi para casa. “Fiquei quase um mês em casa, sem saber por onde começar a  campanha. Em Agosto o partido me mandou os santinhos e os cartazes, e eu comecei a sair, de casa em casa, para pedir voto”, explicou.

Teve gente que me procurou para trabalhar pra mim, mas queria ganhar dinheiro, queria gasolina, e eu não tinha (ela ganha pouco mais de R$ 1.000,00 por mês, como funcionária pública). No dia seguinte, via a pessoa com perfurade e adesivo de outro candidato, eu ficava chateada, mas não podia fazer nada, até incentivava a pessoa, dizendo que se ela estava ganhando dinheiro para trabalhar, estava certa, tinha que pegar mesmo”, explica. “Continuei trabalhando, saía às nove da manhã de casa, só voltava à noite, cansada, com os pés em brasa. Uma amiga de Curitiba veio me ajudar, com o carro dela, para irmos nos lugares mais distantes. Ela nunca cobrou nada, nem a gasolina, e às vezes me pagava até o lanche, o almoço”, disse.

Sueli destacou que, do meio para o fim da campanha, começou a ter um pouco de esperança, porque o povo respondia, garantia que ia votar. Ela lembra que ficou impressionada com a ajuda de um companheiro de partido, também candidato, que pediu os seus santinhos para distribuir. “Ele disse que chegava nas casas e o povo pedia os meus santinhos, e ele resolveu levar um pouco, para dar a estas pessoas. Uma atitude muito digna, muito honesta. Ele, o Nezinho, foi um dos mais votados aqui na região, recebeu mais de 300 votos”, disse.

Agora vereadora eleita, Sueli quer fazer o que for possível para melhorar a qualidade de vida da população da região. “Sei que vou trabalhar por toda a cidade, mas a região da Ferraria estará, sempre, em primeiro lugar”, garante.

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