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Lixo reciclável é dinheiro

26/10/2012

Reciclador de lixo mostra o orgulho pelo trabalho que realiza e o bem que ele proporciona para o mundo

Lixo reciclável é dinheiro

26/10/2012

“Lixo é dinheiro. O que tem aqui, a maioria das pessoas acha que é lixo, mas não é. Lixo reciclável é dinheiro”, afirma o reciclador Adriano da Graça, de 48 anos, conhecido por Negão de Lima. Há mais de dez anos ele trabalha com reciclagem em Campo Largo, sendo há um ano no bairro Bom Jesus.

A Prefeitura Municipal despeja no terreno em que Adriano trabalha parte do lixo reciclável recolhido através do Sanetran - Saneamento Ambiental e Transporte de Resíduos. Ele ainda recebe e compra de algumas pessoas ferro, papelão, plásticos, garrafas PET, inox, alumínio, bronze e chumbo. Tudo é reciclado para vender a outras empresas especializadas em produções com uso destes materiais.

Com outros materiais recicláveis, como exemplo o óleo de cozinha, ele ainda aproveita para fazer Solupan, silicone, pretinho, detergente, desinfetante, limpa alumínio, água sanitária, álcool perfumado, amaciante de roupa e shampoo para carro. E Adriano mostra com orgulho a qualidade do seu detergente, que rende e faz mais espuma do que os comprados em mercado e, por isso, tem grande aceitação em hotéis e restaurantes da cidade.

Adriano não tem preguiça de trabalhar. Já exerceu diversas profissões e hoje dedica-se principalmente ao lixo. “Se não tiver pessoas que cuidem do lixo reciclável, daqui a pouco estamos vivendo no meio do lixo. Não vai mais ter aonde colocar. As pessoas têm que entender a importância deste trabalho, parar de ter preconceito, achar ruim. Estou fazendo um bem para o mundo, para as próximas gerações”, enfatiza. Somente neste ano, ele já reciclou mais de 100 toneladas de lixo.

Ele conta que as latas de cerveja e refrigerante viram alumínio e ele consegue vender por R$ 3,00 o quilo. As garrafas PET ele vende por R$ 1,20 o quilo, mas se ele tivesse a prensa - que custa em média R$ 10 mil – ele conseguiria vender a R$ 2,00. Os plásticos coloridos, como os de embalagem de amaciante de roupa, ele vende a R$ 0,80 o quilo, já os plásticos de cor leitosa vende por R$ 1,20 o quilo. As garrafas de vidro da Vinhos Campo Largo, Velho Barreiro e Caninha 51 ele consegue vender a R$ 0,30 a unidade de 1 litro; as demais garrafas de vidro ele vende por R$ 0,10 o quilo.

Para armazenar o lixo reciclável, ele ainda toma muito cuidado para que embalagens não sejam depósito de água parada, para evitar casos de Dengue. Como consegue muito lixo e trabalha sozinho, outras pessoas acabam indo até ele e também fazem a separação para ganho próprio.

Com o dinheiro que arrecada com a reciclagem, Adriano ainda ajuda alguns conhecidos e vizinhos, doando botijão de gás, por exemplo. Mesmo sendo um lugar de depósito de lixo, ele é um exemplo por manter tudo organizado, e uma casinha de madeira montada, que é onde dorme e cozinha, é mantida com muita higiene.

Ajuda

Para melhorar o trabalho de Adriano, ele precisaria construir um barracão, onde hoje ele cobre apenas parte do material com lona. Para isso, a Folha pede, para quem puder ajudar, fazer a doação de telhas a ele, entrando em contato direto com Adriano pelo telefone 9717-1686.


 

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