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?Aborto? da Uva pode causar quebra na safra

18/10/2012

O excesso de frio em Setembro, quando a floração dos parreirais estava em sua plenitude, pode ter causado sérios prejuízos aos viticultores de Campo Largo.

?Aborto? da Uva pode causar quebra na safra

18/10/2012

O excesso de frio em Setembro, quando a floração dos parreirais estava em sua plenitude, pode ter causado sérios prejuízos aos viticultores de Campo Largo. A previsão dos técnicos do escritório regional da Emater é de uma quebra de mais de 10% na produção de Uva, na região. O extensionista da Emater, Dirlei Edson dos Reis, está visitando os pomares do Município e conversando com os produtores para tentar minimizar os prejuízos com a poda e outros cuidados.

Campo Largo tem hoje cerca de 30 produtores de Uva e produz aproximadamente 80 toneladas/ano. A área plantada está em expansão e, se as condições continuarem favoráveis, o Município poderá produzir mais de 100 toneladas, já a partir de 2014. Reis acredita que o prejuízo com o frio, que atingiu principalmente os parreirais nas regiões mais altas, pode ser minimizado com mais atenção e tratos durante a fase de enchimento dos grãos.

Poda

Elmo Fior (60), membro da terceira geração de um dos primeiros produtores de Uva no Município, na região de Colonia Campina, disse que a poda da Minguante de Agosto foi importante porque o parreiral resistiu melhor à baixa temperatura e ao vento gelado de Setembro. Elmo é dono de um parreiral que tem aproximadamente 140 anos, com parreiras tão antigas quanto a emancipação política de Campo Largo. “São parreiras que vieram com os primeiros imigrantes e foram plantadas aqui pelo meu bisavô”, explica ele.

A propriedade de Elmo produz uvas Tercy e Niagara, mais de três toneladas/ano, 90% destinadas à produção de vinho artesanal. Ele ouviu os conselhos do extensionista e explica que fez a poda das ponteiras, para permitir a entrada se sol, essencial para a boa formação dos frutos. Ele acredita que o bom enchimento dos frutos compensa a perda com o frio. “O frio queimou mais as ramas que estavam mais expostas, nas partes mais altas”, disse.

A região de Colônia Campina concentra alguns dos maiores produtores de uva do Município, havendo inclusive a produção de uva orgânica, por um deles. Quase toda a produção é aproveitada para a produção de vinho artesanal, garantindo maior valor agregado ao produto da terra e, consequentemente, maior lucro aos produtores. A região já recebe, anualmente, embora em números ainda pequenos, turistas que vêm exclusivamente para conhecer e degustar o vinho local. Os produtores, aos poucos, estão se adaptando a  esta nova realidade, com a construção de adegas modernas, para produção e comercialização do produto.

História

A migração italiana, que aconteceu no final do Século XIX, trouxe para o Brasil milhares de mudas de parreiras, que foram plantadas nas primeiras terras que os imigrantes receberam do Governo. Milhares de famílias, expulsas do campo italiano após a revolta de 1860/65 e os massacres no Sul da Italia, populações inteiras dizimadas por doenças como Malária, Pelagra e Cólera, que matavam mais de 400 mil pessoas por ano, foram alguns dos motivos da migração em massa, daquele povo para as Américas. O Novo Continente era a esperança de famílias pobres do Velho continente. A travessia do Atlântico era uma grande aventura, naquela época, que durava até dois meses, e muitos morreram durante esta viagem. No Brasil, a primeira leva de imigrantes chegou em um navio à vela vindo de Gênova, o “La Sofia”, no porto de Santa Cruz, em 21 de Fevereiro de 1874. Os imigrantes foram distribuídos, inicialmente, por terras de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde desbravaram as regiões e plantaram as primeiras mudas de Parreiras. Campo Largo foi uma das regiões que recebeu algumas destas primeiras famílias de imigrantes italianos.

Fior, que faz questão que os filhos entendam tudo o que representa a tradição e a história da família, explica que tem uma parreira, dessas mais antigas, que produz anualmente mais de 300 quilos de uva, uma façanha, para um exemplar tão antigo. “E a gente aprende a cada dia, com elas, essa (que produz 300 quilos de uva), a gente sempre jogava cinza, no pé, e descobrimos que, por isso, a uva que ela produz é mais saborosa, mais doce”, explica.

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