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Superação seis meses após o assalto

06/07/2012

Na manhã do dia 03 de fevereiro deste ano, segunda-feira, quando se começava a rotina da semana, a vida de uma família mudou completamente.

Superação seis  meses após o assalto

06/07/2012

Na manhã do dia 03 de fevereiro deste ano, segunda-feira, quando se começava a rotina da semana, a vida de uma família mudou completamente. Foram momentos de insegurança, medo e desespero quando três homens entraram na residência do empresário Luis Eduardo Cequinel (32), um dos proprietários da Pastelaria Cheva. Dudu Cheva, como é conhecido, foi baleado na cabeça quando os assaltantes o levavam como refém.

Desde então foram momentos de muita fé, pois ele corria o risco de perder a vida. Por três meses ele ficou internado no Hospital Nossa Senhora do Rocio e todo dia era uma incerteza sobre seu estado de saúde. Mas ele se mostrou muito forte, com muita vontade de viver e todo o apoio que recebeu de amigos e familiares foi essencial para sua recuperação. Como um milagre, hoje Dudu recuperou toda memória, está recuperando seus movimentos e coordenação motora e fala muito bem, nem mesmo perdeu seu senso de humor. Ele conta que lembra perfeitamente tudo que aconteceu durante o assalto, sofre com toda a violência cometida e fala do medo que sentia de que fizessem algo com suas filhas ou com sua mulher, Alzira.

Dudu admite que tem momentos de fraqueza, porque o tempo parece demorar a passar, já que fica muitas horas do seu dia sentado, sem ter o que fazer. “Eu era muito ativo, acordava cedo para ir trabalhar, conseguia fazer tudo sozinho, e de repente dependo de alguém pra tudo”, lamenta. Ele diz que não vê a hora de voltar a trabalhar; que geralmente as pessoas reclamam do trabalho, mas são nestes momentos que se dá mais valor.

Como o tiro atingiu o cerebelo, comprometeu a coordenação motora e principalmente o equilíbrio dele. Alzira conta que, como é um quadro neurológico, os médicos dizem que o resultado é dia após dia, não é um diagnóstico preciso. Ele já consegue comer e escovar os dentes sozinhos, por exemplo, mas para andar precisa de ajuda, por isso ainda está dependente. A audição e visão também foram prejudicadas; passou a enxergar cerca de 60% apenas e por isso hoje usa óculos, mas não resolve completamente. Diz que para enxergar de longe as imagens parecem atravessadas, duplicadas. “A gente cresce com as dificuldades. Algum dia a gente entende o porquê”, declara.

Mas para se recuperar rápido, como já está acontecendo nestes dois meses que está direto em casa, Dudu é persistente e motivado. Todos os dias faz alguma terapia – fisioterapia, hidroterapia ou equoterapia, as quais se complementam para um melhor resultado. Além disso, ainda faz acompanhamento com psicólogo e nutricionista. “Mudou nossa vida completamente. Tínhamos uma vida tranquila. As despesas com tratamento são altas”, diz.

Alzira está se mostrando muito forte, uma grande mulher. Antes ela apenas ajudava na pastelaria e, após o ocorrido, ela precisou administrar e conciliar tudo - trabalho, família, casa, tratamento. Acorda cedo todos os dias para trabalhar, precisa resolver todos os problemas sem passar preocupação para o Dudu, cuidar das duas filhas, levá-las para a escola, levar o marido aos tratamentos, mercado, entre diversas outras funções.

Dudu ainda tem um pouco de vergonha de sair de casa, porque as pessoas ficam olhando, algumas apontando. Ele entende que muitas pessoas estranham ao vê-lo e ficam curiosas, mas é algo que ainda não o deixa à vontade.

O senso de humor de Dudu continua ótimo, brinca o tempo todo e até tira sarro dele mesmo. Todos consideram importante este jeito dele agir, para que não se entregue a tudo que aconteceu e acabe se deprimindo; desta maneira sua recuperação se torna mais rápida e fácil de ser trabalhada. Ele sabe que tem muitas pessoas que acabam brigando com quem está ajudando e ele procura fazer ao contrário e valorizar todos que estão ao seu redor. Quanto à dedicação de sua esposa, ele brinca que ela queria tanto um menino [filho] e “agora está aqui pra ela cuidar”.

Quando acontece alguma tragédia na vida, isso serve para uma reflexão, para ver a vida de outra maneira. Ele diz que aprendeu a dar mais valor às pessoas portadoras de necessidades especiais, a dar mais importância à acessibilidade. No período que precisou usar cadeira de rodas viu a dificuldade que essas pessoas enfrentam.

Familiares e amigos se aproximaram ainda mais dele, até aqueles que eram mais distantes. Todos deram muito apoio e continuam muito presentes, querendo ajudar no que for preciso. Dois tios passaram a ajudar na pastelaria, que é o único sustento da família. Até pessoas que ele não conhecia iam visitá-lo, se preocupavam com sua recuperação.

Ele agradece muito tudo o que têm feito por ele, as manifestações de carinho e de fé, os grupos de orações, o apoio indispensável da sua família que o acompanha todos os dias. Isso o motiva ainda mais a melhorar, de continuar se esforçando para em breve estar completamente recuperado e de volta às suas atividades normais.
 

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