Saúde

HIWM passa a contar com tecnologia inédita de monitoramento neurológico em recém-nascidos na UTI

HIWM passa a contar com tecnologia inédita de  monitoramento neurológico em recém-nascidos na UTI

O Hospital Infantil Waldemar Monastier (HIWM), em Campo Largo, passou a integrar a rede de hospitais paranaenses que contam com a tecnologia de UTI Neonatal Neurológica, voltada ao monitoramento cerebral contínuo de recém-nascidos de alto risco. A iniciativa faz parte de um projeto da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) e já foi implantada inicialmente no Hospital Regional do Sudoeste Walter Alberto Pecóits, em Francisco Beltrão. Além do HIWM, o Hospital Regional do Norte Pioneiro também recebeu o sistema.
Com a nova estrutura, bebês internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) poderão ter a atividade cerebral acompanhada em tempo real por meio de monitores, câmeras e uma equipe especializada disponível 24 horas por dia. O objetivo é identificar precocemente alterações neurológicas e crises convulsivas, inclusive aquelas que não apresentam sinais clínicos aparentes.
Segundo a Sesa, os equipamentos fazem parte da solução UTI Neon, desenvolvida em parceria com a empresa Protecting Brains & Saving Futures, referência internacional em proteção e promoção da saúde cerebral de recém-nascidos de alto risco. 
A diretora do Hospital Infantil Waldemar Monastier, Karina Chiquiti, explicou à Folha de Campo Largo que a tecnologia não substitui o tratamento intensivo já realizado na UTI, mas acrescenta uma camada de vigilância neurológica capaz de antecipar diagnósticos e orientar decisões médicas. “Ele não é uma parte de tratamento, como o oxigênio, por exemplo. É uma ferramenta de diagnóstico precoce que vai ajudar a evitar que a criança saia da UTI com sequelas neurológicas ou, pelo menos, reduzir essas sequelas”, afirmou.
O sistema é destinado principalmente a prematuros extremos, recém-nascidos que sofreram asfixia perinatal, que acontece quando há falta de oxigenação durante o parto, bebês com cardiopatias congênitas e outras condições clínicas graves associadas a maior risco de lesão cerebral.
De acordo com a diretora, muitos desses pacientes apresentam alterações cerebrais silenciosas, difíceis de identificar apenas pela observação clínica. “A criança é muito pequena, muito prematura, e muitas vezes não apresenta nenhum sintoma evidente. A gente só vai descobrindo as consequências depois, durante o desenvolvimento. O equipamento permite enxergar o que está acontecendo dentro do cérebro enquanto o bebê ainda está internado”, explicou.

Como funciona a tecnologia
Os recém-nascidos selecionados para o monitoramento recebem eletrodos posicionados na cabeça para captação da atividade cerebral. Câmeras registram continuamente o bebê e os procedimentos realizados pela equipe assistencial, permitindo que os especialistas correlacionem movimentos, manipulações e sinais neurológicos observados nos monitores.
A equipe remota, localizada em uma clínica especializada em neurologia neonatal em São Paulo, acompanha os exames em tempo integral e mantém contato permanente com os profissionais do hospital por telefone e grupos de comunicação. “Antes de colocar qualquer paciente, todos os dados são enviados para avaliação, então não são todos os bebês que precisam desse monitoramento. A triagem precisa ser feita o mais rápido possível, porque o momento da intervenção faz diferença”, disse Karina.
O monitoramento inicial costuma ocorrer durante 24 horas, período considerado crítico para detectar crises convulsivas e outras alterações neurológicas recorrentes em prematuros e bebês com sofrimento cerebral. “Muitas dessas crises acontecem várias vezes ao dia e não conseguimos perceber apenas olhando o paciente. Com o equipamento, conseguimos identificar exatamente quando elas ocorrem e iniciar a medicação correta somente quando realmente é necessária”, afirmou a diretora.
Menos sequelas e decisões mais precisas
Um dos principais benefícios esperados é a redução de sequelas neurológicas graves associadas à prematuridade extrema e à falta de oxigênio no nascimento. Karina citou que lesões cerebrais podem resultar, entre outras consequências, em dificuldades motoras, problemas de alimentação, necessidade prolongada de sondas e quadros de paralisia cerebral.
“Agora a gente não depende apenas do nosso olhar. É o olhar de muitos profissionais, somado à tecnologia. Isso traz segurança para a equipe e para as famílias, porque decisões tomadas nas primeiras horas de vida podem ter impacto para o resto da vida da criança”, destacou.
O equipamento chegou ao hospital há aproximadamente duas semanas, após treinamentos realizados com as equipes assistenciais. Segundo a diretora, a implantação ocorreu de forma rápida depois das primeiras reuniões sobre o projeto, iniciadas no começo do ano.
“Estamos falando de uma tecnologia que, até pouco tempo atrás, parecia restrita aos grandes centros privados e que agora está disponível na saúde pública. Diminuir sequelas significa diminuir reinternações, procedimentos cirúrgicos e tratamentos ao longo da vida. Isso muda completamente a realidade da pediatria e do cuidado neonatal”, disse.

Demanda crescente por neurologia infantil
A diretora destacou ainda que a demanda por atendimento neurológico pediátrico tem aumentado significativamente nos últimos anos. Atualmente, o HIWM conta com atendimento presencial de neurologia três vezes por semana, totalizando cerca de 60 consultas semanais, mas ainda há fila de espera de crianças encaminhadas por diversos municípios do Paraná.
“A neurologia é uma das áreas com maior gargalo assistencial hoje. Ter uma equipe especializada disponível 24 horas para apoiar as decisões da UTI neonatal otimiza o trabalho do hospital inteiro”, explicou.
Com a implantação da tecnologia, recém-nascidos com diagnóstico de hipóxia neonatal, prematuridade extrema ou outras condições de alto risco neurológico passarão a ter prioridade na regulação de leitos para os três hospitais habilitados. “O correto é que esses bebês sejam encaminhados para centros que tenham essa monitorização. Pela regulação estadual, eles passam a ter prioridade para ocupar os leitos especializados”, explicou Karina.
A distribuição entre os hospitais seguirá critérios de regionalização, encaminhando o paciente para a unidade habilitada mais próxima.
Embora o sistema tenha sido implantado recentemente, a expectativa da direção é de uso contínuo. A avaliação é de que a procura pela tecnologia aumentará à medida que as equipes médicas e as famílias conheçam os benefícios do monitoramento neurológico precoce.
“Tenho certeza de que esses equipamentos não ficarão um dia sem serem utilizados. O desafio será qualificar cada encaminhamento para garantir que a tecnologia chegue aos bebês que realmente precisam dela. Quem ganha com isso são as crianças, pois daqui a alguns anos, vamos colher os frutos desse investimento e entender quantas vidas tiveram um desenvolvimento melhor porque conseguimos agir mais cedo”, concluiu Karina Chiquiti.

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