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Associação fortalece atuação das Crocheteiras de Campo Largo e amplia impacto social no município

Associação fortalece atuação das Crocheteiras de Campo Largo e amplia impacto social no município


O que começou como um pequeno encontro entre amigas para crochetar transformou-se em um dos maiores projetos voluntários de Campo Largo. Com mais de 150 mulheres envolvidas e milhares de peças doadas desde sua criação, as Crocheteiras de Campo Largo agora iniciam uma nova etapa de sua história com a formalização da associação, medida que amplia as possibilidades de parcerias, organização e expansão das ações sociais desenvolvidas pelo grupo.
Criado pouco antes das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, o projeto nasceu da iniciativa da professora de crochê Anielle Lima Neri e de sua aluna Beatriz Zanetti. O que começou com apenas cinco participantes cresceu rapidamente, impulsionado pela mobilização para confeccionar mantas, toucas, roupas de bebê e cachecóis destinados às famílias gaúchas afetadas pela tragédia e, desde então, o grupo não parou mais.
Após essa primeira grande campanha, o trabalho passou a atender continuamente instituições de saúde, especialmente o Hospital Infantil Waldemar Monastier e pacientes em tratamento oncológico, consolidando uma rede de solidariedade que já produziu mais de quatro mil peças.
Segundo Anielle Lima Neri, a formalização representa a concretização de um sonho construído ao longo do crescimento do projeto. “Foi um sonho que nasceu junto com o crescimento do projeto. Deus abriu as portas e entendemos que era hora de dar esse passo. A associação representa mais oportunidades, mais credibilidade e a certeza de que podemos alcançar ainda mais vidas e buscar assistência para manter o projeto.” Ela ressalta que o objetivo vai além das doações de peças. “Temos certeza de que, além de vidas para serem aquecidas, ainda existem muitas mulheres campolarguenses que precisam de um projeto como este, que já é um refúgio e pode ser para muitas outras.”
Para Beatriz Zanetti, a criação da entidade foi uma consequência natural da evolução do grupo. “A formalização da associação foi um passo natural diante do crescimento do grupo e do impacto que nosso trabalho vem gerando na comunidade. Mais do que conquistar um CNPJ, essa conquista representa o reconhecimento de um projeto construído com amor, voluntariado e união. Hoje temos mais estrutura para firmar parcerias, ampliar nossas ações e desenvolver projetos que beneficiem ainda mais pessoas.”

Estrutura para crescer
Embora o grupo já contasse com uma equipe responsável pela organização das atividades, a oficialização fortalece essa estrutura e cria novas possibilidades de atuação. “Já tínhamos nossa equipe administrativa funcionando com organização e agora ela apenas foi oficializada. Nosso desejo é ampliar as ações, levar o crochê para mais pessoas em vários âmbitos, seja acolhendo mulheres, aquecendo vidas, levando a cultura do crochê e continuando a transformar vidas através dos fios”, explica Anielle.
Beatriz destaca que a associação também permitirá desenvolver novos projetos voltados às próprias participantes. “A associação trouxe organização, credibilidade e novas oportunidades. Nosso objetivo é fortalecer as ações sociais, ampliar as doações, oferecer capacitações, incentivar o empreendedorismo feminino e valorizar o crochê como ferramenta de inclusão, geração de renda, saúde emocional e transformação social”, pontua.
Segundo as coordenadoras, a formalização tornará o ingresso das novas participantes mais organizado, sem alterar a essência acolhedora do grupo. Elas ressaltam que as portas seguem abertas para quem deseja aprender, compartilhar e fazer parte da associação, que enxergam como uma família. Um dos pontos abordados é a possibilidade de, agora com a associação, trazer outros benefícios para as participantes, principalmente ligados à saúde física e mental.
Mil peças entregues em um único mês
Entre as principais frentes de atuação está o atendimento aos hospitais realizado pelas crocheteiras. Anielle e Beatriz ressaltam que somando as três últimas entregas nas ações realizadas recentemente foram entregues mais de mil peças destinadas ao Hospital Infantil Waldemar Monastier, entre mantas para recém-nascidos, roupas infantis, toucas e cachecóis para crianças e adultos. “Essa parceria com o Hospital Infantil nunca para e sempre é emocionante. Ver o carinho com que as famílias recebem cada doação nos lembra que, muitas vezes, um simples gesto é capaz de aquecer o coração de quem mais precisa. Para nós, é a confirmação de que Deus nos deixou essa missão”, relata Anielle.
Além das entregas ao Hospital Infantil, o grupo também distribuiu mais de 120 mantas destinadas a pacientes oncológicos do Hospital São Lucas e moradores de casas de repouso. “Cada peça representa muito mais do que um trabalho artesanal. É um abraço, um gesto de acolhimento e a certeza de que pequenos atos de amor podem transformar momentos difíceis”, afirma Beatriz.

Novas parcerias
Com personalidade jurídica, a associação pretende ampliar o relacionamento com empresas, entidades e apoiadores. “Quem desejar contribuir pode doar materiais, apoiar nossos projetos ou entrar em contato pelas nossas redes sociais, pois toda ajuda faz a diferença. Estamos abertos a propostas que estejam no mesmo propósito”, destaca Anielle.
Beatriz reforça que toda forma de colaboração é importante para garantir a continuidade das atividades. “Toda colaboração é bem-vinda, seja por meio de doações de materiais, apoio a projetos, patrocínios ou trabalho voluntário. Nosso propósito é seguir crescendo para que cada vez mais pessoas sejam beneficiadas pelas ações das Crocheteiras de Campo Largo.”
Outro projeto que permanece nos planos da entidade é levar os encontros para comunidades mais afastadas da região central de Campo Largo. “Esse sonho continua vivo e queremos levar o crochê, o acolhimento e a oportunidade para mais bairros e comunidades. Com apoio de parceiros e voluntários, acreditamos que esse projeto pode alcançar ainda mais pessoas, pois já existem grupos de mulheres esperando”, afirma Anielle.
Para as coordenadoras, o principal legado da associação está nas transformações promovidas entre as próprias participantes. “Acreditamos que o crochê vai muito além dos fios e agulhas. Ele une pessoas, fortalece vínculos, resgata autoestima, promove inclusão e aquece vidas, tanto de quem recebe quanto de quem doa. É esse propósito que nos move diariamente e que queremos continuar levando para toda a nossa comunidade”, ressalta Beatriz.
Ao olhar para a trajetória do projeto, Anielle faz questão de dividir o mérito com todas as voluntárias que ajudaram a construir essa história. “Quero agradecer a Deus por me permitir viver tudo isso. Também agradeço à minha companheira Beatriz, que se tornou uma irmã, e a cada voluntária, parceiro e apoiador que acredita nesse sonho. Nada disso seria possível sozinha. Cada ponto feito pelas nossas crocheteiras leva amor, esperança e cuidado para alguém. Esse sempre será o verdadeiro propósito da nossa associação”, finaliza.

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