Opinião

A candidatura que fará falta ao debate

A candidatura que fará falta ao debate

A decisão do governador Carlos Massa Ratinho Junior de retirar seu nome da corrida presidencial e concluir seu mandato no Paraná até dezembro deste ano é, antes de tudo, uma escolha que merece respeito. Quando uma decisão dessa magnitude passa por reflexão familiar, ela deixa de ser apenas política e passa também a ser humana. Em tempos em que tantos cargos são tratados como um salto para algo maior, é compreensível que alguém opte por preservar compromissos pessoais e institucionais já assumidos.
Ainda assim, é impossível ignorar que, ao sair dessa discussão nacional, quem perde é o Brasil. Perde o eleitor brasileiro, que deixará de ter à disposição, no debate presidencial, um nome que reúne características cada vez mais raras na vida pública, como a capacidade de gestão, responsabilidade fiscal, foco em resultado e compromisso com políticas públicas concretas, como o governador deixou transparecer ao longo do seu governo, que chega a 85% de aprovação. 
O país vive, há anos, uma fadiga política marcada pela repetição de embates entre polos já conhecidos, como se o futuro nacional estivesse condicionado à lógica de “combater o grupo A ou o grupo B”. O Brasil precisa de mais do que isso. Precisa de líderes capazes de pensar o desenvolvimento, modernizar o Estado, reduzir entraves e usar o poder público para melhorar a vida das pessoas. Os números e os resultados acumulados no Paraná ajudam a explicar por que seu nome ganhou densidade nacional. Sob sua gestão, o Estado consolidou indicadores expressivos em áreas estratégicas, como educação, segurança pública, sustentabilidade e infraestrutura, além de manter uma cultura administrativa voltada à eficiência. Não se trata apenas de popularidade, embora seus índices de aprovação sejam altos, mas de um modelo de governo que conseguiu combinar investimento público, planejamento e previsibilidade, três elementos que faltam, com frequência, ao ambiente nacional.
A última semana, inclusive, foi emblemática ao mostrar, na prática, o tipo de visão administrativa que poderia ter repercussão muito maior se aplicada ao país. Na saúde, o Governo do Paraná anunciou um pacote de R$ 1,1 bilhão em investimentos, com medidas que vão desde a ampliação do Opera Paraná, com aporte histórico de R$ 650 milhões para cirurgias eletivas, até a expansão do Teste do Pezinho para 51 doenças, a oferta inédita de ultrassom morfológico pelo SUS para todas as gestantes, entre outras iniciativas. São ações que atacam gargalos reais da população e demonstram um princípio administrativo fundamental.
Na infraestrutura e no planejamento, o mesmo raciocínio se repete, quando apresentou um conjunto de projetos em áreas como mobilidade, desenvolvimento urbano, logística, saúde e segurança pública, inclusive a pavimentação de trechos estratégicos como a Estrada do Cerne, em Campo Largo. Somam-se a isso iniciativas estruturantes como o avanço da Ponte de Guaratuba, uma das obras mais simbólicas do Paraná, que entra em sua fase final com investimento superior a R$ 400 milhões.  É justamente essa combinação entre visão estratégica e capacidade de entrega que faz falta ao Brasil. A sensação que fica para nós, paranaenses neste primeiro momento, é que perdemos a oportunidade de escolher nas urnas um líder que já demonstrou, na prática, que governar bem ainda é possível.

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