Sexta-feira | 30 de Julho de 2021 08:08
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Nariz Solidário cresceu 2000% durante a pandemia inovando em levar alegria a pacientes e profissionais da Saúde

Na quinta-feira (08) foi comemorado o Dia Mundial da Alegria. Que desafio grandioso é fazer sorrir em meio a tantos momentos difíceis que a população tem passado.

Na quinta-feira (08) foi comemorado o Dia Mundial da Alegria. Que desafio grandioso é fazer sorrir em meio a tantos momentos difíceis que a população tem passado. Porém, este obstáculo não parou o grupo Nariz Solidário, que leva a palhaçaria a sério e não parou de inovar e conseguir meios para executar a missão de levar alegria e alento para quem precisa, dentro dos hospitais.

O Nariz Solidário tem como lema a palhaçaria para humanização de ambientes e pessoas, o que realiza desde novembro de 2014. Antes da pandemia, fazia intervenções no Hospital Infantil Waldemar Monastier e em mais três hospitais de Curitiba, conforme conta o coordenador geral da ONG, Eduardo Roosevelt. “Temos hoje cerca de 60 voluntários, que se dividem em elenco e áreas administrativas, com participação de pessoas de vários estados e até países. Ainda temos as oficinas artísticas para professores, empresas e demais profissionais, levando sempre a empatia e o melhoramento das relações.”

A pandemia trouxe muitos desafios para os grupos de voluntários, pois existem protocolos de segurança a serem seguidos, e como Eduardo reforça, embora os voluntários contribuam muito para um ambiente mais alegre, com a Covid-19 “precisou ficar somente os profissionais de Saúde atuando ali; não poderiam ser colocadas em risco pessoas saudáveis”. Assim, o Nariz Solidário se manteve presente nestas instituições neste momento por meio de outras formas. Com o vídeo, foi possível “entrar” e acalmar pacientes em salas de espera de cirurgia, um local onde presencialmente não é possível entrar.

“Nós fomos um dos primeiros grupos do Brasil a levar o palhaço para a live, que criou encontros online, criamos a Covidina – que é um manequim que no lugar da cabeça tem um tablet e passa fazendo visitas em Curitiba e não deu para ser implantado em Campo Largo por causa da internet – e também os vídeos, que fazem parte do projeto ‘De Nariz para Nariz’”, explica.

Por isso, estudar sobre roteiros, formas de abordagem e elaboração de conteúdos é extremamente importante. “Isso reforça a importância da profissionalização. Durante a pandemia nós crescemos 2.000%, pois hoje as causas que estão mais estruturadas conseguem receber mais recursos e nos oportunizam fazer novos projetos e explorar ideias para nos aproximar de profissionais, pacientes e familiares, sem, neste caso de pandemia viral, estar propriamente presente. Neste meio que vivemos, a Arte também faz parte da Saúde”, explica.

Eduardo comenta que os vídeos, por exemplo, são feitos via Lei de Incentivo e abordam temas que colaboram para um ambiente saudável e de conscientização, além de vídeos mais lúdicos. “No HIWM nós temos um trabalho bem forte com os vídeos por meio de pendrives. Todos os leitos recebem estes vídeos novos, que são aproximadamente 30. Então, passa seis vídeos nossos na televisão do hospital e vem um filme. O palhaço é itinerante, ele passa, então colocamos como se fossem comerciais”, diz.

Os vídeos são gravados na sede, que fica em Curitiba, com os voluntários que fazem parte do grupo, mais de 100 vídeos, o que leva o dia todo. A equipe precisou aprender a roteirizar – que leva em consideração o que o hospital precisa que seja evidenciado também, como “Semana de Higienização das Mãos”, por exemplo -, trabalhar com recursos limitados, readequação de materiais e adaptação da linguagem do palhaço para o formato.

Preocupação com técnicas e a saúde mental
Além disso, os voluntários continuam recebendo treinamentos, especialmente por conta da Covidina, o manequim com cabeça de tablet e que faz chamadas em vídeo com os pacientes e profissionais da saúde, acompanhado por uma psicóloga hospitalar. Embora tenham algumas mudanças na maneira de conduzir os trabalhos, a espontaneidade do palhaço se mantém, também por conta disto.

“Nós sentimos muita falta do presencial, porque fazer o palhaço de casa tem outras questões também, como um cômodo específico para isso, equipamentos, pessoas que não se sentem bem em estar vestidas de palhaço perto de outras famílias, o estado de espírito, as interferências externas, muita coisa. Nós passamos pelo processo do palhaço aceitar e conseguir usar essas interferências durante o momento que estamos atuando”, comenta.
Há uma preocupação também com a saúde destes voluntários do Nariz Solidário, que quinzenalmente têm acompanhamento psicológico por conta das situações, que mesmo a distância, presenciam mesmo remotamente. “Existe muita amizade no grupo também, eles fazem um registro de cada história, o que nos permite dar esse suporte de amigo para amigo também”, diz.

Eduardo comenta que fora dos hospitais existe a possibilidade de trabalhar a prevenção das doenças, melhorando a qualidade da gestão das instituições, o que cresceu muito durante o período da pandemia. Os fóruns acontecem a cada seis meses, chamado Encontro Nacional para Liderança de Grupos de Palhaços voltado para Voluntários, o que é diferente do profissional artístico, apresentando case e realizando participações.

Transformando objetos em personagens
 O Nariz Solidário criou uma série de 11 personagens que se tornaram jogos adaptados para serem jogados nas camas de hospitais, com objetos usados na Medicina ou situações do hospital. “Eles estão presentes em nossas redes sociais, nos produtos e em vários cartazes. É um estetoscópio que vira um mágico, um otoscópio que vira borboleta, uma máscara que vira paraquedas, tudo muito lúdico e com uma personalidade bem desenhada para atender crianças, adultos, profissionais e familiares”, diz.

Se quiser conhecer mais sobre estes personagens, acesse as redes sociais Instagram @narizsolidario e no Facebook.com/narizsolidario. Acesse www.narizsolidario.org e conheça mais do trabalho.