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Educação Municipal promove campanha por uma infância longe do excesso de telas

A intenção é falar abertamente sobre os prejuízos do uso em excesso das telas, o que deve ser feito de maneira consciente e supervisionada

Educação Municipal promove campanha por uma infância longe do excesso de telas

“Chegou um momento em que nossas nutricionistas estavam nas instituições acompanhando crianças de um ano e meio ou dois anos que simplesmente não conseguiam comer sem estar olhando para uma tela. Tivemos que fazer um verdadeiro desmame de telas”, é o que conta o secretário municipal de Educação, Bruno Cézar Cruz, em entrevista à Folha. A situação motivou a intensificação neste segundo semestre das ações da campanha “Limite as telas. Liberte seu filho”, um movimento de conscientização da Prefeitura de Campo Largo, que busca incentivar o uso equilibrado de celulares, tablets, computadores e televisores durante a infância. 
A proposta vai além de orientar sobre o tempo de exposição às telas, mas pretende fortalecer a convivência familiar, estimular brincadeiras, incentivar a leitura e promover experiências presenciais capazes de contribuir para o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo das crianças.
Lançada em maio, a campanha envolve escolas, Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), professores, estudantes, famílias e até mesmo igrejas em uma série de ações educativas que seguirão até dezembro. Entre elas estão blitze educativas, rodas de conversa, encontros com pais, distribuição de materiais informativos e atividades pedagógicas desenvolvidas dentro das unidades de ensino.
Em entrevista, o secretário explicou que a iniciativa surgiu a partir de uma preocupação crescente observada pela equipe da Secretaria. “Se a gente não fizer alguma coisa diferente, corre o risco de estagnar a aprendizagem da nossa rede. Começamos a perceber que as telas têm sido uma dificuldade muito grande, com crianças apresentando problemas de relacionamento, irritabilidade, comportamento agressivo e dificuldades de aprendizagem.”
Relembrou ainda que um dos fatores que motivaram a criação da campanha foi uma realidade observada nos próprios CMEIs e cita o exemplo do relato de nutricionistas da rede precisaram acompanhar crianças muito pequenas que se recusavam a se alimentar sem um celular à frente. 

Campanha aposta na conscientização, não na proibição
Embora trate dos prejuízos causados pelo excesso de tempo diante das telas, a campanha deixa claro que seu objetivo não é “demonizar” a tecnologia, visto que o próprio material distribuído pela Secretaria destaca que a proposta é incentivar o equilíbrio e o uso consciente dos dispositivos eletrônicos. “Nosso objetivo não é proibir a tecnologia, mas incentivar o equilíbrio e o uso consciente. Pais e responsáveis sem celular podem ser pais e mães mais presentes. É nas pequenas conquistas e dificuldades do dia a dia que os filhos aprendem junto com a família”, destaca.
O material também incentiva atitudes como conversar durante as refeições, brincar ao ar livre, ler histórias, realizar atividades em família e estabelecer momentos livres de aparelhos eletrônicos. Para levar essa iniciativa mais diretamente para a sociedade, uma das principais frentes da campanha são as blitze educativas realizadas em diferentes regiões de Campo Largo.
Somente em uma ação realizada, equipes da Secretaria de Educação abordaram mais de 300 veículos em três pontos estratégicos do município. Durante aproximadamente uma hora em cada local, servidores distribuíram folders informativos e conversaram com motoristas e pedestres sobre os impactos do uso excessivo das telas na infância.
As próximas ações já têm datas definidas e acontecerão no City Center Outlet Premium, no dia 17 de julho, e no calçadão da Rua XV de Novembro, em 06 de agosto. A previsão é de que outros locais de grande circulação também recebam a campanha ao longo do segundo semestre.

Escola e família dividem a responsabilidade
A campanha parte do princípio de que a mudança de hábitos depende da participação conjunta da escola e da família. Por isso, além das atividades realizadas em sala de aula, a Secretaria promoverá encontros com pais e responsáveis para discutir estratégias que possam ser aplicadas dentro de casa.
Um dos principais instrumentos será o chamado “Combinado Familiar”, um desafio que propõe que cada família estabeleça regras claras para o uso dos dispositivos eletrônicos, o que deve ser construído em conjunto com a criança.
Entre as orientações repassadas às famílias estão atitudes simples que podem reduzir o impacto do uso excessivo das telas. A campanha recomenda evitar celulares e televisão entre uma e duas horas antes de dormir, não utilizar aparelhos durante as refeições e criar momentos diários dedicados exclusivamente à convivência familiar.
Segundo o material educativo, deixar as telas de lado permite que a criança fortaleça vínculos afetivos, desenvolva a criatividade, aprimore a linguagem, construa memórias e estimule o movimento corporal.
A primeira etapa da campanha será concluída em dezembro com um encontro no Parque Newton Puppi. A programação reunirá estudantes, professores e famílias em um dia voltado às brincadeiras tradicionais, atividades esportivas, recreação e exposição dos trabalhos produzidos pelas escolas durante a campanha.
Segundo a Secretaria de Educação, o objetivo é celebrar a construção coletiva de novos hábitos e reforçar que o desenvolvimento saudável das crianças depende da parceria entre escola e família.  “A gente está dizendo aos pais para reduzirem o tempo de tela, mas também está mostrando alternativas. Queremos ocupar esse tempo com leitura, brincadeiras, conversa e convivência. É isso que ajuda a construir uma infância mais saudável”, finaliza.


Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria
A campanha também reforça as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre o tempo adequado de exposição às telas. As orientações são de que até 02 anos nenhuma exposição às telas; de 2 a 5 anos: até uma hora por dia, sempre com supervisão; de 6 a 10 anos: entre uma e duas horas diárias e de 11 a 18 anos: entre duas e três horas por dia, evitando principalmente o uso no período noturno.

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