Moradores de diferentes regiões de Campo Largo relatam enfrentar problemas frequentes no abastecimento de água há meses. Interrupções constantes no fornecimento, baixa pressão na rede, oscilações no abastecimento e falta de comunicação prévia por parte da Sanepar estão entre as principais reclamações encaminhadas à Redação nesta segunda-feira (11), por meio das redes sociais e WhatsApp do jornal.
Ao todo, foram registrados 91 relatos de moradores distribuídos em 39 bairros e localidades do município ligados especificamente à falta recorrente de água, ou seja, casos que já vinham acontecendo anteriormente e que não estão relacionados apenas ao rompimento da adutora registrado neste fim de semana.
Os relatos abrangem desde a região central até bairros mais afastados da cidade e apontam que, em muitos casos, os transtornos acontecem de forma recorrente, principalmente aos finais de semana. Entre os locais com maior número de reclamações aparecem Jardim Esmeralda e Francisco Gorski, ambos com nove registros, seguidos por Bom Jesus e Águas Claras, com sete relatos cada. Também aparecem entre os bairros mais citados o Centro e Ferrari, ambos com cinco registros.
Os leitores que conversaram com a Folha relatam que a falta de água tem impactado diretamente a rotina das famílias, dificultando atividades básicas do dia a dia, como lavar roupas, cozinhar, limpar a casa e até manter reservatórios abastecidos. Em diversos casos, os relatos apontam que o abastecimento costuma ser interrompido aos sábados e retomado apenas no domingo ou na segunda-feira.
Outra queixa recorrente é a baixa pressão da água, especialmente em imóveis localizados em áreas mais altas, impedindo que a água consiga chegar até as caixas d’água das residências. Também há reclamações sobre oscilações frequentes no fornecimento, com momentos em que a água retorna parcialmente, volta a faltar e depois é restabelecida novamente.
Muitos afirmam que já entraram em contato diversas vezes com a Sanepar em busca de solução definitiva para os problemas, mas relatam que as ocorrências continuam acontecendo com frequência. Segundo os relatos enviados à reportagem, equipes técnicas chegaram a visitar alguns pontos, porém sem resolver integralmente as falhas apontadas pela população.
Prejuízo real para a família
Um dos relatos mais detalhados recebidos pela reportagem é de um morador da Vila Bancária. Segundo ele, a frequência das interrupções no abastecimento em 2026 fez com que passasse a registrar as datas e os protocolos de atendimento relacionados às faltas de água em sua residência. “Eu comecei a anotar os períodos de falta d’água esse ano devido à frequência do problema e houve interrupção no abastecimento no dia 19 de fevereiro, no dia 09 de março e novamente no dia 10 de maio.”
Ele afirma que, na maioria das vezes, a normalização do abastecimento acontece apenas no dia seguinte. “No dia 19 de fevereiro, por exemplo, a água faltou no final da tarde e voltou apenas na manhã do dia 20. A Sanepar nunca informou sobre a falta. A gente acabava descobrindo quando a máquina de lavar parava de funcionar”, relatou.
O morador afirma ainda que frequentemente busca informações por meio do WhatsApp e do atendimento virtual da companhia para tentar descobrir previsão de retorno do abastecimento. Segundo ele, outro problema enfrentado pelos moradores acontece quando a água volta para a rede. “Quando retorna, a tubulação vem com muito ar e acabamos pagando por ar ao invés de água”, afirmou.
Relata ainda que as oscilações frequentes no fornecimento podem ter causado prejuízo financeiro à família. Segundo ele, a máquina de lavar roupas da residência apresentou problemas após as constantes variações de pressão na rede. “Nossa máquina de lavar queimou e o técnico informou que foi justamente a peça que controla a entrada d’água. Devido ao vai e vem de pressão, ou seja falta água, volta água, a peça queimou”, contou. Apesar disso, ele afirma que não buscou ressarcimento, visto que tanto ele, como a esposa, trabalham muito e não conseguiram encontrar tempo para isso.
Ruas com mais problemas
No Jardim Esmeralda, bairro com maior número de registros, as reclamações se concentram nas Ruas João Paulo II, Tocantins, Campo Grande e Joaquim Celestino Ferreira. Há relatos de moradores afirmando que o problema acontece há meses e que finais de semana sem abastecimento já se tornaram rotina.
No bairro Francisco Gorski, os registros foram feitos nas Ruas Chile, Guatemala, Irã e Nigéria, além da Avenida Canadá e da Avenida Portugal. Já no Bom Jesus, moradores das Ruas Américo Zanlorenzi, Francisco Alves Mendes, Martha Spramovski, Dom Rodrigo e da região do Residencial Denise relatam problemas frequentes no fornecimento.
Em Águas Claras, a Rua Manoel Batista Diniz concentrou quatro reclamações diferentes sobre falta de água e baixa pressão. Também houve registros nas Ruas José de Paiva Vidal e Carlos Benato.
Além dessas regiões, a reportagem recebeu reclamações em bairros e localidades como Santa Rita, Jardim Habitalar, Vila Bancária, Cristo Rei, Santa Terezinha, Itaboa, Jardim Bela Vista, Itaqui de Cima, Salgadinho, Rivabem, Rondinha, Jardim Tropical, Miquelleto, Botiatuva, Fazendinha, Vila Elizabeth, Jardim Padre José de Anchieta, Jardim Três Rios, São Vicente, Cercadinho, Ouro Verde, Jardim Social, Nova Trento, Moradias Bom Jesus, Loteamento Yara, Jardim Carmela, São Marcos, Itaqui e Colônia Antônio Rebouças/Ferraria.
Interrupção afetou escolas e suspendeu aulas
Além das reclamações recorrentes recebidas pela reportagem, o município também enfrentou nesta segunda-feira (11) um problema pontual no abastecimento causado pelo rompimento de uma adutora de grande porte da Sanepar.
A situação provocou a suspensão das aulas nos períodos da tarde e da noite em sete colégios das redes municipal e estadual de ensino. De acordo com a Prefeitura de Campo Largo, as aulas da rede municipal foram dispensadas na tarde desta segunda-feira, com exceção dos alunos do período integral e das unidades localizadas no interior do município.
Em nota oficial, a Prefeitura informou que as aulas retornariam normalmente nesta terça-feira (12), a partir do período da manhã.
O Núcleo Regional de Educação (NRE) também suspendeu as atividades nos colégios estaduais Cívico-Militar Djalma Marinho, São Pedro e São Paulo, Professora Albina Novak Muginoski, Desembargador Clotario Portugal, CEEBJA Professor Domingos Cavalli, Cívico-Militar Macedo Soares e Júlio Nerone. Segundo o NRE, o dia letivo suspenso deverá ser reposto ainda neste trimestre.
Conforme informado pela Sanepar, o abastecimento foi interrompido temporariamente para o conserto de uma adutora de grande porte, com tubulação de 600 milímetros, responsável pelo transporte de água tratada da Estação de Tratamento Rio Verde para Campo Largo e Balsa Nova.
A companhia informou que imóveis sem caixa d’água adequadamente dimensionada poderiam sofrer desabastecimento durante o período de manutenção e orientou que os reservatórios tenham capacidade suficiente para armazenar água para pelo menos 24 horas de consumo.
Segundo a Sanepar, equipes trabalharam durante toda a segunda-feira para realizar o reparo da tubulação rompida. O serviço foi classificado como complexo devido à proximidade de um poste na área do rompimento.
Ainda conforme a empresa, a normalização gradual do abastecimento aconteceu no final da tarde de segunda-feira. Em Campo Largo, o rompimento afetou bairros como Águas Claras, Bom Jesus, Botiatuva, Centro, Cristo Rei, Jardim Bela Vista, Jardim Carmela, Jardim Rivabem, Jardim Três Rios, Ouro Verde, Rondinha, Salgadinho, Santa Rita, Nova Trento, São Marcos, Vila Bancária, Vila Elizabeth, Vila Ferrari, Vila Lurdes, entre outros.
Aguardando resposta
O levantamento foi enviado pela Redação à Sanepar, que informou que irá apurar o histórico e verificar a situação, para repassar uma resposta assim que possível. Até o fechamento desta edição a Folha não recebeu uma resposta, mas a matéria será atualizada no site assim que a Sanepar enviar um posicionamento.