A sensação de insegurança na região central de Campo Largo foi motivo de reclamações entre leitores da Folha, especialmente comerciantes. Os relatos apontam preocupação com a presença constante de grupos específicos em espaços públicos como a Praça Getúlio Vargas e a Praça João Antônio da Costa.
Segundo eles, há concentração de pessoas ao longo de todo o dia nesses locais, com situações que incluem consumo de bebidas alcoólicas, abordagens a pedestres e clientes de estabelecimentos comerciais e, em alguns casos, suspeitas de uso de entorpecentes. Parte desse público seria composta por pessoas em situação de rua, enquanto outros, conforme os relatos, frequentariam os espaços apenas para permanecer junto aos grupos.
Diante das reclamações, o comandante da Guarda Municipal de Campo Largo (GMCL), Marcos Leitão, afirma que a corporação mantém atuação constante e intensificada nessas áreas. “Não diminuíram as ações, pelo contrário, elas são intensificadas e ainda mais estratégicas”, ressalta.
Ele explica que, atualmente, cerca de 60% dos atendimentos da Guarda Municipal estão relacionados a ocorrências envolvendo pessoas em situação de rua, percentual que supera inclusive os registros de violência doméstica.
Apesar disso, Leitão destaca que a atuação da corporação segue limites legais. “Não podemos retirar uma pessoa de um local porque a presença dela gera algum desconforto às outras pessoas. É necessário que haja um delito, uma denúncia, para que possamos agir, realizar a prisão e o devido encaminhamento”, explica.
Denúncia formal é essencial
O comandante reforça que a participação da população é fundamental para a efetividade das ações. A orientação é que situações suspeitas ou ilícitas sejam formalmente denunciadas, possibilitando a atuação adequada da Guarda.
Para isso, ele indica o uso do aplicativo 153 Cidadão, que permite o registro de ocorrências com envio de imagens e informações detalhadas. “Isso torna a abordagem mais precisa e fortalece o registro de um eventual boletim de ocorrência. As denúncias podem ser feitas de forma anônima. A Guarda recebe apenas o chamado e o conteúdo da denúncia, sem identificação do denunciante. Isso garante segurança para quem comunica a situação”, pontua.
Ele reforça ainda que, para que haja encaminhamento à delegacia, é necessário que estejam caracterizados o delito, o autor e que exista uma vítima. “Sem esses elementos, não há base legal para condução”, acrescenta.
Entre as ocorrências que devem ser denunciadas estão danos ao patrimônio público, consumo de álcool em desacordo com normas locais, brigas, atos obscenos, como despir-se em público ou fazer as necessidades fisiológicas em local público, e perturbação do sossego, por exemplo. Em casos de abordagem que causem constrangimento, intimidação ou ameaça, a orientação é acionar imediatamente a Guarda Municipal, informando o máximo de detalhes possíveis para identificação dos envolvidos.
O comandante alerta para a importância de não associar criminalidade a aparência. “O criminoso não tem perfil. Uma pessoa pode estar bem vestida, se comunicar bem e cometer um furto, enquanto alguém em situação de rua pode estar apenas passando por dificuldades momentâneas”, observa.
Por isso, ele reforça que a atenção deve estar voltada às atitudes e comportamentos, e não a julgamentos prévios. “O mais importante é relatar atitudes suspeitas com o maior número possível de características e detalhes”, orienta.
Evite doações diretas nas ruas
Outro ponto enfatizado diz respeito à conduta da população em relação às pessoas em situação de rua. Segundo ele, a oferta direta de dinheiro, alimentos, bebidas, roupas ou outros itens nas praças pode contribuir para a permanência desses grupos nos locais. “A orientação é que não sejam feitas doações diretamente nesses espaços, pois isso acaba incentivando a permanência nessas regiões”, afirma.
A recomendação é encaminhar essas pessoas ao Centro Pop de Campo Largo, que dispõe de estrutura adequada para atendimento. No local, são oferecidos serviços como alimentação, doação de roupas, apoio social, encaminhamento para emissão de documentos, tratamento para dependência química e até mesmo auxílio para retorno ao convívio familiar e à cidade de origem. O Centro Pop de Campo Largo está localizado na Avenida Ayrton Senna, nº 4818, no bairro Bom Jesus e atende pelos telefones (41) 3291-5078 e (41) 99842-0053 (WhatsApp).
Terminal Urbano também registra queixas
Além das praças centrais, a reportagem recebeu relatos de insegurança no Terminal Urbano de Campo Largo, especialmente no final da tarde. Usuários apontam a presença de pessoas consumindo bebidas alcoólicas e, em alguns casos, utilizando entorpecentes no local.
O comandante informa que a Guarda Municipal está ciente da situação e realiza abordagens frequentes, em conjunto com os fiscais do terminal. “Se houver qualquer tipo de constrangimento, ameaça ou perturbação, é fundamental que o passageiro registre a denúncia”, reforça.
Baixe o aplicativo 153 Cidadão
O uso do aplicativo 153 Cidadão tem sido apontado como uma ferramenta importante para otimizar o atendimento da Guarda Municipal. Segundo Leitão, o sistema permite o recebimento simultâneo de diversas ocorrências, organizadas por nível de prioridade.
“Atualmente contamos com limitação de linhas telefônicas. Se a linha estiver ocupada, uma ocorrência pode não ser registrada naquele momento. O aplicativo amplia essa capacidade e torna o atendimento mais ágil e eficiente”, explica.
Por fim, o comandante destaca que a corporação tem investido na aproximação com a população por meio de reuniões em bairros e associações de moradores. Nessas ocasiões, são realizadas palestras e orientações sobre segurança e sobre o papel da Guarda Municipal. “Esse contato é importante para esclarecer dúvidas e fortalecer a parceria com a comunidade. Hoje, de forma estratégica e estatística, nenhum bairro de Campo Largo, inclusive no interior, está desassistido”, conclui.