Segunda-feira às 09 de Marco de 2026 às 02:38:28
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Projeto para criar novo feriado municipal em fevereiro gera manifestação do setor empresarial

Projeto para criar novo feriado municipal em fevereiro gera manifestação do setor empresarial

O projeto de lei nº 182/2026, de autoria do vereador Luiz Carlos Scervenski Junior, que pretende instituir o dia 23 de fevereiro como feriado municipal em comemoração à emancipação política da cidade, movimentou os bastidores empresariais e políticos. O projeto, apresentado na sessão desta quinta-feira (19) da Câmara de Vereadores, enfrenta resistência de entidades representativas locais, que se uniram para alertar sobre os graves impactos econômicos da medida.
Na sessão, o vereador disse que não imaginou que causaria tanta repercussão, que não era sua intenção e nem que quer fazer uma guerra contra ‘patrão e empregado’ e sim uma causa legislativa. Entre seus argumentos, ele busca reconhecer a história municipal, trajetória e também distinguir de um feriado religioso, como o caso do dia da padroeira. 
Gustavo Torres citou o vídeo da Folha de Campo Largo com o Renato Hundsdorfer - que fala sobre o dia 02 de abril de 1870, quando o território de Campo Largo foi desmembrado de Curitiba - e disse que seria interessante chamá-lo para passar essa história e seus registros na Câmara. Assim como também abrir a tribuna para a Associação Comercial e discutir mais amplamente o tema. Apresentado, o projeto agora segue para avaliação das Comissões. 
Em nota conjunta oficial, a Associação Comercial e Empresarial de Campo Largo (Acicla), o Sindivarejista e a Itaqui (Associação de Amigos Empresários de Campo Largo) emitiram nota para manifestar preocupação. Embora reconheçam a relevância histórica da emancipação, as associações argumentam que a criação de um novo feriado exige uma análise responsável dos seus impactos socioeconômicos.
O principal apontamento das entidades é que fevereiro já possui o feriado da padroeira no dia 02 e, tradicionalmente, apresenta menos dias úteis devido ao calendário reduzido e ao Carnaval. A suspensão das atividades econômicas não diminui os custos fixos das empresas, como aluguel, energia, impostos e folha de pagamento. Para as micro e pequenas empresas, que são as maiores geradoras de emprego no município, a redução de dias produtivos no início do ano atinge diretamente o fluxo de caixa, afetando a circulação de renda e a própria arrecadação municipal.
As associações comerciais lembram que a discussão não é nova. Um feriado celebrando a emancipação política de Campo Largo já existiu no passado, mas foi revogado em 2004 pela Lei Municipal nº 1.747, justamente após o poder público e a sociedade avaliarem os prejuízos causados ao calendário produtivo. “O atual cenário econômico exige estímulo à produtividade, competitividade e geração de empregos”, ressalta a nota conjunta, sugerindo que a data seja celebrada com alternativas comemorativas que não obriguem o fechamento do comércio.
Pelo lado do setor industrial representado pelo Sindilouça-PR, que representa cerca de 40% do PIB municipal, o impacto seria ainda mais profundo. Em ofício encaminhado ao presidente da Câmara Municipal, Alexandre Guimarães, o sindicato apresentou uma análise técnica alertando para a inviabilidade do projeto.
O sindicato explica que a indústria cerâmica opera com fornos de queima contínua que não admitem interrupção. A imposição de um feriado obrigaria as empresas a arcarem com o pagamento de 100% de adicional (dobra) sobre a folha dos trabalhadores operacionais, um custo extra que retira a competitividade do título de “Capital Nacional da Louça” frente a outros polos fabris e desestimula a atração de novas indústrias.
O Sindilouça adverte, ainda, que a paralisação afeta as finanças públicas. A redução da produção industrial diminui o Valor Adicionado Fiscal (VAF) da cidade, o que resulta em repasses menores de ICMS do Governo do Estado para a Prefeitura. Esse corte de verbas prejudica diretamente os investimentos municipais em saúde, educação e infraestrutura. Além disso, o próprio orçamento público seria onerado, pois a Prefeitura precisaria pagar horas extras e escalas diferenciadas para manter os serviços essenciais funcionando no novo feriado.
Diante do risco de queda no faturamento do varejo local e da elevação dos custos estruturais, o Sindilouça solicitou formalmente a rejeição do Projeto de Lei nº 182 ou, como alternativa, a sua conversão em “Ponto Facultativo”. Dessa forma, segundo a entidade, seria possível celebrar a história de Campo Largo sem comprometer a saúde financeira das empresas, os postos de trabalho e o equilíbrio do orçamento da cidade.

Foto: Comunicação/Câmara Municipal de Campo Largo