O caso do desaparecimento de cães comunitários no entorno do centro de distribuição do Mercado Livre, em Araucária, passou a ter desdobramentos também em Campo Largo, onde três dos quatro animais foram localizados após denúncias e buscas realizadas por moradores da região. O vereador Rafael Freitas detalhou à Folha como os fatos se desenrolaram e afirmou que há indícios de que parte dos cães tenha sido abandonada na cidade.
Os cães Caramela, conhecida como Xuxa (ou Xuxinha), e Pretinho, chamado também de Lobão, foram encontrados em uma área mais rural de Campo Largo, na região do Botiatuva. Um deles teve a identificação confirmada por meio de microchip. Após o resgate, ambos foram encaminhados ao HPet – Hospital Veterinário, em Curitiba, para avaliação e tratamento. Xuxinha apresentava lesões e está recebendo tratamento, enquanto Lobão, que não era castrado, passará pelo procedimento. Na tarde desta quinta-feira, a cadela Rajada também foi encontrada no bairro Bela Vista, em Campo Largo.
Entenda o caso
Segundo o vereador, o desaparecimento teve início na madrugada de 28 de janeiro, quando cães comunitários que viviam próximos à central de distribuição da empresa, em Araucária, teriam sido retirados do local. “Havia alguns cães comunitários na Central de Distribuição do Mercado e a alta gerência do local achou por bem dar um sumiço naqueles animais. No dia 28 de janeiro, pela madrugada, colocaram estes animais em uma Fiorino e sumiram com eles.”
De acordo com ele, a comunidade começou a cobrar explicações. “A população começou a pedir explicações e procurar estes animais, mas eles não falavam, quando então divulgaram uma nota dizendo que estes cães estariam em uma chácara e depois em uma ONG”, relatou.
A situação envolveu Campo Largo no dia 10 de fevereiro. Conforme Rafael Freitas, dois veículos chegaram até a rua onde ele reside e levaram três cães comunitários da região. “Eles chegaram até a rua da minha casa e sequestraram os nossos cães comunitários, a Branquinha, o Pêssego e o Abacaxi. Essas pessoas se intitulavam ser de uma ONG e levaram nossos cães comunitários. Eles deixaram um contato de uma pessoa e eu falei com ela, que alegou que eles estavam brigando entre eles e que seriam resgatados. Achamos estranho, pois dificilmente as ONGs resgatam cães que estão bem e são assistidos pela comunidade.”
Na sexta-feira (13), segundo o vereador, houve a divulgação de uma nota por parte de uma ONG, que fica localizada em Fazenda Rio Grande, informando que havia recebido cães do Mercado Livre, mas que não se tratava dos mesmos que haviam desaparecido em Araucária. “Então eles tentaram repor com outros cães”, declarou.
Foi então nesta semana, na terça-feira (17), que uma equipe do Mercado Livre esteve na região da residência do vereador realizando buscas com apoio de cães farejadores e drone. “Isso levantou a ideia de que o abandono foi realizado ali. Por meio do sistema de monitoramento da minha residência, vi a passagem de uma Fiorino no dia 28 de janeiro. Então, como conhecemos melhor a região do que o pessoal de São Paulo, iniciamos as buscas e já encontramos a Xuxinha e, uma hora depois, o Lobão, próximo à uma área mais rural.”
Ao todo, no início da história, ainda em Araucária, quatro cães comunitários passaram a ser considerados desaparecidos, a Xuxinha, Lobão, Rajada e Cara Preta. Com as buscas realizadas em Campo Largo, dois foram localizados, porém a Rajada e Cara Preta seguiam sem paradeiro confirmado até então. Na tarde desta quinta-feira, após a entrevista, o vereador informou que a Rajada havia sido encontrada, mas que a Cara Preta continua desaparecida.
O vereador informou que as pessoas envolvidas já foram ouvidas pela Delegacia de Meio Ambiente e que o caso está em fase de inquérito. “O pessoal envolvido neste caso já foi ouvido pela Delegacia de Meio Ambiente, por conta do processo que está sendo instaurado e nós, como Poder Legislativo de Campo Largo, vamos oficializar também a Secretaria de Meio Ambiente, para que faça as implicações administrativas, no caso a multa.”
Ele destacou que a legislação municipal prevê penalidades. “Maus-tratos a animais em Campo Largo, para cada cão, pode chegar a R$ 10 mil, então já temos certeza que dois foram abandonados em Campo Largo. Além disso, tem a retirada dos cães comunitários, que também tem previsão em lei, pois não pode tirar o cão comunitário sem devida autorização.”
Segundo Rafael Freitas, após a conclusão do inquérito, o caso deverá ser encaminhado ao Ministério Público do Paraná para as providências cabíveis.
O deputado federal Delegado Matheus Laiola, por meio de suas redes sociais, também se manifestou sobre o caso e, gravou nesta quarta-feira, um vídeo com os animais já resgatados. “Até o final desta semana iremos entrar com uma ação judicial contra o Mercado Livre, exigindo que eles apresentem os outros animais. Temos uma equipe que está em Campo Largo para que consiga encontrar os outros cães e nós vamos cobrar a responsabilização de todos os envolvidos do Mercado Livre, do Centro de Distribuição de Araucária.”
Em nota, o Mercado Livre informou que realizou investigação interna e comunicou o desligamento de funcionários envolvidos direta ou indiretamente no episódio. A empresa declarou que reúne imagens e demais materiais para envio às autoridades e que mantém apoio especializado nas buscas pelos animais ainda não encontrados. O caso segue sob análise das autoridades ambientais e policiais.
Quem tiver informações do paradeiro da Cara Preta, que está desaparecida, pode entrar em contato diretamente pelas redes sociais do @paranacontramaustratos ou do @gm.rafaelfreitas no Instagram.