31/03/2012
Internet gratuita em aeroportos é adiada
31/03/2012
Internet gratuita em aeroportos é adiada
31/03/2012 Fonte: Gazeta do povo
A oferta de internet sem fio com navegação ilimitada, prevista para começar a partir de hoje em 18 dos principais aeroportos nacionais, entre eles o Afonso Pena, na Região Metropolitana de Curitiba, foi adiada. Desentendimentos entre a Infraero e as três empresas listadas para o serviço fizeram com que o projeto fosse prorrogado. A retomada desta primeira fase, ainda de testes, foi transferida para a semana que vem, segundo a estatal.
O projeto foi lançado nos últimos meses de 2011, mas o edital do serviço deixou em aberto uma série de definições, como a velocidade de conexão que seria oferecida. Entre as companhias que foram listadas para oferecer a conexão sem fio, ainda há dúvidas quanto às datas de operação e à abrangência dos usuários atendidos.
Após uma consulta pública, a Infraero selecionou em dezembro três empresas – Tim, NET e LinkTel – para oferecer o serviço em todo o Brasil. De acordo com a LinkTel, um dos problemas do processo vem sendo a formalização dos serviços. A empresa afirma que, até a tarde de ontem, havia recebido contratos de apenas oito aeroportos do país – e seis deles ainda estariam incompletos. Por e-mail, executivos da LinkTel mencionaram “incertezas quanto à infraestrutura disponibilizada nos aeroportos e seu atendimento simultâneo a vários usuários”.
A velocidade da conexão oferecida pela LinkTel – 256 kbps para o uso gratuito e 512 kbps para o acesso cobrado – foi criticada pelo analista de telecomunicações da consultoria IDC João Paulo Bruder. Para ele, o ideal seria que o serviço de internet gratuito tivesse um padrão mínimo já no início de sua operação, e que também contasse com a oferta de uma alta velocidade. Planos de banda larga residenciais costumam ter não menos de 1 Mbps, velocidade quatro vezes maior que a do acesso gratuito da LinkTel.
Só para clientes
Outra controvérsia envolve a Tim. A empresa afirma que sua conexão por wi-fi estará disponível em abril, mas restrita apenas a clientes da operadora. Passada esta fase de testes e de acordo com a demanda, a empresa poderá aumentar o número de passageiros atendidos. Em nota, a companhia aponta que “tem a expectativa de atingir a totalidade do fluxo de passageiros em aeroportos do país ao longo de 2012”.
A Infraero, no entanto, rejeita a posição da Tim e afirma que o programa previsto inclui a oferta a todos os passageiros, e não apenas a clientes da operadora. Segundo a assessoria de imprensa da estatal, a empresa pode permitir que seus clientes acessem uma rede mais veloz, mas este seria um serviço adicional, oferecido exclusivamente no Afonso Pena. No entanto, isso não excluiria a obrigação de ter uma conexão gratuita aberta ao público, de acordo com os contratos firmados com a Infraero. Até o fechamento da edição, a NET não informou os detalhes de como seu serviço será oferecido.
Contrapartida para operadoras se limita a espaço publicitário
O edital que define o projeto da internet gratuita no país traz, além das indefinições, um número pequeno de contrapartidas para as empresas envolvidas. De acordo com o documento, o acordo é próximo a uma permuta e não apresenta nenhuma forma de pagamento por parte da Infraero pelo serviço.
No modelo proposto, as empresas oferecem o serviço gratuito aos passageiros, como era o objetivo do governo federal; por sua vez, poderão contar com publicidade em anúncios nas salas de embarque. O espaço voltado à publicidade diz respeito a um ponto de 1 metro quadrado nos espaços mantidos por cada empresa na área de embarque. As companhias ainda vão pagar parte da instalação e da manutenção da infraestrutura que será utilizada para a oferta de internet.
Entre os benefícios que as empresas poderão ter está a divulgação de sua operação de internet a partir do serviço prestado. Segundo a Infraero, as redes oferecidas no aeroporto serão identificadas com o nome de cada prestadora de serviço, o que pode representar um apelo frente aos clientes.
Como é o serviço hoje?
Boa parte dos terminais nacionais cobertos pelo novo projeto já conta com a oferta de internet, mas de maneira limitada. O serviço mais comum é de conexão gratuita por 15 minutos, disponível em todo o aeroporto. Depois deste limite, o usuário é direcionado a outra conexão, que precisa ser paga com cartão de crédito. No Afonso Pena, o valor mínimo cobrado pela LinkTel é de R$ 6,90 para três horas corridas de internet.
Como será o sistema quando o projeto for lançado?
Os passageiros continuarão com modalidades gratuitas e pagas, mas haverá possibilidade de acesso gratuito ilimitado (sem a restrição dos 15 minutos) apenas nas salas de embarque. Para a conexão, os usuários terão de fazer um cadastro na rede, onde irão informar o número de seus bilhetes de passagem. Os serviços pagos e gratuitos serão diferenciados por benefícios e velocidades de conexão.
Qual será a velocidade da internet?
O edital que instrui o projeto não definiu uma margem de velocidades para o serviço. Segundo a Infraero, isso ocorreu pela dificuldade em garantir uma velocidade padrão, uma vez que o número de usuários pode variar muito, dependendo de dias e horários de maior movimento. Com isso, a questão ficou aberta. A LinkTel adiantou que vai oferecer uma conexão de 256 kbps (kilobytes por segundo) gratuita e uma de 512 kb, tarifada. Já a Tim afirma que a conexão será de 54 mbps (megabytes por segundo), mas restrita a seus clientes.