29-07-2011
Conhece o velho ditado que diz: "Se correr o bicho pega e se ficar do bicho come?". Pois bem, parece piada, mas não é. Esta é a situação real, na qual se encontram os empresários do ramo de louça e porcelana de Campo Largo. O Município, responsável pela produção de mais de 95% de toda a louça e porcelana de mesa, do Brasil, corre o risco de ver a sua principal indústria encolher, diante da gigantesca invasão dos produtos chineses, sob os olhos complacentes do Governo Federal, que não se sensibiliza nem mesmo com o perigo representado pelos produtos orientais, recheados de Chumbo e Cádmio, produtos altamente tóxicos, que ameaçam os brasileiros com Câncer e outras doenças letais.
Os chineses desembarcaram nos nossos portos, nesses sete primeiros meses de 2011, nada menos que 28 milhões de peças, de péssima qualidade, a preços tão baixos que fazem os produtos brasileiros, de qualidade superior, encalhar nas prateleiras das lojas especializadas e nos supermercados.
Aliados à invasão dos produtos chineses, os produtores campo-larguenses, que recentemente trocaram a matriz energética, abandonando a lenha e passando a efetuar a queima em fornos movidos a gás natural, têm outra "bomba" nas mãos. O desconto de 5% nos preços do metro cúbico do gás, que eles tinham até o final do ano passado, foi retirado pela distribuidora em Janeiro último e, na última Quarta-feira (27), eles foram informados que, a partir de primeiro de Agosto próximo, terão que pagar 8,5% a mais, pelo combustível.
A grita geral dos empresários é pela absoluta impossibilidade de se efetuar mais cortes, nos custos de produção, capazes de equilibrar o reajuste do gás. Para eles, que já enfrantam a pressão dos chineses e a gigantesca desvalorização do Dólar, que torna os nossos produtos menos competitivos no cenário internacional, o Governo Federal parece estar disposto a destruir a Indústria Nacional de Cerâmica, Louça e Porcelana. "Vamos parar, não temos outra solução", disse um empresário, nesta Quinta-feira (28), numa reunião na sede do Sindicato da categoria, em Campo Largo. Há, inclusive, a ideia de se fechar as fábricas no Brasil, desmontar tudo e montar na China, para poder concorrer em igualdade de condições com os produtos chineses que estão entrando em "tsunames", no mercado nacional.
"É uma pena, mas o Governo Brasileiro está gerando novos postos de trabalho, em grande escala, em território chinês. Isso vai obrigar a indústria nacional a demitir, para conseguir equilibrar custos de produção", disse um empresário.
A mágoa dos empresários é pelo abandono que o setor sofre, há vários anos, por parte do Governo Federal. "Nós não representamos muito, na construção do PIB, e talvez por isso talvez ele [o Governo], não nos enxergue como um setor que mereça uma política especial, de defesa da indústria nacional", disse um dos empresários.