20-07-2011
Montadora chinesa investe pesado para entrar de vez no mercado nacional
20-07-2011
Montadora chinesa investe pesado para entrar de vez no mercado nacional
20-07-2011 Fonte: Paraná Online
De olho no expansivo mercado brasileiro de automóveis, a empresa chinesa Chery - que já vende alguns modelos por aqui desde 2009 - é a mais nova montadora que desembarca no País. A primeira fábrica de automóveis da marca fora da China - uma vez que as outras da Chery que existem no exterior apenas montam suas peças em outros lugares do mundo - será instalada na cidade de Jacareí, distante 78 quilômetros de São Paulo.
Voltada à produção de carros populares, a Chery quer ganhar espaço principalmente entre os consumidores da classe C, população que vem aumentando sua renda nos últimos anos. O desenvolvimento econômico acelerado no Brasil e o mercado de automóveis atraente e que deve continuar em expansão foram decisivos para instalar a fábrica chinesa no País, avalia o presidente da Chery Automobile, Yin Tongyue. "Desde julho de 2009, quando começamos a vender nossos produtos no Brasil, as nossas marcas começaram a ser mais aceitas no mercado brasileiro, além de desenvolver nossa rede de serviços, o que nos fez decidir pela instalação da fábrica no País. Não há nenhuma empresa do setor automotivo mundial que não esteja de olho no Brasil", afirmou.Ainda paira um certo mistério sobre quais modelos serão fabricados em Jacareí. Embora oficialmente tenha sido divulgado que o modelo para produção inicial seja o A13 (o Fulwin), o presidente da empresa no Brasil, Luis Curi, é cauteloso. "Temos duas plataformas para quatro modelos. Trata-se de carros compactos, pequenos, que são a nossa especialidade. O modelo (A13) deve chegar ao mercado brasileiro com um novo nome, que ainda está em estudo", responde o Curi.
Junto com a fábrica, nos próximos anos a Chery deve instalar, também em Jacareí, o seu centro de desenvolvimento de produtos, para fazer algumas adaptações necessárias ao gosto do consumidor nacional. "O Brasil usa muito carros flex e os acessórios também devem ser adaptados ao gosto do brasileiro, que é um pouco diferente do chinês, antecipou Tongyue, durante cerimônia de lançamento da pedra fundamental, nesta terça-feira (19), em Jacareí.
Localização
Considerada uma cidade geograficamente estratégica - entre São Paulo e Rio de Janeiro e perto dos portos de Santos e de São Sebastião - Jacareí foi escolhida pela montadora chinesa por oferecer facilidades para o abastecimento de matérias-primas e para escoamento da produção.
A área escolhida para a implantação da fábrica é de um milhão de metros quadrados, sendo que 400 mil serão utilizados nessa primeira etapa de construção - o que já garante o alcance da capacidade produtiva esperada. "A parceria com os governos municipal e estadual foi decisiva para a escolha. Para isso encomendamos um estudo preparado por uma consultoria internacional. É claro que a localização entre os dois maiores mercados consumidores do Brasil, a possibilidade de aquisição próxima de autopeças e a proximidade com os portos que serão utilizados foram fundamentais", diz o presidente da Chery no Brasil.
Como opção econômica de carro, até o fim do ano a meta da Chery do Brasil é chegar a 1% de participação no mercado de vendas brasileiro, com comercialização de 25 mil unidades, com o foco de manter a política de preços atrativos. Um QQ completo (carro-chefe da marca, responsável por 60% do total de vendas) sai hoje por R$ 22 mil, enquanto outros modelos da Chery ficam entre R$ 30 mil e R$ 35 mil.Verba do governo chinês
O investimento de US$ 400 milhões para a planta de um milhão de metros quadrados em Jacareí será para montar o processo produtivo completo da Chery no Brasil. Parte desse dinheiro é proveniente do banco estatal chinês, mas a Chery não divulga qual é a participação do governo nessa empreitada. Com início ainda este ano, as obras devem ser finalizadas somente em 2013.
No primeiro ano, a perspectiva é que sejam produzidos de 50 a 60 mil unidades ao ano. Dois anos depois, esse número está previsto para chegar a algo em torno de 150 mil a 170 mil carros anualmente, dos quais até 85% deve abastecer o mercado interno. O restante será exportado para outros países latino-americanos. Para isso, a previsão é de começar com 1,2 mil empregos diretos, podendo chegar a mais de 4 mil depois de concluída a segunda etapa de instalação da fábrica.
Fornecedores
Em torno de 70% dos fornecedores para a fábrica vão ser estrangeiros, nesse primeiro momento. "A taxa de nacionalização será perto dos 30% inicialmente. Conforme houver aumento na produção, estimamos que essa taxa chegue a 50%", calcula o presidente da Chery.
Vendas no Brasil
A Chery fechou o mês de maio com 1.532 emplacamentos no mercado automotivo brasileiro, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Com a comercialização dos cinco modelos da marca no País - SUV Tiggo, Cielo, nas versões hatch e sedan, Face e QQ - a Chery obteve em maio 2.757 unidades vendidas no atacado e 2.169 no varejo. Com esse crescimento, a Chery Brasil alcançou 0,5% de participação no mercado nacional naquele mês e 0,37% no acumulado de 2011.
Fundada em 1997, a Chery Automobile é a maior montadora independente da China, campeã de vendas naquele país. Sediada em uma área de aproximadamente dois milhões de metros quadrados, na cidade de Wuhu, província de Anhuí, a Chery está presente em 80 países. No Brasil, a Chery começou a montar sua rede de concessionárias - que hoje conta com 81 unidades - em 2009.
* A repórter viajou a Jacareí a convite da Chery do Brasil.