Política

Ratinho Junior deixa R$ 27,6 bilhões em caixa para Moro

Paraná tem o terceiro maior caixa do país, mas compromissos financeiros podem limitar investimentos do novo governador a partir de 2027

Ratinho Junior deixa R$ 27,6 bilhões em caixa para Moro

O Paraná registrou R$ 27,6 bilhões em disponibilidade de caixa em agosto de 2026, o terceiro maior valor entre os estados brasileiros. Os números foram apresentados nessa terça (13), durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), e integram o cenário fiscal que será entregue ao governador eleito Sergio Moro (PL), que assume o comando do Estado em 2027.

De acordo com a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), o Paraná aparece atrás apenas de São Paulo, com R$ 69,5 bilhões, e Minas Gerais, com R$ 39,5 bilhões. Embora o resultado fortaleça o discurso de equilíbrio fiscal do governo Ratinho Junior (PSD), o montante não representa dinheiro integralmente livre para a próxima administração. Parte dos recursos possui destinação vinculada, além de compromissos financeiros que precisam ser respeitados.

Durante a audiência, deputados questionaram a execução de obras, os repasses de convênios aos municípios, as renúncias fiscais e as obrigações acumuladas com servidores públicos. As cobranças evidenciaram a preocupação com despesas que poderão impactar o orçamento de 2027.

O relatório aponta ainda R$ 7,6 bilhões em investimentos empenhados até agosto, crescimento nominal de 73,4% em relação ao mesmo período de 2025. As receitas totais alcançaram R$ 54,5 bilhões, alta de 4,4%. Na saúde, os valores empenhados somaram R$ 5,2 bilhões, equivalentes a 13,28% da receita líquida de impostos, acima do mínimo constitucional de 12%.

Na educação, a aplicação informada atingiu 33,95%, superando o piso estadual de 30%. Apesar dos indicadores positivos, há uma diferença importante entre recursos empenhados e efetivamente pagos. Essa distinção será essencial para avaliar quais projetos estão em execução e quais compromissos permanecerão para o próximo governo.

HERANÇA FISCAL ENTRA NO DEBATE POLÍTICO

A transição entre Ratinho Junior e Sergio Moro deverá colocar sob análise não apenas o volume de dinheiro disponível, mas também os contratos, investimentos e obrigações financeiras assumidos pela atual gestão.

Para Moro, o desafio será identificar quanto poderá destinar às próprias prioridades sem comprometer despesas obrigatórias e projetos em andamento. O caixa bilionário representa uma vantagem para o próximo governador, mas a verdadeira dimensão da herança fiscal de Ratinho Junior dependerá do fechamento das contas de 2026.

 

Compartilhar esta notícia: