Saúde

Dia do Doador de Sangue reforça importância do ato e Campo Largo receberá Hemepar para campanhas em 2026

Junho Vermelho reforça a importância da doação de sangue; Campo Largo deve receber três campanhas de coleta em 2026 para ajudar a manter os estoques da Hemorrede do Paraná

Dia do Doador de Sangue reforça importância do ato e Campo Largo receberá Hemepar para campanhas em 2026

Com a chegada do Junho Vermelho, mês dedicado à conscientização sobre a doação de sangue, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), por meio do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), intensificou o alerta para a necessidade de doações, especialmente dos tipos sanguíneos O positivo (O+) e O negativo (O-). A mobilização ganha ainda mais destaque neste domingo, 14 de junho, quando é celebrado o Dia Mundial do Doador de Sangue, data criada para reconhecer os voluntários que ajudam a salvar vidas por meio desse gesto simples e indispensável.
A Folha de Campo Largo conversou com a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), que comentou sobre novidades futuras para a cidade. Segundo informações da Sesa e do Hemepar, além de contar com uma população historicamente participativa nas ações promovidas pelo Hemepar, o município deverá receber três campanhas de coleta ao longo de 2026, ampliando as oportunidades para que moradores contribuam com os estoques da hemorrede paranaense.
Segundo as informações repassadas, a necessidade de manter os bancos de sangue abastecidos acompanha o crescimento da demanda hospitalar em todo o Estado. Responsável pelo atendimento de mais de 380 hospitais paranaenses e por 96,6% dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS), a Hemorrede fornece sangue e hemocomponentes utilizados em cirurgias de média e alta complexidade, transplantes, tratamentos oncológicos, atendimentos de urgência, vítimas de acidentes e diversas outras situações em que a transfusão pode ser decisiva para a recuperação do paciente.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, César Neves, a conscientização da população é fundamental para garantir a continuidade desses atendimentos. “O sistema de saúde depende da solidariedade da população para manter os estoques abastecidos. A doação é um ato voluntário que ajuda diretamente pacientes que necessitam de transfusões constantes, em cirurgias, tratamentos e situações de urgência em todo o Paraná. O Junho Vermelho chega, justamente, para ampliar essa conscientização na população, de que a doação de sangue é o passo fundamental para que possamos salvar vidas”, destacou.
Os números mostram que a cultura da doação tem avançado no Paraná. Em 2023 foram registradas 187.128 bolsas coletadas. O total passou para 203.925 em 2024 e alcançou 214.377 em 2025, representando um crescimento próximo de 15% no período. Apenas nos primeiros meses de 2026, já foram contabilizadas 86.130 bolsas, volume cerca de 3% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.
Parte desse aumento está relacionada à ampliação da estrutura hospitalar e ao crescimento da complexidade dos atendimentos realizados no Estado. Em Campo Largo, por exemplo, hospitais como o Rocio, referência em alta complexidade e atendimento a traumas, além do Hospital São Lucas e do Hospital Infantil Waldemar Monastier, contribuem para uma demanda constante por hemocomponentes.
De acordo com informações repassadas pela Sesa à Folha de Campo Largo, os períodos de férias e feriados prolongados costumam representar um desafio adicional para os hemocentros. Enquanto a necessidade de sangue permanece elevada, o número de doadores geralmente diminui. Por isso, as campanhas externas têm papel estratégico para aproximar a população da causa.

População campo-larguense participante
A participação dos campo-larguenses tem se destacado, conforme dados da Sesa. Em 2025, duas grandes campanhas realizadas no município resultaram na coleta de 160 bolsas de sangue, sendo que a primeira ocorreu na Escola Municipal Anderson Paulart Junior, reunindo 88 participantes e resultando em 76 bolsas coletadas e a segunda, realizada na Unise Educacional – Faculdade em Campo Largo, mobilizou 102 doadores e resultou em 84 bolsas.
A parceria com grupos e o interesse dos campo-larguenses, que é demonstrado pelo bom resultado das campanhas realizadas na cidade, motivou a ampliação das ações para este ano. O planejamento prevê três campanhas em Campo Largo, que deverão ocorrer no Hospital do Rocio, na Escola Municipal Anderson Paulart Junior e em uma unidade de saúde local, cuja expectativa é mobilizar ao menos 300 doadores ao longo das atividades. As datas ainda não foram divulgadas pela Sesa. 
“O Paraná tem expandido de forma expressiva a sua rede hospitalar e a complexidade dos atendimentos em todo o Estado, o que consequentemente eleva a nossa demanda por bolsas de sangue. Apoiar e descentralizar as ações de doações de sangue em municípios estratégicos, como Campo Largo, é fundamental para garantir que os estoques da Hemorrede permaneçam em níveis seguros. Cada coleta externa realizada é uma demonstração de solidariedade que salva vidas diretamente na ponta, reforçando o compromisso do Governo do Estado com a assistência integral à saúde dos paranaenses”, afirmou César Neves.

Hemocentro em Campo Largo?
Outro questionamento frequente da população diz respeito à ausência de uma unidade fixa do Hemepar em Campo Largo. Conforme explica a Secretaria de Estado da Saúde, a implantação de um hemocentro ou unidade de coleta depende de critérios técnicos rigorosos, como densidade populacional, disponibilidade orçamentária e estrutura laboratorial especializada para processamento do sangue.
Atualmente, a proximidade com Curitiba e a ligação logística eficiente com o Hemocentro Coordenador permitem que o modelo de coletas externas programadas seja considerado mais seguro e eficiente. Após a coleta, o sangue passa por uma série de processos tecnológicos e laboratoriais que incluem exames, fracionamento e controle de qualidade antes de ser disponibilizado aos hospitais.

Combate à desinformação
Além da necessidade de ampliar o número de doadores, a Sesa destaca que a desinformação ainda é uma das principais barreiras para a adesão da população. Entre os mitos mais comuns estão o medo de contrair doenças durante a doação, a crença de que doar sangue engorda ou emagrece e a ideia de que o procedimento provoca fraqueza prolongada.
Segundo o Hemepar, a coleta é totalmente segura, realizada com materiais descartáveis e acompanhada por profissionais capacitados. O volume retirado representa cerca de 450 a 470 mililitros de sangue e é rapidamente reposto pelo organismo. Após o processamento, esse material pode ser separado em hemácias, plasma, plaquetas e crioprecipitado, possibilitando que uma única doação beneficie até quatro pessoas diferentes.
Para doar, é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 quilos, estar alimentado, hidratado e apresentar documento oficial com foto. Homens podem doar até quatro vezes por ano, com intervalo mínimo de dois meses entre as coletas. Já as mulheres podem realizar até três doações anuais, respeitando um intervalo mínimo de três meses.

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