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Saúde

Famílias devem ficar alerta aos sintomas de Covid-19 em crianças

Dr. Francisco esclarece que os testes com vacinas e medicamentos geralmente iniciam com públicos mais fortes e saudáveis, para não exporem a risco pessoas mais frágeis.

Após notícia publicada na última semana sobre o retorno das aulas em algumas cidades do Estado do Paraná, leitores da Folha de Campo Largo se manifestaram questionando sobre a vacinação em crianças e também argumentaram que ainda não se sentem seguros para mandarem seus filhos para as escolas no modelo híbrido. Havendo muitas dúvidas, a Folha convidou o médico especialista na área de Infectologia, Dr. Francisco Beraldi de Magalhães (CRM-PR 29488) para falar sobre o assunto.

Dr. Francisco esclarece que os testes com vacinas e medicamentos geralmente iniciam com públicos mais fortes e saudáveis, para não exporem a risco pessoas mais frágeis. “Jamais iremos colocar em risco grupos mais frágeis. Se houver um evento adverso, o risco é muito grande. Em geral, os laboratórios testam em adultos jovens. Depois, vendo que tem segurança nestes grupos, expande para grupos de risco. No caso do por quê as crianças ainda não estão sendo vacinadas se deve principalmente por conta delas não fazerem quadros graves. Primeiro precisa ser incluído quem está sendo mais acometido pela doença, que é a população mais idosa ou que manifesta maiores complicações. Portanto, sempre que posso, digo para que quem tem oportunidade de tomar a vacina, vá até a Unidade Básica de Saúde e seja imunizado, tome as duas doses, pois, infelizmente, neste primeiro momento, as vacinas ainda são para poucos. Para as crianças, provavelmente os estudos sejam concluídos mais para o final deste ano.”

O especialista explica que em linhas gerais, as crianças têm quadros menos graves, mas com manifestações atípicas, como diarreia, dor de cabeça, rash cutâneo (vermelhidão na pele), indisposição. Porém, manifestações mais comuns, como coriza, dor de garganta, eventualmente perda de ar, de olfato ou de paladar e tosse também aparecem. Além disso, o médico acrescenta ainda que embora existam casos graves e óbitos entre crianças e adolescentes por conta da Covid-19, são situações raras, extremamente baixos.

“Sempre explico que não tem como saber se é resfriado ou Covid-19. Essa é a famosa ‘pergunta de um milhão de dólares’. Se a criança apresentar coriza, tosse, falta de ar, perda de olfato ou paladar tem que procurar o atendimento médico para realizar o exame PCR para diagnóstico correto. Sempre insisto no PCR porque é o mais específico, fidedigno, gratuito no SUS e é muito melhor do que o teste de antígeno, por exemplo. O melhor momento é o terceiro dia após o início dos sintomas. Na primeira manifestação já deve-se manter a criança em isolamento e consequentemente a família também. Se a criança vai para a escola, no caso de escolas particulares, fica em casa até o resultado do teste. Se o teste for negativo, está liberado; se for positivo, todos em isolamento, conforme orientação da equipe médica que está acompanhando a família”, orienta.

Escolas devem ou não retornar?
Dr. Francisco comenta que ainda em março de 2020, o Ministério da Saúde havia feito uma orientação ao Ministério da Educação para que não parassem as aulas em um primeiro momento e que não foi atendida. “Todo mundo parou e ficamos muito tempo sem aulas, gerando uma grande angústia e aflição entre pais, alunos e professores. Vacinar os professores é fundamental para protegê-los, mas existe uma preocupação muito grande com as crianças, pois todo mundo está isolado dentro do seu núcleo familiar e quando colocamos as crianças dentro da sala de aula, é como se misturássemos esses núcleos familiares”, explica.

“A opinião, como especialista, é que a ocorrência de casos ainda tem sido muito alta, então não seria ideal enviar crianças para a escola neste momento. O que me preocupa muito é se nós observarmos o comportamento da pandemia com relação ao ano anterior, nós vemos o primeiro pico, seguido de uma baixa, o segundo pico e uma baixa, o terceiro pico e uma baixa e já está subindo de novo. Quando baixou em janeiro, tivemos cerca de 2 mil casos na Região Metropolitana de Curitiba por semana. Assim que retornamos desse último pico, o número de casos foi para 5 mil por semana e agora já estamos em 7 mil, pegando dados da semana passada, o que é muito alto. Parece que estamos nos acostumando com esses números altos de casos”, alerta.

Aos pais ou responsáveis que já estão enviando seus filhos para as escolas – no caso das instituições particulares – o médico explica que a contribuição das famílias é de extrema importância. “Se a criança já retornou para a escola, tem que observar se está com coriza, tosse, febre, falta de ar, perda de olfato ou paladar. Se tiver tido contato com alguém que teve Covid-19 não mandar para a escola em hipótese alguma, pois isso expõe a risco colegas e professores. É momento de estar atento, observar e ter bom senso”, recomenda.

O especialista recomenda ainda que, se possível, a família seja imunizada contra o vírus H1N1 e mantenha a caderneta de vacinação atualizada. “Quando chega um paciente com sintomas mais graves e que já tomou vacina contra a H1N1, já conseguimos descartar essa hipótese. O vírus da gripe é mais perigoso para crianças, gestantes e idosos, por isso é importante ser imunizado. Sobre o restante da caderneta de vacinação, sem dúvida nenhuma deve ser mantida atualizada, pois são doenças extremamente graves”, finaliza.