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Dia Mundial do Diabetes conscientiza cuidados de prevenção e tratamento

Endocrinologista responde dúvidas de leitores sobre Diabetes. Essa doença é um importante fator de risco para a Covid-19 e a pandemia também influencia em fatores que levam a um pior controle da doença, como má alimentação, ganho de peso, aumento do sedentarismo e diminuição do número de consultas e exames de rotina realizados.

Por: Danielli Artigas de Oliveira

No dia 14 de Novembro é comemorado o Dia Mundial do Diabetes, data criada com o intuito de conscientizar a população sobre a doença e a importância da prevenção e tratamento adequados.

O Diabetes atinge hoje 16 milhões de brasileiros, segundo dados da OMS, número esse que cresce a cada ano. Neste ano de 2020, isso se tornou ainda mais relevante tendo em vista a pandemia do novo coronavírus, tanto em função de a doença ser um importante fator de risco para a Covid-19 como pelos fatores que levaram a um pior controle, como má alimentação na pandemia, ganho de peso, aumento do sedentarismo e diminuição do número de consultas e exames de rotina realizados.

O endocrinologista Dr. André Fuck explica que o Diabetes é uma doença crônica caracterizada pelo aumento progressivo dos níveis de glicose (açúcar) no sangue, decorrente da falta de produção de insulina pelo pâncreas (Diabetes tipo 1) ou pela dificuldade de ação desse hormônio por uma resistência do organismo a ele (Diabetes tipo 2). “Esse aumento da glicemia provoca complicações de curto, médio e longo prazo e não apresenta sintomas nos estágios iniciais, o que justifica a busca da doença por exames de rotina”, detalha.

Alguns fatores de risco associados à maior probabilidade de ser diabético são: história familiar de Diabetes, em especial em parentes de primeiro grau, obesidade, sedentarismo, má alimentação, entre outros.

A Folha questionou internautas pelo Facebook, se tinham alguma dúvida sobre Diabetes, para que o especialista respondesse. Segue abaixo as dúvidas dos leitores do jornal e a resposta do Dr. André:

Diabetes tem Cura?
O Diabetes é caracterizado como uma doença crônica, ou seja, não tem cura. Porém, é totalmente possível o controle e até mesmo a remissão do Diabetes (situação em que não se nota nenhuma sinal de atividade da doença). A diferença entre cura e remissão é que, na primeira, a pessoa está definitivamente livre do problema, como quando nos curamos de uma infecção ou retiramos um apêndice inflamado; no caso da remissão, a pessoa está sem nenhum sinal do Diabetes enquanto estiver cuidando dos fatores de risco, mas qualquer deslize faz com que a doença reapareça. Portanto, é essencial controlar os fatores de risco passíveis de mudança e que levaram a pessoa a ter Diabetes, como má alimentação, sedentarismo, sobrepeso/obesidade, entre outros.

Diabetes é hereditário?
Sim, o Diabetes é uma doença com forte ligação genética e familiar. O Diabetes tipo 2, o mais comum, e o Diabetes Gestacional têm como um dos principais fatores de risco a presença de Diabetes em parentes de primeiro grau. Já o Diabetes tipo 1, aquele da deficiência de insulina, apresenta cerca de 20% dos casos familiares e 80% dos casos esporádicos (ou seja, sem ligação familiar)

Diabetes Gestacional pode se tornar permanente?
Sim, o Diabetes Gestacional é um forte fator de risco para a pessoa se tornar diabética no futuro. Lembrando que é importante diferenciar se o Diabetes foi desenvolvido por alterações ligadas à gestação ou se já era prévio à gravidez e foi diagnosticado na gestação pela rotina pré-natal. Quando a situação está relacionada apenas a alterações gestacionais, a chance de a pessoa se manter diabética no futuro é menor.

Se começou a usar insulina, é pra sempre?
Depende. Se o diagnóstico for de Diabetes tipo 1, a deficiência de insulina é permanente e a pessoa deverá utilizar insulina para sempre. No caso do Diabetes tipo 2, normalmente se utiliza insulina em algumas situações, como nos casos de doença muito descontrolada, em casos de doença com muito tempo de evolução, diabéticos que perderam muito peso ou naqueles que apresentam contraindicações ao uso de medicações, como na insuficiência renal. Porém, em muitos casos, é possível deixar de usar insulina no futuro, quando a doença estiver controlada, em especial naqueles que mudarem, pra melhor, o estilo de vida.

Falta de ar noturna pode ser do Diabetes?
Não. A falta de ar não está entre os possíveis sintomas do Diabetes. Porém, pessoas com Diabetes e com falta de ar, especialmente noturna, devem investigar possíveis doenças associadas, como insuficiência cardíaca, asma, enfisema pulmonar e, nos dias de hoje, Covid-19.

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