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Pandemia faz com que Empresa de Ônibus Campo Largo e Transpiedade passem pela pior crise em 49 anos de história

Na última terça-feira (23), a diretoria da Empresa de Ônibus Campo Largo/Transpiedade reuniu a imprensa local para pontuar a situação do transporte público na cidade.

Na última terça-feira (23), a diretoria da Empresa de Ônibus Campo Largo/Transpiedade reuniu a imprensa local para pontuar a situação do transporte público na cidade e apresentar também a crise que está sendo enfrentada pela mesma desde o início da pandemia, em março de 2020.

Com a queda no número de passageiros em 50% do que era visto habitualmente nas linhas campo-larguenses, a receita caiu. Por outro lado, as custas com diesel aumentaram e os investimentos em tecnologia, bem como pessoal e manutenção dos carros, se manteve, além da necessidade do investimento na higienização de todo o Terminal Urbano, dos veículos e cuidados da equipe de trabalho.

“Em 49 anos, a Transpiedade enfrenta hoje a sua pior crise. Além da crise financeira advinda pela pandemia, nós também temos que lidar com a situação da exposição feita pela mídia e pelas redes sociais, por problemas que não são causados pelo transporte público. Muitas vezes uma situação de problema de trânsito causa um pico maior em determinado horário, mas que já é sanado pela nossa equipe. Aquilo não aconteceu no dia anterior, não irá acontecer no dia seguinte, não acontecerá daqui três horas. Mas o registro está nas redes sociais, foi um evento isolado”, diz Rodrigo Corleto Hoelzl, diretor da empresa.

“Nós estamos aqui 24 horas por dia, sete dias da semana, para dar o nosso melhor, para fazer as melhores práticas e técnicas do transporte coletivo, para fazer frente a todas essas exigências, que fizeram com que tivéssemos inúmeros protocolos operacionais, como limitadores de ocupação de veículos, queda abrupta da demanda – uma pressão de custo, queda da receita, beirando 50% do que era no início de 2020 – e a gota d’água o aumento do óleo diesel em 2021, sendo um deles na casa dos 15%”, completa.

Durante a coletiva de imprensa, Rodrigo lembrou que o transporte coletivo em Campo Largo não sofre reajuste desde a metade de 2019 e já foi considerada a menor tarifa do Paraná, em um sistema com veículos de idade média menor de cinco anos, integração total das linhas e 100% de acessibilidade, além do comprometimento social e ambiental que a empresa realiza na cidade. 

No mês de março, antes do início da Covid-19 na cidade, o último fluxo registrado de passageiros foi de mais de 19 mil pessoas utilizando o transporte público. Há registros após isso, então, de dias com 6 mil passageiros/dia em abril, 9 mil em setembro e mesmo pouco mais de 800 em janeiro de 2021.

Foi visualizado um achatamento da curva de procura no transporte coletivo, ou seja, uma mudança nos horários de pico. Antes, estava bem desenhado os picos da manhã, final da tarde e próximo das 22h, mas hoje há uma distribuição maior de pessoas nos horários, causado também pela flexibilização das empresas, o que faz com que a necessidade da tabela de horários fique praticamente sem alteração.

O ligerinho – ônibus BRT que opera sob modo non-stop – por exemplo, durante o último ano teve toda a sua frota trocada para veículos com capacidade para 180 passageiros. Durante a pandemia, de acordo com o que foi visualizado pelos operadores de tráfego da empresa, em grande parte dos horários é possível que o usuário consiga ir sentado nas viagens intermunicipais, tamanha evasão de passageiros.

“Nós sempre adotamos o modo inteligente para evitar desperdício de dinheiro nas viagens, por isso há linhas com diferentes tipos de ônibus. Hoje na nossa frota temos cinco tipos de carros, justamente para atender cada demanda existente. Algumas vezes recebemos pedido de usuários para colocar mais um ponto de parada em uma rua ‘x’ do bairro ‘y’. Mas para isso temos uma equação, que precisa ser balanceada e bem avaliada, que leva em conta, principalmente, a experiência do usuário, como quanto tempo a mais ele ficará dentro do ônibus? É possível suprir essa demanda com outras linhas? Tudo é muito bem avaliado”, ressalta Rodrigo.

Tecnologia no transporte
Ao longo da coletiva, foi possível conhecer todos os espaços da empresa, como funciona o transporte público em Campo Largo. Todos os carros dispõem de câmeras e dispositivos que informam parada a parada os horários que o motorista passou em determinado local, além de informar avanços de velocidades permitidos para garantir a segurança do usuário.  Além disso, a equipe que atua na empresa passa por constante capacitação e os softwares utilizados são de última geração. A empresa está estruturada em todos os protocolos internacionais de práticas, que atestam a qualidade do serviço oferecido pela mesma.

Neste momento de pandemia, os controladores também conseguem acompanhar o fluxo de passageiros dentro de um veículo, para situações que houver uma demanda maior ou concentração maior de passageiros em determinada linha, possam ser tomadas medidas cabíveis à situação o mais rápido possível.

“Por meio da bilhetagem eletrônica nós conseguimos acompanhar quantos passageiros estão dentro do ônibus. Durante a pandemia, podemos rodar com 75% da capacidade, mas são raras as vezes que esse limite é atingido. Neste caso, um sinal já é enviado para o nosso Centro de Controle Operacional, que irá verificar se esse é um comportamento isolado ou se está acontecendo com frequência, se há necessidade de colocar mais um horário. Temos que analisar toda uma logística, é uma ciência”, explica Melissa Klafke, engenheira e gerente da empresa.

Para situações de lotação de 75% do veículo os motoristas são instruídos a avisar o usuário que o limite está excedido, mas não podem impedir o usuário de utilizar o transporte, vai do bom senso de cada pessoa. Vale ressaltar que essa situação – de março até agora – não aconteceu.


Recuperação  de passageiros
A empresa realizou uma pesquisa com os campo-larguenses sobre a qualidade do transporte e a avaliação geral do serviço prestado pela Empresa de Ônibus Campo Largo e a Transpiedade, na qual o índice de satisfação foi de 40%. Nesta mesma pesquisa, constataram que dos entrevistados somente 36% utilizam o transporte coletivo.
“Desde que chegou a pandemia nós conseguimos ver em números e porcentagens a nossa perda de usuários do transporte coletivo. De março a abril de 2020, com a suspensão das aulas nós tivemos queda de 26% no fluxo de pessoas. No primeiro fechamento dos comércios levou a queda de 26% no número de usuários de transporte coletivo. Para fechar essa conta, a suspensão de atendimento nas repartições públicas resultou na queda de mais 19,4% de usuários do transporte.

Ações para “sobrevivência”
As medidas para garantia do transporte coletivo também fazem parte da administração municipal, uma vez que a concessão é um contrato com a Prefeitura. Conforme foi revelado pela empresa durante a coletiva, as perdas mensais chegam a R$ 541 mil por mês e já geraram demissões de colaboradores e licenças. Não há como prever uma recuperação, mas é preciso agir com urgência para salvar o transporte público campo-larguense, conforme explica Rodrigo.

“A municipalidade está ciente dos problemas que envolvem a empresa, pois nós sempre tivemos a prática de deixá-los a par do que estava acontecendo, envolvendo todas as pastas que fazem parte do contrato do transporte coletivo, bem como o prefeito municipal. Precisamos de ações contundentes, pois estamos pagando a conta sozinhos. Temos agido com proatividade, alertado a população sobre os cuidados com a Covid-19 no Terminal Urbano, dentro dos ônibus, no nosso site, aplicativo e redes sociais. O que precisamos hoje é dessa contrapartida e apoio da Prefeitura e da confiança da população no nosso trabalho, para que consigamos atravessar essa adversidade”, reforça.

A equipe apresentou dados de cidades em todo o país que, por falta de apoio, acabaram encerrando o contrato e o município acabou ficando sem transporte público. “Não é isso que queremos em Campo Largo. Nosso desejo é continuar oferecendo o nosso transporte público de qualidade, sem onerar o cidadão que precisa utilizá-lo para se locomover de forma eficiente e barata. O que queremos reforçar é a necessidade desse apoio que precisamos ter, para um momento tão delicado que estamos atravessando”, finaliza.