Sexta-feira | 16 de Abril de 2021 22:26
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Moedas de prata de 1856 foram encontradas durante terraplanagem do terreno onde o cinema foi construído

"Escutamos um barulho choco de algo se quebrando. Vimos na hora; era um pequeno pote de cerâmica avermelhada, parecido com uma moringa, que se partiu em cacos, seguido de um tilintar. Tilintou e espalhou várias moedas prateadas que se misturaram a terra", leia o relato de Silvano Silva

“A piazada curiosa, então estudante do Grupo Escolar Macedo Soares, costumava se apinhar na lateral da escola, à beira da estrada - hoje Rua Rui Barbosa - para observar o movimento da máquina carregadeira que raspava o chão e enchia o caminhão de terra... Eu tinha 10 anos, estudava pela manhã. Terminava os estudos e depois do almoço corria para o enlevo de ver as manobras... Era um comecinho de tarde de 1960. Eu estava de atalaia, junto da turma, observando a movimentação. A carregadeira fazendo das suas peripécias... e nós de ‘butuca’.

Numa manobra que ela fez pertinho de onde a gente estava, ao jogar para o lado uma conchada de terra que acabara de pegar, foi que a coisa aconteceu! Escutamos um barulho choco de algo se quebrando - bem na nossa frente. Vimos na hora; era um pequeno pote de cerâmica avermelhada, parecido com uma moringa, que se partiu em cacos - aos nossos olhos - seguido de um tilintar. Tilintou e espalhou várias moedas prateadas que se misturaram a terra e aos cacos do pote de barro.

Ninguém, da turma que ali estava, sequer pensou numa atitude diferente. Um pulou, outro se atirou, veio mais um e catou, mais outro e pegou... o piá que estava ao meu lado - isso eu vi na hora - passou a mão grande no espatifamento do pote em meio a terra remexida e fechou apertado nos dedos um pequeno punhal dourado. Eu, no embalo da coisa, catei também o que me sobrou - que foi uma das patacas que reluziram - uma belíssima de uma moeda prateada, diga-se de passagem, que agarrei firmemente e enfiei no fundo do bolso de minha bermudinha.

Foi um alvoroço só. Eram umas oito patacas e o punhal. Isso o que eu pude ver. Porque o alvoroço do instante foi tamanho. A moeda de prata que catei, cunhada em 1856, eu guardei durante esses 60 anos. Mandei limpar, polir e continua comigo; está aí, bonita na fotografia para quem quiser ver... A panelinha de barro que se partiu e tilintou ‘pratinhas’ nas nossas fuças, aquela vez, deixou para mim, o saldo de uma pataca de 2000 Réis... resultado esse, da nossa astúcia de piá, rapidez, curiosidade infantil, da oportunidade e, porque não dizer... da sorte que se descortinou e sorriu em nossa frente naquele início de uma tarde descompromissada - a qual jamais esquecerei - no ano que era de 1960.”