Terça-feira | 13 de Abril de 2021 20:12
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Lockdown por mais uma semana e empresários se mostram indignados

Empresários não aceitam mais se manter de portas fechadas e argumentam que o comércio é seguro. Querem que outras medidas sejam tomadas para que não sejam responsabilizados, antes que além do colapso na Saúde seja também um colapso na Economia do Município

Uma situação insustentável é o argumento de muitos empresários locais, que já não sabem mais o que fazer com essa situação de lockdown. Custos que se mantêm - com funcionários, aluguel, água, luz e impostos para pagar -, mas sem ter nada de dinheiro entrando. Um ano já difícil de pandemia, com queda nas receitas, mas que agora já não sabem o que fazer com o comércio fechado.

Alguns relatam que serão obrigados a fechar, mas empresas já consolidadas na cidade já cogitam demissões por não conseguirem arcar com as despesas e sem esperança de melhora. O maior argumento que impera nas reuniões online de empresários é que a culpa não é do comércio, não podem os empresários – que mantêm a Economia ativa – serem responsabilizados pela situação que a pandemia chegou. Eles cobram mais vacinas e maior fiscalização para punir pessoas que ainda estão fazendo festas e descumprindo as regras de isolamento social.

“É lamentável o que nós estamos passando”, declarou o presidente da Acicla, Bruno Boaron, que tem realizado conversas com a Prefeitura Municipal para tentar reverter a situação e manter o comércio aberto. Nesta tarde, inclusive, uma reunião online da diretoria da Acicla será realizada para tentar chegar a soluções para o problema. Entre os assuntos a serem discutidos está bucar projetos de Lei que os amparem, nem que seja, diante desta situação, a prorrogação do pagamento de impostos municipais e parcelamento de dívidas. Ainda vão buscar formas de ter um apoio da população em geral devido à gravidade que a situação chegou.

 “O maior problema foi após o Carnaval, com significativo aumento dos casos e por consequência a contaminação progressiva. Os números estão se mantendo, mesmo em situação de lockdown. Em minha última conversa com o prefeito tentei argumentar isso, solicitei a prorrogação dos impostos e a Prefeitura justificou que não pode, senão não consegue pagar a folha. Mas e aí, como as empresas vão pagar a folha? Já passou do ponto, em nenhum momento os empresários foram chamados para discutir, são imposições que parece até uma ditadura. Estamos vendo que as coisas não estão funcionando e insistem nisso. É muito perigoso e não sei onde vamos parar, chegamos no fundo do poço. Vários entram em contato comigo dizendo que vão fechar as empresas”, lamenta Bruno.

Na próxima semana a Acicla vai lançar uma campanha para comunicar aos campo-larguenses que o comércio é seguro. Readequaram suas empresas e investiram no que foi necessário para continuarem abertos e com os cuidados necessários e exigidos nesta pandemia. Mesmo assim não foi suficiente. Até mesmo serão divulgados relatos de empresários e que não teve nenhum caso de contaminação por Covid-19 dentro da empresa, mas sim quando estavam de férias. Argumentam que todos os cuidados são tomados e não aceitam manter suas portas fechadas.

Essencial ou não essencial? Todas as empresas são consideradas essenciais, em qualquer situação. Não apenas pelo que comercializam ou oferecem de serviços, mas porque mantêm a Economia ativa, geram emprego e renda na cidade. São inúmeras famílias que dependem de todas essas empresas que estão fechadas. O impacto da pandemia tem sido muito além do que apenas na Saúde.

Além disso, os empresários comentam que os efeitos do lockdown ainda serão sentidos a longo prazo no financiamento da saúde de Campo Largo. “Com as empresas falindo a tendência é de diminuição da arrecadação de impostos futuros o que vai diminuir as verbas públicas para a saúde.” Também pode gerar ainda mais custo ao Governo, pela diminuição de pessoas com condições de pagar planos de Saúde.

 

Nota da Prefeitura

Em conversa com a assessoria da Prefeitura neste sábado, a Folha foi informada que os decretos que trazem obrigatoriedade aos municípios do primeiro anel, todos os prefeitos estão seguindo.

Eles estão seguindo esse decreto estadual e com base nas informações da Agência Estadual de Notícias divulgaram que: “A Assessoria de Comunicação esclarece que o município de Campo Largo cumprirá o novo decreto estadual n°7.194/2021, que entra em vigor dia 29 de março e segue até dia 5 de abril.

"(...) Há algumas mudanças em relação ao decreto anterior. O novo texto permite atividades comerciais não essenciais em variados espaços nas modalidades de delivery e drive thru, de segunda a sábado, das 9 às 19h, e a reabertura de parques para atividades físicas individuais. Já as atividades não essenciais realizadas por meio da internet, correio e televendas podem funcionar nos mesmos parâmetros das atividades comerciais não essenciais, de segunda a sábado, das 9 às 19h.

Também será permitido atividades religiosas, desde que respeitada a Resolução 221/2021 da Secretaria de Estado da Saúde, que estabelece o regramento das atividades religiosas e orienta que o atendimento seja prioritariamente virtual, mas permite 15% de ocupação máxima.

As demais regras são as mesmas. O decreto veta o funcionamento de estabelecimentos destinados ao entretenimento, eventos culturais, mostras comerciais, feiras de varejo e eventos técnicos. Segundo o texto, estão proibidas reuniões com aglomeração de pessoas, incluindo eventos, comemorações, assembleias, confraternizações e encontros familiares ou corporativos.

Também há restrições de horários e ocupações para algumas atividades essenciais. São considerados serviços e atividades essenciais aqueles indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, e que devem ser atendidos, sob pena de colocar em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança de pessoas e animais, bem como a segurança ou a integridade do patrimônio. (...)".