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Investimentos devem ser feitos com conhecimento e segurança, alerta especialista

Há alguns meses, anúncios sobre investimentos têm se tornado mais frequentes e mais atraentes para uma parcela da população.

Há alguns meses, anúncios sobre investimentos têm se tornado mais frequentes e mais atraentes para uma parcela da população. Seja para garantir uma rentabilidade maior do dinheiro ou para conseguir formar uma reserva financeira, os investimentos podem ser considerados como uma boa escolha, porém, é sempre importante ficar atento aos encaminhamentos feitos com o seu dinheiro.

“Nós estamos passando por uma fase difícil em vários âmbitos e isso tem despertado a atenção das pessoas para a necessidade da segurança financeira para a família, tanto em um caso de falecimento, como desemprego também. Por isso, tenho atendido cada vez mais pessoas interessadas em organizar sua vida financeira, a começar por quitar as dívidas do cheque especial e cartões de crédito, por exemplo, início da construção de uma reserva financeira e então um investimento. Essa estruturação é essencial para colher bons frutos no futuro”, explica Antonio Carlos, Planejador Financeiro Pessoal e Consultor de Investimentos.

Estudar é fundamental
Antes de tudo, Antonio explica que guardar é diferente de investir e que objetivos são importantes para ambos os casos. “Você precisa ter claro em mente o que deseja fazer com o dinheiro, qual o seu objetivo. É ter uma estabilidade durante a terceira idade? Garantir uma faculdade para seus filhos? Colocar metas é essencial. Definido isso, independente do valor, você iniciará a sua jornada com a reserva de emergência, essencial para imprevistos e que fará com que você não utilize cheque especial ou recorra a empréstimos com juros altíssimos. É importante falar isso porque dificilmente investimento irá ultrapassar o valor de juros de dívidas como estas”, diz.

Em seguida, quando a vontade é de investir, é importante procurar uma ajuda profissional para que o dinheiro guardado com tanto custo, não acabe se perdendo em escolhas erradas. “Há muitas oportunidades que irão depender da própria personalidade da pessoa. Costumo dizer que ela sempre procura um médico quando está com problemas de saúde, um dentista quando está com problemas nos dentes, mas não procura um consultor financeiro na hora de decidir o que é o melhor para garantir a segurança financeira. Temos a opção da poupança, CDB, fundo de crédito privado, multimercado, ações, investimentos em negócios locais. São muitas opções”, comenta.

O alerta está em investir sem conhecer e acabar perdendo dinheiro. “Hoje existem sites e aplicativos que prometem dinheiro fácil, com rendimentos absurdos diariamente. Isso não existe. Quando falamos, por exemplo, de um rendimento de 1% ao dia, com um investimento de US$ 1000, em 2120 dias, teremos o PIB do Brasil. É impossível um rendimento como esse. Você tem que movimentar o dinheiro, mas dentro da racionalidade”, orienta.

Para garantir que está sendo atendido por profissionais qualificados, Antonio orienta procurar um profissional com certificação CFP, Certified Financial Planner, emitido no Brasil pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros), que é afiliada ao Financial Planning Standards Board FPSB é a entidade responsável pelo gerenciamento, desenvolvimento e promoção da marca CFP no mundo, de acordo com publicação da Expert XPi. Informações divulgadas pelo Banco Central também são sempre importantes.

“Ser racional neste momento é extremamente importante. Cuidado com conversas, mesmo de pessoas conhecidas, que o dinheiro rendeu muito em x lugar, ou investir só porque alguém da família fez. Existem muitos esquemas de pirâmides neste meio e é importante estar alerta. O valor da confiança é sempre muito alto para as instituições, que seja para você também na hora de escolher onde investir”, orienta.

O valor da “confiança”
Antonio explica que o rendimento do investimento é como uma gratificação pela “confiança” do dinheiro empenhado para algum trabalho ou negócio. “Investimento nada mais é do que você emprestar o dinheiro para o banco, ele repassar para alguém e te devolver com uma gratificação. Essa gratificação é estipulada pelo rendimento que a modalidade que você empenhou seu dinheiro, pode ser na poupança, Tesouro, ações etc. Mesmo quando você empresta o dinheiro para um amigo investir no próprio negócio dele, você receberá essa gratificação, que virá por meio de juros ou com parte no lucro do estabelecimento que ele abriu em caso de sociedade, por exemplo”, explica.

Essa “confiança” costuma ser bem cara quando está do outro lado da moeda, por exemplo. “Quando você precisa pegar emprestado, existem vários níveis de confiança exigidos pelo banco, por isso há variáveis de juros conforme a modalidade do empréstimo. Quando falamos em um financiamento imobiliário, por exemplo, os juros são mais baixos porque em caso de inadimplência o banco consegue retomar o bem, que é o imóvel. Já no cheque especial, essa ‘confiança’ é bem cara, pois trata-se de ‘papel’, dinheiro impresso, que não há como reaver”, completa a explicação.