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Comunidade escolar se mobiliza e protesta contra fechamento do C.E. João Ferreira Kuster

O protesto reuniu pais de alunos, alunos, professores, colaboradores, membros da comunidade e a APP Sindicato na manhã desta terça-feira (19); município e Estado respondem sobre a situação

Parte da comunidade escolar que compõe o Colégio Estadual João Ferreira Kuster se reuniu na manhã desta terça-feira (19) para protestar contra o fechamento da instituição. A instituição encontra-se em dualidade administrativa – ou seja, município e estado dividem o mesmo espaço – e haveria um interesse de ampliação da rede municipal, que é a Escola Municipal Alexandre Sávio. Para isso, seria necessário utilizar a parte das salas do estado.

Ainda em fevereiro deste ano, a Folha de Campo Largo conversou com as partes que estavam conversando sobre o que haveria de ser feito e os rumos aos quais o colégio tomaria. À época, as Secretarias de Educação do Estado e Município explicaram que os acordos vinham sendo feitos desde 2018. Desde 2019, duas salas foram pedidas pelo Município.

A primeira opção era que o Colégio Casemiro Karman, que fica a 2 Km, no bairro Rivabem, absorvesse os alunos do Colégio João Kuster. Porém, agora em outubro, a intenção é que os alunos sejam enviados para o Colégio Darlei Adad, localizado no bairro Ouro Verde, a aproximadamente 2,5 km do João Kuster e já com as turmas preenchidas, conforme explicaram à Folha os representantes da comunidade escolar. A retomada dos alunos para o bairro Jardim Social seria feita após conclusão da construção de uma nova escola, ainda sem previsão de início ou término.

Representantes explicam
“A denúncia do fechamento deste colégio chegou até mim na última sexta-feira (15), por meio de um e-mail enviado para a diretoria desta instituição. Desde então, venho recebendo ainda mais detalhes desta denúncia, com indignação, tanto desde estabelecimento de ensino como de outras da região de Campo Largo com essa constatação. Desde o início do ano estamos apresentando toda a documentação, defendendo o não fechamento do CEJFK para o prefeito Maurício Rivabem e sua equipe, sobre a necessidade de uma construção de escola nova para esse bairro que é bastante populoso e que no futuro terá uma demanda ainda maior de alunos nesta faixa etária”, explica Simone Barbosa, presidente da APP Sindicato – Núcleo Metrosul.

A representante da APP Sindicato segue dizendo que a Prefeitura designou um terreno para a construção de um colégio estadual no bairro – próximo aos condomínios Campo Largo I e II – e o que é solicitado é mais tempo. “A escola possui um número expressivo de alunos no Ensino Fundamental e Médio e que, conforme a construção seja efetivada, então seja feito o deslocamento, não de um bairro a outro, mas de uma instituição para outra. Vamos fazer todas as conversas possíveis para conseguir mais tempo. Já temos a solução, só precisamos de calma e cautela”, reforça.

O fechamento está previsto para o próximo dia 21 de dezembro, com remanejamento para instituição de outro bairro, e quando a escola estiver finalizada, então os alunos retomam para o bairro Jardim Social. Mas sabemos que há estudos que comprovam que o deslocamento para outro bairro é um dos fatores que podem gerar a evasão escolar, principalmente durante o período noturno. A construção de uma escola para este bairro, que é muito populoso, é extremamente importante para todos”, reforça a presidente.

Franciele Cordeiro, mãe de aluno e representante da APMF do Colégio João Ferreira Kuster, conta que muitas famílias têm mais de um filho estudando na instituição e se tornaria bastante complicado colocar um em cada escola. “São mais de 2 km de distância entre uma instituição e outra. No ano passado já conversamos com eles, entramos em acordo e a Prefeitura disse que iria ceder um espaço para construir um colégio novo. Porém, nós imaginamos que ficaríamos aqui até o novo prédio ficar pronto, mas não é o que vai acontecer. Eu tenho duas crianças, uma em cada instituição, já fico pensando como vai ficar quando estiver chovendo, estiver frio. Ninguém falou nada sobre transporte público até agora, vai ser um gasto a mais para a Prefeitura. E quem estuda à noite? Que pai vai ter coragem de deixar seu filho ir e voltar sozinho à noite da escola tão longe de casa? Não é todo mundo que tem carro para ir buscar e levar. Ter vaga próximo de casa é um direito deles”, reforça.
“Não é todo mundo que mora aqui, colado com o colégio, então a distância é muito variável. Há alunos que vão ficar a 3,5 km, até 4 km de distância do colégio que está sendo proposto. Além disso, somente no Ensino Médio noturno há 90 alunos estudando aqui. Há estrutura para absorver tantas turmas? É uma mudança extremamente complexa, por isso fechar a instituição não é a solução”, completa o professor Avanir Mastey.

O que dizem as mantenedoras
À Folha, a Secretaria Estadual de Educação (Seed) disse que “não há fechamento de escolas. O que existe é um estudo da Seed-PR em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação de Campo Largo - que será debatido com a comunidade - para possíveis adaptações em colégios com dualidade no município, de modo que eles melhor atendam as duas redes”.

A SME de Campo Largo também explicou por meio de nota que necessita de salas de aula para o ano de 2022 de acordo com reuniões realizadas desde 2018. “Além do aumento pela procura de vagas na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a Prefeitura, por meio da SME quer atender a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) e Plano Municipal de Educação (PME), para oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos 25% dos alunos da Educação Básica até o final da vigência do plano.
A Prefeitura e a SME estão sempre abertas ao diálogo e suas ações são pautadas na legalidade. A Prefeitura está agilizando o processo de compra e doação de um terreno para doação ao Governo do Paraná e a jurisdição de construção do prédio pertence ao Estado”, diz a nota.