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Campo-larguense é finalista no Prêmio Jabuti, o mais importante da Literatura Brasileira

Entre os cinco finalistas. O campo-larguense Arzírio Cardoso recebeu a notícia nesta semana que está entre os finalistas do Prêmio Jabuti, o mais importante da Literatura Brasileira.

Entre os cinco finalistas. O campo-larguense Arzírio Cardoso recebeu a notícia nesta semana que está entre os finalistas do Prêmio Jabuti, o mais importante da Literatura Brasileira. O escritor é poeta e cronista, graduado em Letras e mestrando em Estudos de Linguagem e Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

“No Ensino Médio eu já escrevia sem que a professora precisasse pedir. Mas foi quando entrei no curso de Letras que passei a escrever com mais empenho e de forma mais regular, já com o objetivo de fazer da escrita um ofício”, contou em entrevista à Folha. “Escrevo crônica e poesia, predominantemente. O primeiro estalo para escrever, a primeira ideia (o que chamam de inspiração) pode surgir de qualquer lugar, cenas banais do cotidiano ou grandes acontecimentos são ambos temas potencialmente literários. Depois dessa primeira fagulha vem a labuta com o texto, escrever e reescrever e escrever de novo. Então eu diria que a inspiração é exageradamente valorizada, pois o que conta mesmo é o trabalho posterior, palavra a palavra”, completa.

Arzírio tem três livros publicados, sendo dois de poesia, “Bromas & Bromélias” e “Cartógrafo de Dunas”, e um de crônicas, “Conheço duas formas de acabar com a vida que são tiro e queda”, além de participação em várias antologias. Segundo o site da editora Penalux, o escritor campo-larguense tem poemas e crônicas publicados nas principais revistas literárias do país, como Mallarmargens - revista de poesia e arte contemporânea; Germina - revista de Literatura e Arte; e no jornal literário RelevO.

Participação no Prêmio Jabuti
O Prêmio Jabuti completa sua 63ª edição em 2021 e, conforme o próprio site da premiação define, tem como maior diferencial a sua abrangência. “Além de valorizar escritores, ele destaca a qualidade do trabalho de todos os profissionais envolvidos na criação e produção de um livro. Anualmente, editoras dos mais diversos segmentos e escritores independentes de todo o Brasil inscrevem suas obras em busca da tão cobiçada estatueta e do reconhecimento que ela proporciona. Receber o Prêmio Jabuti é um desejo acalentado por aqueles que têm o livro como instrumento de cultura”, traz o site.

O autor campo-larguense explica que o Prêmio Jabuti é um concurso dividido em categorias, entre os livros publicados no ano anterior. Em 2021, concorrem os livros de 2020. Para participar, é preciso atender a esse critério de publicação. “A sensação é muito boa, à parte a angústia e a ansiedade que antecedem a divulgação da lista de finalistas. Porque primeiramente eles divulgam uma lista com os dez finalistas, e só uma semana depois sai a última lista, com os cinco. Então dá pra imaginar como fica a cabeça e o coração nesse intervalo”, comenta.

O resultado será divulgado no dia 25 de novembro, às 19h. “Tradicionalmente, a cerimônia acontece no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, mas, devido à pandemia, em 2021 ela será feita virtualmente, assim como foi em 2020. O mestre de cerimônias será o ator Dan Stulbach e haverá transmissão pelo canal da Câmara Brasileira do Livro, no YouTube”, informa.

Essa não é a primeira participação em premiações do escritor Arzírio. Em 2017, ele venceu o Prêmio Escriba de Crônicas, concorrendo com mais de 900 escritores. Em 2020, foi contemplado pela Lei Aldir Blanc, no concurso “Outras Palavras - Prêmio de Obras Literárias”. E em 2021, o livro inédito, que deve ser lançado em 2022, “Crônicas de quarentena e outras virulências” venceu o Prêmio Literário Cidade de Manaus. Porém, ele comenta que o Jabuti é diferente porque “é o mais importante e mais tradicional, existe desde 1959 e já premiou gente como Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles”.

Um pouco do livro
“As crônicas do livro ‘Conheço duas formas de acabar com a vida que são tiro e queda’ foram escritas entre 2017 e começo de 2020. Mas, como costumo dizer, todo livro levou uma vida inteira para ser escrito. Os temas são bastante variados, mas o tom geral é o humor, como já revela o título do livro. Gosto de escrever sobre língua e linguagem, já que sou professor de Português. Mas também há textos mais reflexivos e filosóficos. E como é característica do gênero crônica, observações do cotidiano também estão presentes. Há até uma sobre a cidade de Campo Largo”, revela.

O título do texto que se refere à cidade é “Notícias da terna e alvissareira cidade de Campo Largo da Piedade, Paraná”, e segundo Arzírio “é ambíguo, pois a crônica é um pouco crítica, ao mesmo tempo que é esperançosa”, finaliza.