Terça-feira | 13 de Abril de 2021 20:14
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Campo-larguense cria porcos em extinção de maneira orgânica em parceria com a UFPR

Um projeto bastante diferente e que causa curiosidade para saber mais. A Chácara Capão da Imbuia, localizada no Retiro Grande, em Campo Largo, se dedica na criação de porcos em extinção da raça Moura

Um projeto bastante diferente e que causa curiosidade para saber mais. A Chácara Capão da Imbuia, localizada no Retiro Grande, em Campo Largo, se dedica na criação de porcos em extinção da raça Moura, que possuem cerca de aproximadamente 120 animais apenas, espalhados entre vários criadores do Paraná. A criação faz parte de um projeto da Universidade Federal do Paraná, em parceria com os proprietários, que criam os animais de maneira orgânica.

Eliane Barge, responsável pela propriedade, contou à Folha de Campo Largo que é estudante de Agroecologia do Instituto Federal do Paraná - Unidade de Campo Largo e realizou uma visita ao Centro Paranaense de Referência em Agroecologia do Paraná (CPRA), que fica localizado no município de Pinhais. “Fiz a inscrição da minha propriedade neste dia e fomos escolhidos para receber a criação destes animais, que são porcos em extinção da raça Moura, que estão em processo de recuperação, para que então possam voltar para o mercado. A raça Moura é considerada o Angus dos suínos, a sua carne tem um marmoreiro diferenciado, é vermelha e bem mais suculenta.”

Tratamento diferenciado
Neste projeto da UFPR estão envolvidos cerca de 40 produtores, que têm o acompanhamento de veterinários e zootecnistas da instituição. Não são usados quaisquer tipos de medicamentos químicos nos animais, e quando necessária alguma intervenção, são realizadas com remédios fitoterápicos ou homeopatias. O tratamento dado aos animais é completamente diferente, quando comparado aos porcos em confinamento, por exemplo.

Os porcos do projeto recebem somente alimentos orgânicos e vivem livres, sendo recolhidos ao final do dia, para evitar os ataques de animais. Eliane explica que isso influencia mesmo na procriação destes animais. “Nós chegamos a ter filhotes de 13 a 14 leitões por parto da porca. Mas sabemos que há porcas do projeto que chegam a parir até 16 leitões e o criador precisa amamentar com a mamadeira. Tudo se deve à criação diferenciada do animal e ao tipo de alimentação administrada, que é a mais natural possível”, revela.

Eliane comenta que os porcos são animais muito inteligentes e carinhosos, que acabam até brincando com os criadores e se aproximando para ganhar agrados.
“Esse é um projeto que começou em 1980, teve uma pausa e recomeçou há alguns anos. Nós temos hoje um cachaço, que é o macho do porco e mais quatro matrizes, que são as quatro fêmeas, que procriam, além dos filhotes que elas geram. Uma dessas fêmeas pesa 315kg, então são animais bem grandes. A criação é para reestabelecer a espécie, mas também visa o mercado, a comercialização de uma carne mais saborosa e de qualidade. Em média o porco é vendido quando atinge de 100 a 110 kg, o que acontece dentro de oito meses aproximadamente, dependendo da alimentação e desenvolvimento do animal”, comenta.
Embora os porcos visem o mercado, todo esse cuidado que tem sido feito e o acompanhamento dos pesquisadores e criadores fará com que a raça não seja extinta da natureza, mantendo o equilíbrio necessário.