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As lembranças de Amadeu Mazzo de uma empresa que era uma grande família

Aos 14 anos de idade, Amadeu Mazzo foi um dos primeiros 11 funcionários da PIP - Porcelana Industrial Paraná. Neste local, que depois teve outros nomes, ficou por 47 anos trabalhando

Por: Danielli Artigas de Oliveira
Aos 14 anos de idade, Amadeu Mazzo foi um dos primeiros 11 funcionários da PIP - Porcelana Industrial Paraná. Neste local, que depois teve outros nomes, ficou por 47 anos trabalhando. Ele relata que os funcionários eram todos da região do Botiatuva - em sua grande maioria, filhos de agricultores que viram na empresa uma oportunidade de mudar de vida.
 
Ele lembrou que não só uma boa relação dos funcionários com os donos, mas as famílias também faziam parte desta história. “O Sr. João Stukas construiu o conhecido pelos funcionários da empresa como rancho, um barracão com churrasqueira, sauna e uma adega, onde o senhor João Stukas produzia o vinho, local onde os funcionários se encontravam nos finais de semana para um churrasco, jogar baralho. Tudo era compartilhado com os funcionários. Mais tarde foi criado um time de futebol entre os funcionários e liderados pelo Sr. Osires Marcon. Na frente da empresa foi construído um campo de futebol. Toda construção e manutenção deste campo era feita pelos próprios funcionários que não mediam esforços para, depois do expediente e nos finais de semana, se reunirem para cortar a grama, marcar o campo com cal. Era uma parceria muito forte. Os funcionários sentiam prazer em trabalhar depois do horário e finais de semana gratuitamente, como forma de lazer”, relatou.
 
O time de futebol da PIP era formado por bons atletas e o campo era também ponto de encontro nos finais de semana dos funcionários e familiares. Sempre teve incentivo ao esporte, não só ao futebol de campo, mas também ao futebol de salão, vôlei feminino e masculino. Sempre participavam de campeonatos entre empresas e com outros municípios.
 
Ia muito além de uma empresa. Amadeu disse que João Stukas criou também uma cooperativa de alimentos, no início com itens de primeira necessidade, onde os funcionários podiam comprar mais barato. Com o tempo, foram concedidos mais benefícios aos funcionários. “Na década de 1970 a PIP foi vendida para o Grupo Lorenzetti de São Paulo. O então presidente José Maria Benedicto de Arruda Botelho, um homem muito íntegro, humano, sentiu o diferencial da empresa, e como ele mesmo sempre dizia: ‘Somos todos uma grande família’.” 
 
A maioria dos funcionários ficou ali até se aposentar. “Era o sonho dos pais que ali trabalhavam ver seus filhos trabalhando ali também, e assim foi, passando de geração para geração. A medida que a empresa crescia em tamanho, crescia também na estrutura, nos benefícios oferecidos aos funcionários e familiares”, afirmou Amadeu. “A empresa era extensão da casa dos funcionários”, concluiu.
 
(uma homenagem a ele que concedeu entrevista à Folha e faleceu dias depois, no dia 05 de fevereiro)
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