Quinta-feira às 25 de Julho de 2024 às 04:08:38
Saúde

Casos de bronquiolite viral aguda aumentam no inverno e famílias devem ficar atentas à prevenção

Uma doença que inicia de maneira silenciosa e pode até mesmo ter um desfecho triste, levando a óbitos de crianças pequenas e idosos com idade superior a 60 anos.

Casos de bronquiolite viral aguda aumentam no inverno e famílias devem ficar atentas à prevenção

Uma doença que inicia de maneira silenciosa e pode até mesmo ter um desfecho triste, levando a óbitos de crianças pequenas e idosos com idade superior a 60 anos. Entre os vírus que mais causam a doença estão o sincicial respiratório (VSR), influenza, adenovírus e rinovírus. Segundo a Fiocruz, o vírus sincicial respiratório é o responsável por 58% dos casos de síndrome respiratória aguda grave.

No Hospital Infantil Waldemar Monastier, em Campo Largo, de 70 a 80% dos internamentos são por quadro respiratório - podendo ser ou não em decorrência de bronquiolite - sendo considerado a maior causa de internamentos na instituição.

A Folha conversou com a Dra. Angélica Imroth, médica pediatra (CRM-PR 21710 RQE 14741), que explicou que a bronquiolite viral aguda é uma doença respiratória que acomete os bronquíolos. “A infecção causa inflamação dessas estruturas, que são a menor porção por onde passa o oxigênio nos pulmões. Com essa inflamação, o ar passa com dificuldade e há também uma maior produção de muco, causando o estreitamento dos bronquíolos e o chio no peito.”

Dra. Angélica explica que a doença acomete, principalmente, crianças menores de 02 anos de idade e é mais grave em menores de 03 meses. Prematuros, cardiopatas e crianças com problemas pulmonares têm maior risco de complicações e internamento.

“No início é como um resfriado comum, com coriza, obstrução nasal e tosse. Pode ou não haver febre. Do terceiro ao quinto dia surge o aumento da tosse, falta de ar, respiração acelerada, chio no peito e esforço para respirar. O diagnóstico da bronquiolite viral aguda é clínico e não são necessários exames complementares. É transmitida por contato e gotículas, ou seja, de pessoa para pessoa. Deve-se evitar aglomerações e contato com pessoas doentes como medidas de prevenção”, alerta.

A pediatra ressalta ainda que não há um tratamento específico, mas o mais indicado pelos médicos normalmente é hidratação e oxigenioterapia, além do conforto e tratamento de sintomas. Entre os sinais de alerta para procura de atendimento médico imediato são o cansaço, falta de ar, respiração rápida e esforço respiratório.
“Em época de pronto atendimento e hospitais lotados, fica o apelo para que se restrinjam visitas para bebês menores de 03 meses e que só saiam com os bebês para lugares extremamente necessários”, alerta.

Vacinação
Dra. Angélica ressalta que existe vacina para influenza (gripe) e já foi aprovada a vacina para o VSR para gestantes, o que impactaria na imunidade de bebês até 06 meses, porém ainda não está disponível no Brasil. Em abril deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro da vacina Abrysvo, da farmacêutica Pfizer. A dose combate o vírus sincicial respiratório (VSR), causador de infecções no trato respiratório, como a bronquiolite.

Em nota, a Anvisa destacou que o imunizante é indicado para a prevenção da doença do trato respiratório inferior em crianças desde o nascimento até os 06 meses de idade por meio da imunização ativa em gestantes. A dose também foi autorizada para a prevenção da doença do trato respiratório inferior em pessoas com 60 anos ou mais, população também considerada de risco para a doença.

A vacina Abrysvo é descrita como bivalente, já que é composta por dois antígenos da proteína de superfície F do VSR. A administração é intramuscular e em dose única. Segundo a Anvisa, o imunizante deve ser aplicado durante o segundo ou terceiro trimestre da gestação.

“Como todo medicamento, foram observados alguns efeitos colaterais na administração do imunizante, sendo os mais comuns: dor no local da vacinação, dor de cabeça e dor muscular”, destacou a agência. “Ainda assim, a totalidade das evidências apresentadas à Anvisa foi capaz de demonstrar que os benefícios da vacina são superiores aos seus riscos.”

A Anvisa já havia autorizado o registro da vacina Arexvy, da farmacêutica GlaxoSmith Kline, também destinada à prevenção de doenças causadas pelo VSR, porém, com indicação restrita à população com idade superior a 60 anos.