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Conheça a merenda escolar diferenciada para 14 mil crianças da rede pública de Campo Largo

Prefeitura possui nutricionistas que valorizam, além da nutrição, hábitos, cultura e produção regional alimentar

Conheça a merenda escolar diferenciada para  14 mil crianças da rede pública de Campo Largo

“Eu nunca trago lanche de casa porque gosto do lanche da escola”, dispara a pequena Camile (foto, de blusa vermelho), de 5 anos, aluna da Escola Municipal Diácono Edgard Marochi, enquanto terminava de comer seu brócolis satisfeita. Esse é o legume preferido dela, da amiguinha Eloá (também de 5 anos) e, aliás, de grande parte da turminha de Educação Infantil 4 e 5 que estava com elas na hora do lanche. O cardápio do dia foi arroz, feijão, carne de panela e brócolis, tudo preparado com muito carinho pela Marilene de Jesus Vieira (foto), merendeira da escola há 11 anos.

Conhecida como “tia Mari”, ela é famosa entre os estudantes da escola e já conhece os gostos das crianças. Inclusive defende que na hora de comer é importante respeitar o gosto de cada um e não forçar a comerem o que não gostam. Depois de cozinhar, junto com as professoras ela mesma monta os pratos com o que cada um quer comer no dia, conversando com as crianças. “Meu trabalho é muito gratificante e verdadeiro. Percebo que, muitas vezes, alguns dos alunos saem de casa para lanchar na escola, nem todos tem tudo o que a merenda oferece na escola. E isso é muito sério. Outro ponto é que criança é assim: se gosta, gosta. Se não gosta, fala. Então tudo é muito simples e não é preciso esforço para agradar”, afirma. 

Haja preparo das merendeiras nas Escolas Municipais e CMEIs. Por isso, dentro da Secretaria Municipal de Educação, existe uma equipe de quatro nutricionistas que compõem a Divisão de Alimentação Escolar. Elas planejam, realizam visitas periódicas às instituições e supervisionam a execução dos cardápios no ambiente escolar. Isso significa que todos os 14 mil alunos das Escolas Municipais e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) de Campo Largo comem bem, com acesso a uma merenda equilibrada e saudável recebida diariamente.

Tia Mari garante que, com a experiência, já sabe de cor as quantidades de comida para o preparo nos panelões. Também não deixa de temperar com cebola e manjericão, tudo “trituradinho”, ou seja, cozinha com aquele jeito de temperinho de casa. E assim como as professoras, acompanha a infância das crianças desde que entram na escola, até o último ano. Já foi até reconhecida na rua por alunas que hoje estão na faculdade. 

Essa proximidade faz com que a merendeira não erre nas preferências das turmas. “Kiwi é a fruta que todos gostam aqui na escola. A nutricionista ensinou às crianças o jeito de comer, de usar colher, e eles gostam muito. Fazem direitinho”, conta ela. A sobremesa do dia era escolher entre as frutas mimosa ou kiwi, e a opção verdinha ganhou disparado. Quem estava se deliciando com uma metade era a aluna Alice (foto, de blusa branca), de 5 anos, que entre uma colherada e outra revelou comer a fruta só na escola, “pois é muito cara e em casa quase não tem”. 

Segundo Isis Delfrate Rodrigues, uma das nutricionistas da Divisão de Alimentação Escolar do município, a alimentação escolar do município procura ofertar, em sua maioria, alimentos in natura ou minimamente processados, promovendo Segurança Alimentar e Nutricional. Assim é seguido também o Guia Alimentar para a População Brasileira, a Resolução CD/FNDE nº 6/2020 (de 8 de maio de 2020) e os objetivos e recomendações do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). “As crianças daqui comem legumes, verduras e frutas frescas no mínimo três vezes por semana. Tomam sucos de frutas sem açúcar, cereais e grãos, e ainda têm carnes, ovos e peixes frescos. Visando prevenir deficiências nutricionais, são priorizados alimentos fontes de ferro e de vitamina A. Buscamos produtos que sejam, sempre que possível, oriundos da agricultura familiar e de empreendedores familiares rurais da região”, expõe a nutricionista. Dessa maneira, a alimentação oferecida pela Prefeitura de Campo Largo, respeitando os hábitos e a cultura alimentar local, atende de 20 a 70% das necessidades nutricionais e de energia dos estudantes, de acordo com a faixa etária e o tempo de permanência na escola. 

“Uma alimentação correta favorece o crescimento, o desenvolvimento e o desempenho escolar, além de promover qualidade de vida e prevenir diversas doenças. Os cuidados com a alimentação escolar garantem nutrientes e energia necessários para melhor aprendizagem, e ainda são oportunidades para formar práticas alimentares saudáveis que eles levam para suas casas e família”, finaliza a nutricionista.

O que não tem no prato - Produtos em conserva e bebidas lácteas com aditivos ou adoçadas aparecem, no máximo, uma vez ao mês, assim como doces. E a oferta de biscoitos, bolachas, pão ou bolo é limitada a duas vezes por semana nas escolas. O município também substitui a margarina por manteiga e não oferece preparações com adição de açúcar, mel ou adoçante, nem alimentos ultraprocessados para crianças de até três anos.

Quantidades - Os CMEIs em período parcial oferecem duas refeições e, em período integral, quatro refeições. Já as Escolas Municipais oferecem uma refeição por dia para alunos em período parcial, e três refeições em período integral. Vale ressaltar que são elaborados, também, cardápios adaptados para atender estudantes diagnosticados com necessidades alimentares especiais como doença celíaca, diabetes, alergias e intolerâncias alimentares, entre outras.