Terça-feira às 24 de Maio de 2022 às 09:01:44
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Opinião

Viver uma maternidade sem culpa é possível?

Para tudo isso, é imprescindível a organização e o estabelecimento de uma rotina saudável para a família.

Viver uma maternidade sem culpa é possível?

Se você é mãe ou ainda vai ser, além do amor incondicional pelo seu filho, um dia vai acabar sentindo culpa, infelizmente e ainda que não deva se sentir assim. Há mães que sentem culpa por precisar trabalhar e deixarem seus filhos na escola ou com alguém; há mães que se sentem culpadas por estarem em casa, sem retornar à carreira após vivenciar essa nova experiência. Inclusive há mães que se sentem culpadas por não ter levado seus filhos antes do médico para garantir um diagnóstico mais rápido e preciso, há aquelas que se sentem culpadas por não amamentar, por deixar dormir sozinho... A sociedade está acostumada a apontar os dedos para as mães, mas elas são o puro esforço e dedicação aos seus filhos, independente do estilo de vida que decidam adotar ou das possibilidades disponíveis, mas o que as mães precisam é de suporte, apoio e muito amor, independente da fase de vida em que seus filhos se encontram.

A necessidade de cuidar de cada detalhe acaba sendo desafiadora. Cuidar dos filhos, da casa, para quem decide trabalhar - cuidar da carreira, aquelas que têm um relacionamento, precisam dar atenção ao parceiro, além de toda a cobrança estética em cima das mulheres. Mesmo para aquelas que não decidem ter filhos ou relacionamentos estáveis, essa decisão parece impactar a vida de pessoas que nada tem a ver com a mulher. Estar exposta a essas situações resulta em vários distúrbios emocionais, que podem desencadear casos de depressão, ansiedade e outros, imagine quando são responsáveis por outras vidas também. A pressão social na mulher ainda é extremamente grande e não traz benefício algum para ela; pelo contrário, ela pode a adoecer.

Estar aberta à possibilidade de ser mãe é uma grande bênção. Uma mulher não gera somente uma vida, mas gera toda uma descendência, gerações acabam sendo influenciadas diretamente por aquele nascimento que acaba de acontecer. Ao pegar o filho nos braços pela primeira vez, naquele momento pós-parto é que se percebe que a responsabilidade sobre ele não vai até os 18 anos, mas se perpetuará por toda a vida da mãe ou da criança. Ter em mente todo esse desafio já é uma grande carga e responsabilidade.

Para conseguir dar conta dessa árdua, mas extremamente recompensadora tarefa de ser mãe, é preciso primeiro ter seu tempo de qualidade com a criança. Isso irá impactar em toda a maternidade, criando laços de afeto entre mãe e filho que ficarão registrados para sempre na memória de ambos. Brincar, se colocar à disposição da criança, ler para ela e criar brincadeiras novas faz toda a maternidade ter um novo sentido e ser muito mais colorida. As mães precisam de uma rede de apoio que passe confiança e que esteja disponível para ajudá-la, principalmente quando se é mãe solo. Todo indivíduo precisa cuidar de si mesmo, seja com a prática de exercícios físicos, meditação, ir ao médico, dentista, fazer algum tratamento, ou mesmo se divertir, sair com os amigos é importante. A mãe precisa ter sim esse momento individual e único seu.

Para tudo isso, é imprescindível a organização e o estabelecimento de uma rotina saudável para a família. As mães são sempre o nosso primeiro modelo a ser seguido e a maneira como ela organiza o tempo impacta diretamente na vida e na criação das crianças. Não precisa ser metódica, mas pelo menos é necessária a organização que nos dá confiança, que abraça quando se volta para casa. Quando dizemos que nada como a casa da mãe, da avó, tia, ou outra figura materna, sabemos, ainda que no inconsciente, que muito mais que o espaço, o lar é o abraço, aconchego e carinho. Nosso lar é a nossa própria mãe! Feliz Dia das Mães!