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Saúde

Vaginismo tem cura e melhora a qualidade de vida

Uma condição que atinge cerca de 5% da população feminina em todo o mundo, segundo o Portal Uol, e que pode comprometer toda a vida sexual feminina

Vaginismo tem cura e melhora  a qualidade de vida

Uma condição que atinge cerca de 5% da população feminina em todo o mundo, segundo o Portal Uol, e que pode comprometer toda a vida sexual feminina, impactando diretamente no psicológico, físico e nos relacionamentos, o vaginismo tem tratamento e cura e há necessidade de se quebrar o tabu.

A Folha de Campo Largo conversou com a fisioterapeuta pélvica Dra. Marciane Gequelin e com a psicóloga e especialista em Sexualidade Humana, Carolina Gadens Marchiori. De maneira geral, o vaginismo é um transtorno da dor, no qual ocorre contrações involuntárias dos músculos da vagina. Essa contração dificulta ou impossibilita a penetração. Geralmente o diagnóstico é dado pelo ginecologista e o tratamento ocorre de forma multidisciplinar com o terapeuta sexual e o fisioterapeuta pélvico.

Ambas as profissionais enfatizam que não pode ser generalizado e considerar toda e qualquer dor durante o ato sexual como vaginismo. É importante ressaltar a necessidade de uma avaliação médica adequada, para encaminhamento ao tratamento correto. As profissionais defendem ainda que não há normalidade na dor, por isso é sempre importante buscar pessoas qualificadas, que farão o diagnóstico corretamente.

Tratamento com fisioterapia
Dra Marciane explica que o vaginismo é uma contratura dos músculos do assoalho pélvico, a mulher não consegue ter controle sobre eles. “Os músculos do assoalho pélvico são os que sustentam órgãos da nossa pelve, na famosa ‘bacia’. Essa contração gera dor, que pode ir de zero a quatro graus. Essa contração involuntária impede a mulher de relaxar, ela realmente não consegue aliviar essa tensão criada nestes músculos. Isso envolve vários fatores, como uma primeira relação sexual ruim, um abuso sexual, uma cirurgia, pós-parto, principalmente em casos de episiotomia, que é o corte na região do períneo e que na cicatrização pode causar fibroses e aderências, causando dor na relação sexual, enfim varia de mulher para mulher.”

“Algumas vêm para o tratamento porque criaram um bloqueio por conta da criação. Ao invés de ter uma conversa voltada para a educação sexual, há pessoas que acabam assustando, dizendo que dói e criando bloqueios nestas meninas, que crescem e iniciam a vida sexual pensando que para ela também irá causar essas dores”, diz.

O vaginismo acaba atingindo mulheres que possuem vida sexual ativa de várias faixas etárias. Há casos em que a mulher não consegue realizar exames ginecológicos ou utilizar coletores menstruais, absorventes internos ou realizar a aplicação de medicamentos no canal vaginal. “Nem mesmo a mulher consegue fazer esses procedimentos nela mesma. Não adianta tomar remédios ou ‘vinho’ para relaxar. O vaginismo tem cura e ele acontece por meio de tratamento com fisioterapia pélvica e acompanhamento com psicólogo”, enfatiza.

Em um primeiro momento é realizada uma avaliação, para verificar o grau de vaginismo da mulher e se ela desenvolveu uma vulvodínea, que traz incômodo, ardência e dor intensa durante as relações sexuais e que pode contribuir para essa contração involuntária. Não são necessárias muitas sessões de fisioterapia pélvica para conseguir chegar a um resultado satisfatório.
Após a avaliação, será feito todo um planejamento do tratamento pela fisioterapeuta, que podem incluir exercícios de respiração e físicos orientados pela profissional, além do uso de equipamentos específicos. Também são passados alguns movimentos para serem feitos em casa, aumentando a percepção perineal.

É importante procurar um profissional de confiança para realizar os exercícios de maneira segura e que forneça um tratamento específico para a paciente. Exercícios executados de maneira incorreta podem piorar o grau de vaginismo da mulher.

Aspectos psicológicos
Carolina explica que para entender o vaginismo é necessário compreender sobre ciclo da dor que ocorre nesses casos. “Antes de ocorrer a penetração a mulher tem medo de sentir dor, o que gera respostas emocionais e físicas de ansiedade. Na penetração, ou tentativa, ocorrem as contrações involuntárias que geram a dor. Após este momento, ocorre um alívio da tensão, porém acarreta em insatisfação com a atividade sexual podendo gerar baixa autoestima. Esse cenário vai fazer com que a mulher evite futuras relações e caso elas ocorram pode repetir esse ciclo novamente.”

O tratamento é multidisciplinar, e o papel da psicoterapia é entender quais fatores, tanto cognitivos, como relacionais, que geraram inicialmente as respostas de medo e ansiedade, aliar com estratégias para reduzir a ansiedade e as respostas fisiológicas envolvidas, auxiliar a modificar os fatores do relacionamento que podem estar mantendo esse cenário. “A partir do momento que a mulher compreende como o ciclo ocorre e o que está atuando na manutenção do problema, ele pode ser quebrado”, diz.

O vaginismo pode ter ou não relação a um trauma. Os traumas mais comuns relacionados a esse problema são abusos sexuais e experiências negativas de relações sexuais anteriores, explica a psicóloga. “Porém o vaginismo pode ocorrer também desde a primeira relação sexual. Fatores culturais e aprendizados familiares, por exemplo uma mulher que cresceu ouvindo que o sexo era ‘errado’ também podem desenvolver essa disfunção. Dessa forma é imprescindível que a terapia sexual ocorra juntamente com a fisioterapia pélvica para que os dois aspectos sejam tratados. Na psicoterapia serão trabalhados  os fatores psicológicos  e relacionais que iniciam e mantém  a disfunção e na fisioterapia serão trabalhados exercícios específicos para a musculatura do assoalho pélvico a fim de reduzir as contrações”, reforça.

Ela explica, ainda, que as chances de sucesso no tratamento são melhores quando ocorre a participação do parceiro. Dependendo do caso o parceiro pode participar de algumas sessões ou ser encaminhado para terapia individual ou ambos para terapia de casal. “É importante salientar que o vaginismo pode ocorrer também em relações homoafetivas. Alguns aspectos como a falta de autoconhecimento do próprio corpo, problemas no relacionamento, crenças negativas relacionadas ao sexo podem impactar negativamente no comportamento sexual podendo levar a disfunções sexuais. Procure ajuda especializada para vencer essa situação”, finaliza.