18/12/2012
Programa sobre educação em direitos humanos ganha prêmio nacional
18/12/2012
Programa sobre educação em direitos humanos ganha prêmio nacional
18/12/2012
Fonte:AEN-PR
O projeto Unindo Talentos, desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, conquistou nesta segunda-feira (17), em Brasília, o 1º lugar do Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos. Com o título “UFPR Unindo talentos no sistema penal do Paraná à luz da Educação em Direitos Humanos e Cultura da Paz”, o programa consiste numa série de atividades envolvendo educadores, agentes penitenciários e encarcerados, além de lideranças sociais e profissionais de outras áreas, em ações voltadas a desenvolver no ambiente penitenciário uma nova cultura.
Promovida pela Organização dos Estados Ibero-americanos e pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Educação e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, além de outras entidades como a Fundação SM, o prêmio teve mais de 200 inscritos para quatro categorias: 1ª Escolas Públicas (municipais e estaduais); 2ª Secretaria de Educação (municipais e estaduais), 3ª A formação, a pesquisa e a extensão universitária em Educação em Direitos Humanos; 4ª Atividades não formais. O projeto Unindo Talentos foi o vencedor da 3ª categoria.
O que chamou a atenção dos organizadores do prêmio foram as estratégias de planejamento e desenvolvimento do projeto, implementando ações educativas em direitos humanos direcionadas preferencialmente à população carcerária do Paraná, mas chegando também às escolas, conselhos tutelares e crianças e adolescentes infratores.
Uma das principais estratégias do projeto foi a criação de Comitês de Educação em Direitos Humanos em sete regiões do estado: Curitiba, Cascavel, Francisco Beltrão, Guarapuava, Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Integrados por servidores do sistema penitenciário, representantes de vários outros órgãos de governo e de entidades da sociedade civil organizada, os comitês fazem o planejamento e buscam formas de implementar ações locais (ver detalhes em www.comiteedheculturadapazpr.pro.br).
Esse prêmio valoriza a estratégia de ação no âmbito do sistema penitenciário paranaense da atual gestão da Secretaria da Justiça, afirma a professora e pesquisadora da Escola de Educação em Direitos Humanos (ESEDH), Cineiva Campoli Paulino Tono. “Há três vertentes do processo do cumprimento da pena: a punição, a ressocialização e a prevenção. Sempre se investiu na punição e agora há a valorização também de estratégias de ressocialização e prevenção por meio da educação e da profissionalização. E esse novo modelo está se espalhando por todo o sistema penal, sendo assumido pelos agentes penitenciários e por todos aqueles que estão envolvidos no trabalho com o apenado”, disse ela.
Para a orientadora do projeto, Sonia Maria Chaves Haracemiv, da UFPR, está havendo uma mudança de postura, de visão de muitos agentes penitenciários no desempenho de sua própria função. “Há um resgate da relação humanitária harmoniosa, de ver o outro com outros olhos. O ouvir o preso é fundamental nessa proposta do projeto. Estamos dando voz a eles e ajudando a desenvolver uma cultura da paz no sistema penitenciário, por meio de uma série de ações, mas especialmente pela troca de experiência de vertentes como educação, segurança, saúde”, garante ela.
O projeto, segundo Cineiva, visa olhar o sistema penal à luz da ciência, num processo de intercâmbio de experiências e reflexões. “Sempre houve, e ainda há, um lapso entre o Poder Executivo e a academia. Este projeto mostra exatamente o contrário. Nós estamos percebendo que temos cientistas atuando no Poder Executivo, gente que reflete, que pensa sua ação e a ação do sistema. E com esse projeto o governo está podendo expor essa reflexão e estudar sobre a sua própria prática”.
A secretária da Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, destaca a importância da participação da UFPR em parcerias como esta. “Com esse projeto estamos disponibilizando cursos e materiais para os apenados. Estamos diminuindo a ociosidade e oferecendo educação e contribuindo para a redução da pena através do trabalho e do estudo”, destacou.
Para o vice-reitor da UFPR, Rogério Mulinari, a educação para promover a paz é a única maneira de se ter uma sociedade fraterna, saudável. Para ele, as universidades são tão importantes quanto as parcerias que elas têm com a sociedade, pois é uma ocasião para comemorar a educação como direito e dever.
AÇÕES DO PROJETO - Como parte do projeto Unindo Talentos, a UFPR e a Secretaria da Justiça, por meio da Escola de Educação em Direitos Humanos (ESEDH), promoveram de julho a dezembro de 2012 o Curso de Educação em Direitos Humanos na modalidade semipresencial, utilizando a tecnologia de educação à distância via internet, para mais de 300 pessoas. Foram beneficiados agentes penitenciários, assistentes sociais, psicólogos, advogados e outros profissionais do Sistema Penal do Paraná, e de outras esferas do governo, como as Secretarias de Estado da Educação e da Família e Desenvolvimento Social.
Foi também como parte do projeto Unido Talentos que se realizou o 1º Seminário Estadual de Educação em Direitos Humanos, de 10 a 12 de dezembro, com a participação de mais de 300 profissionais do Sistema Penal do Paraná e de diversas Secretarias de Estado e entidades da sociedade civil organizada. O seminário discutiu novas estratégias para ação dos comitês regionais de Direitos Humanos, que deverão ser ampliados para todo o Paraná.