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Paraná continua líder na doação de órgãos, mas conscientização continua necessária

Em 2019 foram 212 transplantes realizados no Hospital do Rocio, que levaram vida nova aos pacientes. Médica fala da importância de comunicar a família o desejo de se tornar um doador

Por: Caroline Paulart

Ao mesmo tempo que é natural, a morte também é um tabu e ao iniciar uma conversa sobre o assunto muitas pessoas sentem arrepios. Porém, é de extrema importância tratar sobre o assunto quando estão todos bem e em vida, assim como pesquisar sobre a doação de órgãos e entender como funciona o processo. O mês de setembro ganha a coloração verde justamente para trazer esperança de vida nova a quem aguarda na fila de transplante.

Dra. Fabiola Pedron Perez da Costa, nefrologista e responsável técnica pelo Transplante de Rim do Hospital do Rocio, conta que somente em 2019 foram realizados 212 transplantes, sendo 129 de rim de pessoas falecidas e 46 de pessoas vivas, 30 transplantes de fígado, seis transplantes de pâncreas-rim e um de pâncreas isolado. “A conscientização faz toda a diferença neste momento tão delicado. Nossa região tem o maior índice de aceitação das famílias, e, embora eu não participe desse contato diretamente com eles, sei que é resultado do trabalho de divulgação da importância da doação de órgãos, aliado a uma abordagem sensível e esclarecedora da equipe responsável.”

Embora vivendo em momento de pandemia, Dra. Fabiola explica que não houve impacto direto no número de transplantes realizados, mas houve uma diminuição de transplantes entre pacientes vivos, para prevenir quaisquer tipos de contágio pela Covid-19. “Nós sempre fomos muito cautelosos na hora de realizar o transplante, neste momento redobramos o cuidado. Se faz todo um protocolo de exames, que são repetidos dentro de um prazo estipulado pela equipe para que fique atualizado na fila e que são repetidos quando o doador é encontrado e hoje incluímos o exame para Covid-19 e a tomografia, tanto no doador como no paciente que será transplantado”, explica.

Segundo divulgado pela Agência de Notícias do Estado, de janeiro a junho de 2020, o Paraná registrou 558 notificações de potenciais doadores e 252 doações efetivas, que corresponderam a 385 transplantes de órgãos. “Além da liderança em doações, o Estado se mantém no topo da lista em transplantes renais e em segundo lugar em transplantes de fígado, com uma média de 45,7 e 19,2 pmp, respectivamente. Os dados também mostram que o Estado teve queda das recusas familiares em doar os órgãos, nestes seis meses. Apenas 23% das famílias se recusaram à doação de órgãos, sendo este o índice o mais baixo já registrado na história do Sistema Estadual de Transplantes (SET/PR)”, esclarece a matéria.

Quando a doação é considerada?
A médica comenta que essa é uma pergunta frequente dentro dos hospitais e explica: “A conversa com a família somente é feita após constatada e comprovada a morte encefálica ou morte cerebral, quando nada mais pode ser feito pelo paciente. O paciente em coma não será doador, pois o coma significa que o paciente não responde a estímulos, mas há fluxo sanguíneo no cérebro, portanto o cérebro está funcionando. O coma é reversível e pode levar dias ou até mesmo anos para uma resposta positiva ou não. Já a morte cerebral acontece quando não há fluxo de sangue no cérebro, então vai chegar uma hora que os órgãos daquele paciente irão parar de funcionar. A equipe realiza testes clínicos para ver se há resposta, que incluem exames de imagem, uma arteriografia ou um Doppler”.

Por meio dos exames de imagem fica muito mais claro para pessoas leigas que não há fluxo de sangue chegando ao cérebro. Segundo a médica, a falta de conhecimento sobre esse quadro clínico faz com que as pessoas tenham medo de tirar um órgão de uma pessoa ainda viva ainda, porém não acontece, pois existem protocolos do Conselho Regional de Medicina, seguido rigorosamente pelas equipes médicas.

Após a autorização da família é realizada a captação dos órgãos, que envolve a avaliação da viabilidade dos órgãos por parte da equipe de médicos captadores. Dra. Fabiola ressalta que tudo é feito com muito cuidado e respeito, para que o corpo do doador esteja em condições para o velório. “Famílias, embora seja delicado, nós precisamos falar sobre esse assunto, definir e respeitar o desejo do seu ente querido neste momento. Eu entendo que é um momento de dor, mas o que você pode fazer por outra pessoa que está sofrendo com hemodiálise e vários medicamentos dia após dia é sublime e poderá ajudar a confortar seu coração. Leia, pesquise, procure seu médico de confiança para falar sobre o assunto, tome a sua decisão pela doação e comunique sua família”, finaliza a médica.

 

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