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Vasectomia é um procedimento simples, eficaz e que não altera as características masculinas

Médico especialista explica que o procedimento é rápido, com anestesia local e de recuperação breve  

Por: Caroline Paulart



O planejamento familiar é cada vez mais evidente e com famílias menores. Hoje, a estimativa brasileira de filhos por casal é de 1,77, e pessoas mais preocupadas com suas carreiras não é a única justificativa para que as famílias diminuam, hoje também casais têm buscado garantir um futuro mais seguro e melhor planejado aos filhos, então, muitos procuram métodos contraceptivos seguros para garantirem que a família não irá aumentar mais. De acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), divulgados no ano passado, ao longo dos anos, os homens têm procurado cada vez mais a vasectomia, que cresceu mais de 300% entre 2001 e 2017. Além disso, o número de cirurgias no período foi de 7,7 mil para 34 mil procedimentos.
Dr. Paulo Jaworski (CRM 23.663/RQE 18.764), médico urologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia e fellow em Urologia pelo Denver Health Medical Center, diz que a vasectomia tem finalidade exclusivamente anticoncepcional e que para realizá-la há uma regulamentação federal. Segundo o texto da lei, homens com de mais de 25 anos ou com ao menos dois filhos podem ser submetidos ao procedimento. “Ela é uma pequena cirurgia feita nos ductos que transportam os espermatozoides (ductos deferentes) e é indicado para homens com prole completa que desejam não ter mais filhos. É um procedimento realizado em regime ambulatorial, ou seja, é rápido e muito pouco desconfortável, pois é feito sob anestesia local, não é rotina a realização de exames pré operatórios - porém, há casos selecionados em que é necessário solicitá-los. A recuperação também é muito rápida e, dependendo da atividade profissional, o homem pode voltar a atividades sem esforço físico no dia seguinte.”
O especialista explica que os homens que são submetidos à vasectomia não têm risco aumentado para desenvolvimento de qualquer doença crônica, câncer de testículo ou câncer de próstata e ressalta que há inúmeros estudos de alta qualidade científica que comprovam a não associação de ser vasectomizado e desenvolver câncer de próstata. Assim, Dr. Paulo diz que não é necessário realizar consultas médicas seriadas ou com mais frequência por causa da cirurgia.
Ele explica ainda que os espermatozoides produzidos no testículo de um homem vasectomizado sofrem uma morte celular programada após não serem ejaculados e o testículo diminui sua produção ao longo do tempo, de maneira assintomática para o homem.

Características sexuais mantidas
Alguns homens não realizam a cirurgia por medo de terem suas características sexuais prejudicadas, o que não acontece. “Em uma vasectomia feita por um urologista, que é o especialista com treinamento específico para fazer esta cirurgia, apenas o ducto deferente é seccionado e cauterizado, poupando o homem de qualquer tipo de efeito contrário como, por exemplo, perda da libido (desejo sexual), diminuição da potência da ereção, alterações ejaculatórias. A produção de testosterona permanece inalterada também, pois não se altera a função endócrina testicular”, explica.
Porém, o médico ressalta que a vasectomia não protege o homem de doenças sexualmente transmissíveis, portanto o uso do preservativo é aconselhado para que se evite a contaminação por estas infecções.

Reversão da vasectomia
“A realização da vasectomia não impede que, em casos bastante selecionados, possa haver a possibilidade de reversão da cirurgia. A reversão da vasectomia, porém, é uma cirurgia muito mais delicada e difícil tecnicamente do que a vasectomia. De acordo com a literatura médica, os índices de sucesso de gravidez após a cirurgia de reversão dependem bastante da expertise de quem a faz e também do tempo que o paciente ficou vasectomizado. Portanto, a decisão de se fazer uma vasectomia deve ser muito bem pensada entre o homem e sua esposa”, conclui.
 

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