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Uma pessoa contaminada e não isolada pode passar a doença para outras seis

Médica explica mais sobre as diferenças entre o Coronavírus e outras doenças como gripe e sarampo, como proceder em casos de suspeita, reinfecção e como funciona o isolamento em casa de uma pessoa doente.

Por: Caroline Paulart

Com 15 casos de Coronavírus confirmados em Campo Largo, sendo oito moradores da cidade e sete de fora, e mais de 170 casos suspeitos, os cidadãos acabam ficando ainda mais alertas para a prevenção da doença e a importância do isolamento. A Folha conversou com a Katlyn Pereira, médica especializada em Saúde da Família e Comunidade, Diretora Técnica da Secretaria Municipal de Saúde, da Prefeitura de Campo Largo, que explicou mais sobre as diferenças entre o Coronavírus e outras doenças como gripe e sarampo, como proceder em casos de suspeita, reinfecção e como funciona o isolamento em casa de uma pessoa doente.

Lembrando que a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Largo estruturou para orientação à população o call center (41) 3291-5125, onde a população pode retirar suas dúvidas diretamente com médicos.

“A diferença entre o Covid-19 e os vírus Influenza e do Sarampo ocorre devido à distinta capacidade de transmissibilidade e também o período de incubação dos vírus. No caso do primeiro, ele possui uma taxa básica de reprodução aproximada de até seis, ou seja, um paciente infectado transmite até a seis pessoas não infectadas, sendo que a Influenza gira em torno de 1,5. Quanto ao período de incubação, o Covid-19 apresenta sintomas em até 14 dias, enquanto o Influenza ocorre ao redor de quatro a cinco dias. Por isso, a principal importância epidemiológica é o isolamento social, o que significa menor contato entre as pessoas e, portanto, menor chance de contágio/transmissão. Quando as pessoas permanecem aglomeradas, ocorre o inverso disso, mesmo que nos ambientes de trabalho ou lazer.”

Conforme já foi divulgado por várias instituições sérias, a transmissão do Covid-19 ocorre por meio de gotículas e aerossóis, ou seja, por meio de tosse, espirro e fala, bem como por superfícies e objetos. Por isso, a médica explica que é muito importante que tenha o distanciamento de pelo menos um metro entre as pessoas, seja ele no ambiente intradomiciliar ou fora de casa, ao fazer compras, por exemplo, bem como a realização de limpeza das superfícies com maior contato (como mesas, maçanetas) com álcool 70%.

Isolamento e o caso suspeito em casa, como proceder?
“Caso haja algum caso suspeito ou confirmado de Covid-19 na família, deve-se optar por isolamento da pessoa em cômodo específico, sozinho. O ideal é que haja uso de banheiro, objetos diários e talheres distinto aos demais residentes do domicílio. No caso de impossibilidade, como em uma casa com poucos cômodos e um único banheiro, orienta-se que o paciente suspeito e/ou confirmado seja o último a utilizar o banheiro, realizando a sua limpeza logo após o uso”, explica.

Além disso, a médica também orienta que toda a roupa de cama e objetos pessoais devem ser lavados separadamente.Dra. Katlyn comenta que existem manuais específicos para a questão de higienização dos ambientes domiciliares elaborados pelo Ministério da Saúde e que estão disponíveis para a população.

A médica explica que o isolamento social é orientado por 14 dias a partir do início dos sintomas, como tosse, febre, dispneia, entre outro, que deve ser avaliado e indicado por profissional da saúde, podendo ser o médico e/ou enfermeiro. “No caso da pessoa apresentar somente sintomas leves, de acordo com o Manual do Ministério da Saúde, deve permanecer em casa, sem procurar assistência no serviço de saúde. Os casos que apresentarem complicações, classificando como moderados e graves - dispneia, confusão mental, pneumonia, insuficiência respiratória, entre outros sinais de disfunção orgânica, devem se direcionar ao CMH e não às Unidades de Saúde, onde será avaliada a indicação clínica de coleta de exame específico para Covid19, que depende dos sintomas, da gravidade, da necessidade de internamento e afins, definida pelo médico que realiza o atendimento”, explica.

Existe tratamento?
A Dra. Katlyn  explica que quanto ao tratamento, por se tratar de síndrome respiratória viral, são adotados o uso de antitérmicos no caso de febre, adequada ingestão de líquidos, repouso e isolamento social. “Como a grande maioria dos casos classifica-se como leves (80-90% dos casos), sem maior gravidade, não se constata indicação de internamento. No caso de casos moderados e graves (cerca de 5% dos casos), ocorre a internação hospitalar a nível de Enfermaria e/ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para adequado acompanhamento e intervenção médica conforme necessário. Ainda não está estabelecido tratamento específico com comprovada eficácia na redução de morbimortalidade pelo Covid-19. Os estudos a nível mundial continuam sendo realizados, porém, ainda se carece de maiores evidências”, diz.

Reinfecção é possível?
Outro ponto que ainda gera muita dúvida é sobre a possibilidade de recontaminação ou reinfecção, ou seja, quem já teve a doença, pode desenvolvê-la novamente? Porém, a médica explica que como se trata de uma nova infecção, há muitas dúvidas sobre o comportamento viral do Covid19. “Contudo, recentemente foram relatados casos de possível reinfecção nas províncias chinesas, quando alguns pacientes que estariam curados da infecção tiveram reinício de sintomas e novos exames laboratoriais positivos para o Covid-19. Neste sentido, os pesquisadores ainda investigam a causa que levaria a essa reativação, avaliando suspeita de falta de anticorpos e alterações na sensibilidade e/ou especificidade dos exames comprobatórios”, esclarece.

Grupos de risco devem ficar atentos
A maior atenção está voltada para os grupos de risco, que acabam sendo mais frágeis e podem ter maior probabilidade de complicações, caso aconteça a infecção viral. Pertencem aos grupos de risco determinados pelo Decreto Municipal sobre o Covid-19 as gestantes e lactantes, os idosos, as pessoas com problemas respiratórios e doenças crônicas. “As recomendações orientadas a tais grupos focam no isolamento social, ou seja permanecer em casa, e nos cuidados de higiene gerais. Não há, até o momento, estudos que indiquem a transmissibilidade da infecção da mãe para o feto (gestante) ou pelo leite materno (lactante). Neste sentido, orienta-se a manutenção do acompanhamento pré-natal regular, bem como o aleitamento materno. Caso a mãe tenha sintomas respiratórios, utilizar máscara cirúrgica simples. Ressalta-se, contudo, que o uso indiscriminado da máscara cirúrgica não possui indicação”, enfatiza.

Esses grupos de risco têm direito à vacinação contra a gripe de forma gratuita. A fase agora é de imunização dos idosos e também pessoas da área da saúde. “A vacinação contra Influenza (gripe) é muito importante devido à prevenção de maior número de casos graves pela patologia e, neste momento de pandemia do Covid19, também para prevenir maior número de infecções respiratórias e sobrecarga do sistema de saúde. Até a data de 15/04/2020, a vacinação está indicada para os idosos e os profissionais de saúde. Após esse período, serão divulgadas informações no site da PMCL”, finaliza.

Vale a pena ressaltar que o site do Ministério da Saúde está bem completo com informações atualizadas, bem como o da Prefeitura de Campo Largo, com boletins sobre a doença no município.

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