VERSÃO IMPRESSA
anteriores
EM CAMPO LARGO 15º | 25º

Terça-feira | 20 de Outubro de 2020 17:46
Terça-feira | 20 de Outubro de 2020 17:46
VERSÃO IMPRESSA
EM CAMPO LARGO 15º | 25º

MODISMOS X PADRÕES ALIMENTARES SAUDÁVEIS 02/10/2014


Por: Ana Lúcia

02/10/2014

Cada vez mais as pessoas procuram meios fáceis para perda e ou ganho de peso, não importando os efeitos dessa dieta na saúde do corpo.

Por esse fato, a dieta sem lactose e a dieta sem glúten, antes utilizada apenas por pacientes com a patologia confirmada (doença celíaca  e Intolerância a lactose), vêm conquistando vários adeptos visando um estilo de vida “saudável”.

- Será que isso é realmente necessário? Ou seja, a dieta sem glúten em pessoas normais tem realmente algum benefício? Ou, retirar a lactose da alimentação melhora a perda de peso?
     

O glúten é a principal proteína presente no trigo, aveia, centeio, cevada e no malte (subproduto da cevada). No trigo, ele se divide em gliadina (que produz efeitos na permeabilidade da mucosa intestinal) e gluteinina. Na cevada, em hordeína e no Centeio, em secalina. Esses dois últimos, não são exatamente glúten, mas são igualmente tóxicos para pacientes com doença celíaca. As doenças relacionadas ao glúten são: doença celíaca, a dermatite herpetiforme, alergia ao glúten e a sensibilidade ao glúten não-celíaca (diagnóstico de exclusão, ou seja, apenas quando eliminada a hipótese de doença celíaca).

A doença celíaca é uma doença inflamatória crônica do intestino delgado, caraterizada pela intolerância permanente ao glúten em indivíduos geneticamente susceptíveis. É a sensibilidade mais comum, acometendo aproximadamente 1% da população.O que muitos não sabem é que a sorologia para determinação de anticorpos e a biópsia intestinal são necessárias para o diagnóstico correto.

O paciente pode ser assintomático, ter poucos sintomas ou apresentar um quadro de sintomas clássicos com diarreia, flatulência, dor abdominal, dentre outros. O único tratamento disponível é a dieta totalmente isenta de glúten. A dermatite herpetiforme pode ser uma variante da doença celíaca. O paciente acometido apresenta lesões de pele pruriginosas, com sensação de queimadura intensa e coceira. A dieta sem glúten pode auxiliar no controle das lesões de pele dos pacientes.  A sensibilidade ao glúten não –celíaca é caracterizada por sinais clínicos induzidos após a ingestão de glúten porém, sem os critérios diagnósticos da doença celíaca.

Pode ser também atribuída a digestão incompleta de substâncias fermentáveis presentes no trigo. Além disso, a sensibilidade ao glúten não-celíaca pode apresentar vários espectros de sinais e sintomas tornando o diagnóstico ainda mais complicado.

Para pessoas saudáveis há controvérsias na sua restrição

A perda de peso relacionada a retirada do glúten da dieta não é comprovada cientificamente. Acredita-se que a perda ponderal seja explicada pela troca por alimentos mais saudáveis, as pessoas dão mais atenção aos rótulos dos alimentos e às suas composições, pela retirada de alimentos gordurosos do que pela retirada do glúten em si.

No caso da lactose, por exemplo: ao retirar leite e derivados, retira-se também o cálcio e outras vitaminas e minerais além de proteínas de alto valor biológico importantes para a manutenção dos músculos, tecidos e inclusive o colágeno. O organismo sem a lactose irá parar de produzir a lactase, a enzima responsável pela digestão da lactose, e caso não haja o problema de digestibilidade e/ou intolerância à lactose, o problema pode agora estar presente devido a uma dieta de restrição desnecessária.

Os três dos grandes modismos da atualidade - a dieta sem glúten, sem lactose e dieta hiperproteica -, não apresentam sustentação suficiente na literatura quanto à segurança e eficácia, necessitando de mais estudos.

(Fonte: [01] CRN-3. Conselho Regional de Nutricionistas. 3ª Região. Restrição ao Consumo de Glúten. Disponível em: . Acesso em 10 abr. 2014    -   02] Mattar R, Mazo DFC. Intolerância à lactose: mudança de paradigmas com a biologia molecular. Rev. Assoc. Med. Bras. 2010; 56(2): 230-236.   [03] Salomão NA, Silva TA, Geraldes AAR, Lima-Silva AE. Ingestão de cálcio e densidade mineral óssea em mulheres adultas intolerantes à lactose. Rev. Nutr., Campinas, 25(5):587-595, set./out., 2012 )


 

1967 visitas






Sua Opinião





Últimas Notícias