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Médica alerta para consumo de medicamentos psicotrópicos sem prescrição e acompanhamento

A automedicação sempre foi uma das maiores preocupações de profissionais da saúde e o brasileiro é povo que está bem acostumado a adotar a prática.

Por: Caroline Paulart



A automedicação sempre foi uma das maiores preocupações de profissionais da saúde e o brasileiro é povo que está bem acostumado a adotar a prática. Um levantamento feito pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), divulgado no ano passado, mostrou que 77% dos brasileiros se automedicam, com periodicidade alarmante, quando quase metade (47%) dos entrevistados afirmou se automedicar pelo menos uma vez por mês, e um quarto (25%) uma vez por semana. No Brasil há ainda um consumo alto de medicamentos psicotrópicos, que aumentou cerca de 20%, especialmente em mulheres com mais de 40 anos.

“Os medicamentos para a saúde mental, os psicotrópicos, não são vendidos sem a prescrição médica. Utilizar os remédios sem orientações podem causar quadros de intoxicação, sedação, alteração de apetite, entre outros problemas. Caso a pessoa apresente uma comorbidade, doença prévia, como arritmia cardíaca ou convulsões, algumas medicações são contraindicadas, por isso a avaliação médica torna-se indispensável”, explica a médica psiquiatra Dra. Sabrina Piacentini Niece.

Ela explica, ainda, que ao prescrever uma medicação, o médico considera se o paciente tem outras doenças, como insuficiência renal, se toma outras medicações - visto que a interação de dois medicamentos pode ser prejudicial - e até se há planos para uma gestação em breve. Segundo a médica, mesmo quando tratadas pelo mesmo diagnóstico, na escolha do remédio são levados em consideração nuances como padrão de sono, peso e outros fatores bastante individuais do paciente, por isso, nem sempre o mesmo remédio ou dose são usados para um determinado quadro.

“Também há alguns remédios que precisam atingir concentração terapêutica, mensurado em exames de sangue. Ou seja, duas pessoas podem utilizar a mesma medicação, mas a dose vai variar entre ambas; caso alguém decida tomar o remédio como um vizinho ou amigo, corre o risco de intoxicação ou de nem ter qualquer benefício, efeito com o remédio, além de correr o risco de cronificação do quadro, em casos de tratamentos inadequados”, alerta.

Buscar ajuda é a melhor opção
Embora há alguns anos tenha sido percebido uma mudança na postura quanto à saúde mental, há ainda pessoas que têm receio em procurar ajuda e sofrem com doenças sérias, que precisam de tratamento e que podem se agravar ao longo do tempo. A indicação da médica é procurar um psiquiatra para sintomas como persistência do humor depressivo, alterações de sono e apetite.

“Em muitos casos, após avaliação, orientamos medidas comportamentais, encaminhamos para psicoterapia. Percebo que ainda há aquele medo ‘de ficar dependente do remédio’, ‘ficar dopado’, mas muitas pessoas sofrem e até apresentam prejuízos profissionais e pessoais por não saberem que há um profissional que pode ajudar. Sempre que houver algum sofrimento, vale a pena procurar um profissional. Lembrando que casos de delírios e alucinações, agressividade e pensamentos de morte são situações de emergência e a busca pelo psiquiatra/ pronto atendimento deve ser imediato”, reforça.

Quando a pessoa fica sem buscar um tratamento e fazê-lo de maneira adequada, Dra. Sabrina explica que pode torná-la crônica. As primeiras orientações são os trabalhos em conjunto com psicólogos, bem como a mudança no estilo de vida com a realização de atividade física, dieta equilibrada e contato social. “Atividades de lazer também são estimuladas, alguns pacientes se beneficiam de pilates ou yoga, para controle de ansiedade; outros aderem à acupuntura ou massagem. Há diversas maneiras de melhorar a qualidade de vida e potencializar o tratamento, mas sempre deve ser avaliada a demanda do paciente e os objetivos terapêuticos”, orienta.

Tratamentos fitoterápicos
Dra. Sabrina explica que em casos leves, o paciente também pode se beneficiar de medicamentos fitoterápicos, mas alerta que eles não representam o tratamento como um todo. “Os chás, como camomila, erva doce e capim limão auxiliam principalmente na higiene do sono, mas fazem parte do tratamento, não são o tratamento todo. Deve se atentar que chás que contenham cafeína, como chá mate, bem como o chimarrão; possuem efeito estimulante, ou seja, às vezes os pacientes tomam um chá pra acalmar, mas acabam tendo o efeito oposto. As medicações homeopáticas devem ser prescritas exclusivamente pelo médico com essa formação “, finaliza.

 

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