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Crianças devem usar máscara se precisarem sair de casa, orienta pediatra

Nesta quarta-feira (03), foi identificado o primeiro caso de criança com Coronavírus, testado positivo, em Campo Largo. A criança está em isolamento em casa, junto da família e passa bem.

Por: Caroline Paulart

Nesta quarta-feira (03), foi identificado o primeiro caso de criança com Coronavírus, testado positivo, em Campo Largo. A criança está em isolamento em casa, junto da família e passa bem. Apesar das informações e estudos mostrarem que as crianças não têm casos graves ao contraírem a Covid-19, alguns pais acabam ficando um pouco perdidos sobre como protegê-las, caso precisem sair com elas.

É até comum ver, na região central, famílias que precisam levar seus filhos, às vezes bebês, e não os protegem com máscara, porém, as crianças precisam usar essa proteção, assim como os adultos, conforme explica o médico pediatra, Dr. Haroldo Torres. “A manifestação do coronavírus em crianças normalmente é com sintomas de resfriado comum, coriza, tosse seca e febres baixas, não acometendo as vias aéreas inferiores e, assim, não está causando pneumonia e processos inflamatórios com insuficiência respiratória, o que gera muito menos riscos de complicações e internações ou mortes. Ainda é uma doença nova e não estão totalmente claros os motivos do porquê as crianças não têm maior gravidade. Entretanto, o uso de máscaras em crianças é também recomendado para que não transmitam para os contatos.”

As crianças menores de 02 anos, que ainda não podem usar máscaras, devem ter o rosto coberto com manta e evitar a aproximação de pessoas que tenham sinais gripais. Além disso, as crianças precisam ser orientadas a lavarem as mãos e usarem álcool em gel com a mesma frequência dos adultos e, naturalmente, serem mantidos os cuidados de hidratação e alimentação saudável para manter o desenvolvimento do sistema imune.

O médico segue explicando que uma das causas apontadas para essa reação das crianças, pelos pesquisadores, é a imaturidade do sistema imunológico e, assim, a criança não apresenta ainda um receptor nas células das vias respiratórias inferiores, a enzima conversora de angiotensina 2 (ECA 2), e assim o vírus não penetra nas células causando doenças pulmonares, e fica restrito às vias superiores, manifestando sintomas de resfriados comuns. Essa afinidade do coronavírus por essa enzima receptora para penetrar nas células já foram demonstradas em estudos científicos desde 2003, conforme explica.

É o início do convívio social das crianças – especialmente na fase da pré-escola e escola – que promove o amadurecimento do sistema imunitário, o que resulta em um primeiro ano de convívio com infeções respiratórias de resfriados com febres altas, mas geram imunidade para diversas infecções. “As crianças hoje, em isolamento social, têm menos chances de pegarem Coronavírus, diferente dos adultos, que precisam ir ao trabalho, comércio e pegar transporte coletivo.
Vacinação em dia
Alguns pais podem ficar com medo de expor seus filhos e levar até as Unidades Básicas de Saúde (UBS), mas isso é um erro. Primeiro porque nas UBS os profissionais estão qualificados para realizar o atendimento e garantir a segurança dos pacientes, depois porque doenças para as quais existem vacinas podem causar complicações mais graves que o Coronavírus.

“As crianças devem ser levadas para realizarem vacinação normalmente cumprindo o calendário, mesmo as recém-nascidas, porque precisam ser imunizadas e protegidas contra as diversas doenças. A vacina da gripe continua sendo essencial, porque é uma doença que pode gerar mais gravidade que o próprio Coronavírus. A vacinação contra a gripe H1N1 e contra as demais doenças não podem ser negligenciadas, ainda mais nesta época de outono e depois inverno, com mais baixas temperaturas, em que há aumento de doenças respiratórias”, orienta.

Novos hábitos e saúde mental
Neste tempo que as crianças estão apenas em casa, acabam criando novos hábitos, tanto na questão de jogos de videogames, uso de celulares e tablets, televisão, com horários mais flexíveis e ficando desregrados. “A falta do sono adequado não somente afeta o crescimento físico, mas também a saúde emocional, com mais ansiedade, estresse, agressividade e distúrbios de convívio familiar e social. Aumentam ainda os erros alimentares com horário irregular das refeições principais e a substituição por outros alimentos, não somente gerando mais obesidade, somado ao sedentarismo, mas também as diversas doenças decorrentes dos erros alimentares”, explica orientando que os pais devem ficar atentos a isso.

O recado também vai para os pais: “Às vezes, o pânico propagado acaba gerando uma situação mais grave que o próprio Coronavírus, como doenças emocionais com estresse, depressão e síndrome do pânico. Pelo medo de ir ao médico, pessoas estão com doenças hipertensivas descontroladas, diabetes descompensadas e com descompensação de outras doenças psicológicas e psiquiátricas. Neste momento é preciso cuidar dessas pessoas e de seus contatos para controlar a situação”, finaliza.

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