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Berinjela: Prevenção de Doenças

Hoje ocupando um lugar de honra na gastronomia internacional e na nutrição, a berinjela amargou uma má fama quando foi introduzida no Ocidente

Por: Ana Lúcia

Hoje ocupando um lugar de honra na gastronomia internacional e na nutrição, a berinjela amargou uma má fama quando foi introduzida no Ocidente. Possivelmente devido ao seu gosto de fundo amargo e por se assemelhar a plantas tóxicas de sua família botânica, a das solanáceas.

Na Itália, por exemplo, onde a berinjela é base de inúmeras receitas famosas, ela de­morou a ser aceita. Acredita-se que o próprio nome italiano da berinjela, “melanzane”, é uma corruptela de mela (maçã ou pomo) insana (não saudável). Até o século 18, os italianos evitavam provar berinjela, e havia uma crença de que, quem a comia, podia ficar louco.

Bem antes de os europeus se renderem às delícias da berinjela, ela já era apreciada em uma extensa área do planeta, do Oriente próximo ao Extremo Oriente. A planta foi do­mesticada na Índia, onde é consumida há mais de 2.500 anos. Dali, difundiu-se pela China — é em um tratado chinês de cerca de 500 a.C. que a berinjela é mencionada pela primeira vez.

Foram os conquistadores muçulmanos que trouxeram a berinjela para a Europa. Ela chegou à Espanha entre os séculos 8 e 11, durante o domínio árabe naquele país. Os es­panhóis foram menos refratários ao alimento, e os colonizadores da América espanhola leva­ram a berinjela para o Novo Mundo já no sécu­lo 16. Na mesma época, ela chegou ao Brasil, trazida pelos portugueses. Menos ousados em termos alimentares, os colonizadores ingleses ainda levaram um século e meio a mais para trazer a planta à América do Norte.

No final do século 20, já reconhecida como iguaria gastronômica, a berinjela ganhou o status de “planta que cura”, por causa de as­sociações entre o seu consumo e o controle do colesterol e do diabetes. Também foi divul­gado que comer berinjela “emagrecia”. Nem todos os benefícios atribuídos à planta foram comprovados cientificamente e definitivamen­te, mas é certo que a berinjela tem uma boa quantidade de substâncias antioxidantes, que atuam na prevenção de várias doenças.

Crua, a berinjela é fonte de manganês para homens e mulheres, mas, ao ser cozida, como perde uma parte desse nutriente, é fonte só para mulheres, cujas necessidades diárias do mineral são um pouco menores. A berinjela cozida tam­bém é fonte de cobre e de vitaminas B1 e B6.

O alto nível de antioxidantes encontrado na berinjela, como o ácido clorogênico e as antocianinas (pigmentos antioxidantes encon­trados principalmente na casca) ajudam na prevenção ou na diminuição do risco de doen­ças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

O ácido clorogênico, que é o principal composto fenólico da berinjela, é um dos mais potentes antioxidantes encontrados em vege­tais. Essa substância tem propriedades que combatem mutações relacionadas ao câncer, vírus e outros micro-organismos e o aumento do “mau colesterol”, o LDL.

O manganês e o cobre presentes na be­rinjela também têm função antioxidante. O cobre é necessário para a formação de hemo­globina e do colágeno, atuando na formação e reparação dos tecidos.

A vitamina B1 favorece o crescimento sau­dável e é necessária para que o corpo produza energia a partir dos alimentos consumidos. Já a vitamina B6 participa da síntese (fabricação) de neurotransmissores, da modulação dos re­ceptores de hormônios e contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico do or­ganismo.

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