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Sábado | 24 de Outubro de 2020 08:48
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Redução na quantidade de produto da embalagem deve estar destacada para o consumidor

Algumas marcas reduziram o peso líquido, mas isso deve estar bem evidente nas embalagens. Procon fala sobre o assunto e engenheira de alimentos explica como isso impacta na produção industrial.

Por: Caroline Paulart


Quem cuida da alimentação da família deve ter percebido que nos últimos meses houve uma redução na quantidade de produto das embalagens, sejam elas alimentos ou produtos de limpeza e higiene. Porém, em grande parte dos casos, mesmo com a redução, os valores permaneceram os mesmos. Não é crime diminuir a quantidade, porém isso deve estar bastante claro para o cliente.


A Folha conversou com a coordenadora do Procon de Campo Largo, Dra. Priscila Mezzadri Bassani, que explicou que existe uma norma específica, apresentada pela Portaria 81/2002, do Ministério da Justiça. “Pode reduzir a quantidade, mas tem que constar todas as informações na respectiva embalagem , conforme o Artigo 1, pelo prazo mínimo de três meses. Esta norma segue a regra geral do artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor”, esclarece.

“Quanto ao descumprimento da norma pelo fornecedor, se trata de dano coletivo, ou seja atinge a sociedade como um todo. Neste caso cabe denúncia tanto no Procon, como no Ministério Público do Consumidor. O Processo possui penas mais severas no caso de dano coletivo”, orienta.

Aline Cosmo, engenheira de alimentos e especialista em Gestão da Qualidade, esclareceu como essa inscrição deve ser apresentada na embalagem. “É importante saber que esta prática é legal, porém as indústrias devem informar estas mudanças claramente em suas embalagens. Quando o produto já for comercializado e o consumidor já estiver familiarizado com um peso líquido, deve ser incluída a seguinte frase no painel frontal das embalagens, pelo período mínimo de três meses: ‘NOVO PESO: De x gramas para Y gramas. Redução de Z gramas (x’ %)’."

Porque as embalagens são diminuídas?
Aline explicou um pouco sobre o processo de industrialização de alimentos. “Existem alguns motivos para a redução de peso líquido nas embalagens de produtos alimentícios. Pode-se pensar que é apenas uma questão de redução de custos para as empresas, porém temos que ter uma visão mais ampla da questão. Para o desenvolvimento de novos produtos e para a reformulação dos já existentes, as indústrias baseiam-se em tendências de mercado”, diz.

Segundo a engenheira, há duas tendências que estão presentes na redução de peso líquido. “São as embalagens de produtos individuais, que são produtos de consumo rápido, além da tendência de embalagens mais práticas, de tamanhos menores, que podem ser levadas a qualquer lugar, sendo oportunidades também de redução de desperdícios. O consumidor brasileiro também tem buscado uma alimentação mais saudável e com menos calorias, o que também impacta nesta tendência de redução do peso dos produtos nas gôndolas. Muitas vezes a reformulação é para deixar o produto melhor, uma oportunidade de realizar melhorias tanto de matérias-primas, como nas características sensoriais dos produtos, como sabor, aroma, textura e até mesmo em rendimento, deixando o produto mais concentrado”, explica.

A engenheira destaca, ainda, que dependendo do tipo de embalagem a indústria pode acabar perdendo em produtividade, e por consequente, o custo fixo pode ficar maior.” Uma coisa é rodar uma máquina que faz um número ‘x’ de ciclos de 500g, outra é fazer os mesmos ciclos de 300g, por exemplo. Há situações ainda que existe a necessidade de trabalhar em processos manuais. Ou seja, para se tomar a decisão pela mudança, são vários os pontos que devem ser avaliados”, finaliza.
 

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