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Interação social e estratégia são benefícios do videogame, mas pais devem ficar atentos

Uma grande ferramenta de entretenimento durante a pandemia, o videogame pode ter vários benefícios quando usado de maneira correta. Psicóloga orienta pais de crianças e adolescentes que gostam de jogos digitais.  

Por: Caroline Paulart

Uma das formas mais usadas para entreter crianças e adolescentes durante o período de pandemia do Coronavírus foram os jogos de videogames. A prova disso é que a Sony, fabricante do Play Station 4, dobrou a venda de jogos digitais durante o período e bateu a marca de 110 milhões de aparelhos vendidos em todo o mundo desde o lançamento até maio de 2020 e acredita que a marca não afetará a venda do PS5, programado para lançar no final do ano.

O fato é que jogar videogame pode trazer muitos benefícios para crianças, adolescentes e para a família como um todo, conforme explica Priscila S. Costa, psicóloga especialista em Psicologia Clínica/ Terapia Cognitivo-Comportamental e Terapia de Regulação Emocional Infantil (CRP 08/19794). “Se feito dentro dos limites, com segurança e de forma saudável, os jogos podem se tornar uma oportunidade de interação social com amigos e com a própria família. Além disso, alguns jogos ajudam a desenvolver estratégia e senso de normas e regras, por exemplo. Porém, é preciso ficar atento, pois os jogos têm uma classificação etária individual, mas que costuma ser desrespeitada ou desconhecida pelos pais. De toda forma, antes dos 02 anos de idade nem pensar em qualquer tela, devido a questões do desenvolvimento cerebral e mental. Por volta dos 04 anos acredito que, com monitoria, as crianças possam ter algum acesso a conteúdos educativos.”

Ela segue explicando que os pais ou responsáveis podem incorporar dentro da rotina um tempo para os jogos, com variação de uma a três horas no máximo por dia. “É importante que os pais levem a sério que o uso indiscriminado das telas pode favorecer problemas físicos e mentais, como a miopia, transtornos do sono, transtornos alimentares, desajustes posturais, aumento da ansiedade e até dependência tecnológica. Além disso, nenhuma tela deve substituir a relação humana e outras atividades essenciais. A criança e o adolescente precisam interagir, se mexer, dormir e se alimentar bem, estudar, brincar e conviver com a família para que seu desenvolvimento saudável seja a prioridade sempre”, orienta.

No caso de uma dependência tecnológica, Priscila explica que pode exigir um tratamento psicológico devido a grande dificuldade em ficar longe das telas, pois é como se fosse uma reação de abstinência. “Talvez seja o caso de pais negligentes que abandonam seus filhos dentro de casa ou ainda filhos que possuem outros problemas mentais “camuflados”, que devem ser investigados”, completa.

O tipo de jogo influencia diretamente
Priscila explica que além de se atentar à classificação e ao conteúdo do jogo, os pais devem acompanhar o que eles estão fazendo e principalmente criar uma relação de confiança com eles, para que assim que eles identifiquem algo errado no meio digital comuniquem aos pais. Para crianças com idade entre 04 e 08 anos, esse monitoramento deve ser ainda mais constante, mas sempre de maneira respeitosa, conforme explicação da profissional.

“Hoje a tecnologia está muito realista e as crianças podem confundir jogos com realidade, uma vez que no jogo não tem um educador explicando o que não pode fazer. Então jogos muito violentos, por exemplo, podem passar a ideia de que bater e matar seja normal. Portanto, pais ausentes podem nem perceber de onde vem o comportamento agressivo do filho. Neste período onde está se construindo a personalidade é importante passar valores de vida desde muito cedo para que as crianças aprendam boas condutas. Sempre que a criança assiste um filme, presencia uma cena real ou joga um jogo que tem alguma menção a transgressão de regras, os pais podem falar sobre isso com ela logo em seguida, orientando sobre o certo e o errado e causas e consequências do que foi visto, bem como com as cenas boas, que podem ser reforçadas”, frisa.

Profissão do futuro
Assim como crianças de gerações anteriores sonhavam em ser médicos, jogadores de futebol, bombeiro, professor e tantas outras profissões, hoje é comum crianças quererem ser youtubers, influencers digitais e gamers. “As crianças se inspiram naquilo que chama a atenção e podem querer copiar. É importante falar sobre profissões, orientá-las desde cedo sobre as expectativas de sucesso, de ganhar dinheiro e como as coisas funcionam. Para aquelas que já querem entrar neste mundo dos ‘gamers’ e ‘youtubers’ cabe a cada família avaliar o que é permitido, pois são os cuidadores legais e os responsáveis pela exposição da criança. Além disso, essa prática não pode atrapalhar seus estudos ou trazer algum dano psicológico. Para aqueles que já gravam é fundamental acompanhar de perto e orientar sobre o conteúdo abordado e como utilizar as ferramentas com segurança”, finaliza.





 

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